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 Genie, Make a Wish | 다 이루어질지니

Título: Genie, Make a Wish | 다 이루어질지니

Emissora: Netflix

País: Coreia do Sul

Ano: 2025

Sinopse: A fria e impassível Ka Yeong passou a vida sob os cuidados da avó, cujo olhar atento e abordagem de amor duro ajudaram a manter as tendências psicopatas de Ka Yeong sob controle. Quando Ka Yeong inesperadamente tropeça em uma lâmpada mágica, ela desperta o misterioso espírito Gênio de seu sono de mil anos — e sim, ele promete à jovem três desejos que mudarão sua vida. Libertada em um novo milênio, a magia travessa de Gênio abala a vida tranquila de Ka Yeong, e enquanto ele navega pelas realidades desconhecidas do mundo moderno, os dois se encontram em um romance surpreendente e turbulento. Mas quando as coisas não poderiam ficar menos previsíveis, Ga Yeong descobre que seu companheiro que realiza desejos é, na verdade, Iblis, mais conhecido como Satã, que está determinado a provar que os humanos são corruptíveis. É uma reviravolta totalmente nova na história do gênio da lâmpada, e quando a intratabilidade e as rotinas rigidamente controladas de Ga Yeong encontram a energia trapaceira e o charme desinibido de Genie, tudo se prepara para um romance que será tudo menos comum. 

Genie: Make a Wish é o novo drama da Bae Suzy, da Netflix, lançado em outubro. E como todo drama da Suzy, é claro que eu não deixaria de falar sobre ele aqui no blog.

O drama, estrelado pela Suzy e pelo Kim Woo-bin, é uma história de fantasia que se passa, em parte, no Oriente Médio. Ele traz uma mitologia inspirada nessa região, envolvendo gênios e anjos.

Na trama, a Suzy interpreta Ka Young, uma jovem que possui transtorno de personalidade antissocial, mas que, ao mesmo tempo, foi criada com muita disciplina pela avó, que lhe ensinou todos os valores morais necessários para levar uma vida “normal” e não sucumbir ao próprio transtorno.

Ka Young viaja para Dubai em busca da mãe, que abandonou ela e a avó anos atrás para começar uma nova vida com outra família. Marcada pelo ressentimento, Ka Young faz essa viagem todos os anos tentando entender por que foi deixada para trás.

Durante a sua estadia em Dubai, ela acaba encontrando uma antiga lâmpada mágica — a do gênio Iblis, interpretado por Kim Woo-bin. Após séculos preso, o gênio desperta quando Ka Young o liberta, e, como manda a tradição, ele tem o poder de conceder três desejos ao atual dono da lâmpada.

Mas o que o gênio — que é bastante dissimulado, por sinal — realmente quer é levar a alma dela para o inferno. Isso porque, nesse dorama, a figura do gênio é retratada quase como um demônio, uma entidade que tenta corromper os humanos através da ganância. Então, depois que a Ka Young fizesse seus três pedidos, ele teria o direito de levar a alma dela, caso ela fizesse pedidos egoístas. Só que o que ele não esperava era encontrar alguém completamente desinteressada em tudo o que ele podia oferecer.

Ela não liga para dinheiro, poder ou luxo. Por ter dificuldades em compreender sentimentos e emoções, nada disso a atrai. Além disso, ela já tem uma boa condição financeira, graças a um trabalho com investimentos em ações. Tudo o que ela quer é continuar sua vida tranquila no interior, ao lado da avó.

Ao longo da história, o gênio faz de tudo para tentar convencer Ka Young a fazer seus desejos. Ele cria situações, tenta seduzi-la com promessas e tenta explorar seus pontos fracos. Mas o que ele não esperava era que o primeiro desejo dela fosse algo completamente inesperado: Ka Young pede que o gênio atenda três desejos de cinco pessoas diferentes. O motivo? Ela queria provar para ele que a humanidade ainda tinha virtudes e que nem todo mundo sucumbia à ganância. E é aí que começa a verdadeira aposta entre os dois.

Acompanhamos várias interações entre Ka Young e o gênio, e é curioso perceber que a personalidade dela acaba sendo até mais “geniosa” do que a dele. Os dois têm uma dinâmica intensa, cheia de provocações, que dá um ritmo gostoso à narrativa.

Além deles, o drama traz outros personagens que ajudam a deixar a trama mais movimentada. Entre eles, um anjo da morte, que funciona quase como o oposto do gênio — como se fossem luz e sombra coexistindo no mesmo universo. Há também seres que atuam como ajudantes, tanto do gênio quanto do anjo, e até outros gênios que aparecem ao longo da história.

Um destaque interessante é a participação especial da Song Hye Kyo, que surge em um dos episódios e adiciona um toque extra de charme à produção. Apesar de ser uma história relativamente curta, o roteiro consegue equilibrar bem o tempo de tela dos personagens secundários, evitando que o enredo fique monótono.

Mas o que realmente dá profundidade à história é a figura da avó de Kayong. Ela é a base moral e emocional da protagonista, a pessoa responsável por moldar seu caráter e seus valores. Não vou dar spoilers, mas a relação entre as duas é um dos pontos mais bonitos do drama. É tocante ver como o amor da avó permeia todas as decisões da Kayong, mesmo quando ela parece fria ou distante.

Outro ponto que merece destaque é a amiga de Kayong. Apesar de ter dificuldade em compreender sentimentos humanos e em demonstrar empatia, ela encontra, à sua maneira, uma forma racional de expressar afeto. O amor que sente, mesmo que silencioso, é perceptível, tanto pelas pessoas ao seu redor quanto pela pequena cidade onde cresceu. Um lugar onde todos conhecem sua história, suas lutas e a força de sua avó.

“Genie: Make a Wish” é um drama curtinho, apenas 13 episódios, mas consegue entregar uma história completa e cheia de emoção. Como é típico dos dramas coreanos, ele equilibra muito bem os tons: há momentos de comédia leve, que fazem rir de verdade, e outros de melancolia e drama, especialmente nos episódios finais. O final é, digamos, feliz. Você sai da história com o coração apertado, mas com a sensação de que valeu a pena cada minuto. Prepare-se para rir muito, chorar um tanto, e se emocionar com uma narrativa curta, porém intensa.

Para mim, é um dos melhores dramas coreanos do ano, mesmo eu não tendo acompanhado tantos doramas da Coreia ultimamente. A atuação da Suzy está simplesmente impecável. Nos últimos trabalhos, ela tem se afastado daqueles papéis convencionais que marcaram o início da carreira, e isso tem mostrado o quanto ela amadureceu como atriz.

O Kim Woo-bin também está excelente, e a química entre os dois é nítida. Desde Uncontrollably Fond já dava para perceber como eles funcionam bem juntos em cena, mas aqui, a parceria ganha uma nova energia. Enquanto aquele drama era profundamente emocional, Genie: Make a Wish aposta numa mistura mais ousada, comédia, fantasia e drama.

Vale mencionar que o drama enfrentou críticas em partes da Ásia e do Oriente Médio, por abordar elementos inspirados na religião islâmica. Mas, sinceramente, não vi nada ofensivo. O uso de figuras religiosas ou mitológicas no entretenimento é algo recorrente, seja em filmes, séries ou livros, e aqui isso serve apenas como pano de fundo para construir uma fantasia rica e simbólica, não uma profanação. Pelo contrário: é uma releitura criativa de elementos culturais já conhecidos.

Então, se você está procurando um drama divertido, com aquele toque de fantasia moderna, Genie: Make a Wish entrega tudo isso e um pouco mais. É curtinho — dá para maratonar tranquilamente em dois ou três dias — e ainda conta com uma OST (Original Soundtrack) super agradável, que combina perfeitamente com o clima da história.

Gostou da resenha?

Leia mais:

[Resenha Doramas] Uncontrollably Fond

 

Se você já se pegou encarando uma página em branco, sem saber por onde começar, saiba que isso é mais comum do que imagina.

A verdade é que, sem ideias, não existe escrita criativa. Entender como cultivar boas ideias pode transformar completamente a sua forma de escrever.

A base da escrita criativa é justamente a capacidade de gerar, testar e desenvolver ideias únicas, transformar algo abstrato em uma narrativa plausível e envolvente.

Mas por onde começar?

Por que é tão fácil pensar na ideia central do livro, mas tão difícil desenvolvê-la por completo?

Porque, na maioria das vezes, você não está inspirado da maneira certa.

Para fabricarmos ideias, utilizamos o lado esquerdo do cérebro — o responsável pela criatividade. A nossa criatividade funciona como um potinho: primeiro precisamos preenchê-lo, para depois deixá-lo transbordar.

Ou seja, antes de escrever, você precisa encher seu potinho de criatividade com inspirações e repertório. Tudo o que você precisa fazer é buscar referências que estejam alinhadas com o tipo de história que deseja contar.

Um livro exige muito da nossa imaginação. E, para isso, precisamos ler mais livros, assistir a filmes, séries e animações, conversar com pessoas, visitar lugares e até viajar. Tudo isso faz parte da construção do seu repertório criativo.

E ainda falando sobre repertório…

Se você não vivenciar certas experiências, dificilmente vai conseguir reunir material suficiente para enriquecer a sua escrita.

Por exemplo:

Se você quer escrever um livro de fantasia, precisa consumir fantasia — assistir, ler, analisar obras do gênero. Assim, você entenderá como funcionam os sistemas de magia, a criação de mundos e os arquétipos que compõem esse universo.

Agora, se pretende escrever um livro histórico, precisa estudar história, compreender contextos sociais e culturais de diferentes épocas.

Existem diversos tipos de repertório:

  • Repertório artístico: formado por obras como músicas, filmes, livros, peças de teatro, entre outros.
  • Repertório linguístico: que é o conjunto de palavras, expressões e estruturas gramaticais que você domina. Ele se desenvolve por meio da leitura, conversas, filmes e o contato com diferentes formas de linguagem.
  • Repertório figurativo: o acúmulo de conhecimentos culturais e experiências de vida adquiridos ao longo do tempo.

Ao ampliar esses repertórios por meio de leituras, cursos, palestras, experiências e estudos, você vai perceber que as ideias surgem com muito mais facilidade, sem precisar forçar a inspiração.

Assim, o início da escrita do seu livro se torna mais natural, fluido e prazeroso.


Onde nascem as boas ideias?

A inspiração literária não vem do nada, ela é o resultado de um conjunto de atitudes e hábitos criativos.

A seguir, compartilho ações práticas e reflexões que ajudam a desbloquear a criatividade e manter o fluxo criativo aceso, mesmo nos dias mais difíceis

1. Escolha o gênero que mais conecta com você

Romance, terror, poesia, fantasia… o importante é escrever sobre o que te move e sobre o que você tem repertório suficiente para explorar. Quando você escreve dentro de um gênero que realmente gosta, as ideias surgem com mais naturalidade e profundidade.

2. Teste ideias sem medo de errar

Nem toda ideia precisa se transformar em um livro completo — e tudo bem!

Permita-se experimentar, escrever livremente e sem cobranças, mesmo antes de começar oficialmente a sua obra.

Em breve, vou compartilhar mais sobre como escrever cenas separadas antes de montar o enredo completo, uma técnica poderosa para destravar a escrita e encontrar a voz da história.

3. Confie na sua intuição narrativa

Essa é a sua voz interna, que guia o caminho da trama. Ela aparece principalmente quando você escreve com frequência, dedicando pelo menos uma hora do dia à escrita.

Durante esse processo, a mente criativa entra em estado de fluxo, e é aí que você se vê imerso na cena, imaginando cada detalhe, cada emoção, cada palavra.

4. Observe as pessoas

A observação é uma das ferramentas mais ricas de um escritor. Preste atenção em gestos, expressões e contradições humanas, tanto na vida real quanto nas telas.

Assistir a filmes e séries com olhar analítico, percebendo como os atores expressam emoções, pode te ajudar a construir personagens mais vivos e realistas.

Observar o cotidiano, as reações e os comportamentos das pessoas é uma mina de ouro para quem escreve.

5. Narração ou diálogo?

Decidir entre narrar ou dialogar é uma escolha estratégica. Em alguns momentos, a narração comunica melhor a atmosfera da cena. Em outros, o diálogo é mais eficaz para transmitir emoção e dinamismo. Alternar entre esses dois recursos torna o texto mais envolvente e fluido.


Monte o seu moodboard

Se você sente que está sem ideias para começar uma nova história, pare de olhar para a tela em branco e olhe para o mundo — real ou imaginado.

Uma das formas mais eficazes de alimentar a criatividade literária é mergulhar em narrativas: filmes, séries, quadrinhos e livros de gêneros diferentes do seu.

Ao assistir ou ler com atenção, você aprende sobre estruturas, temas e personagens, além de descobrir o que te emociona, intriga e prende, e tudo isso se transforma em combustível para a sua própria escrita.

Dica prática: crie um moodboard da sua história

Aplicativos como Pinterest e Artbreeder (ou outros apps de imagem) são excelentes fontes de inspiração visual.

Crie pastas temáticas para personagens, cenários ou emoções — às vezes, uma única imagem pode inspirar uma cena inteira.

Monte um painel de humor (moodboard) com imagens, frases, cores e músicas que reflitam o universo do seu livro.

Isso ajuda a manter o tom e o clima do projeto literário sempre vivos.


Teste ideias dentro da sua história

Escrever não é prever. Escrever é testar. Você não precisa saber exatamente tudo o que vai acontecer na sua narrativa antes de começar.

Uma ótima estratégia para destravar a escrita é experimentar diferentes possibilidades dentro da história e permitir que ela mude conforme você avança.

  • E se o personagem que seria o vilão se tornasse um aliado?
  • E se a narrativa fosse contada do ponto de vista do antagonista?
  • E se a história começasse pelo final?

Esses testes não são desperdícios — eles fazem parte do processo criativo.

Muitas vezes, uma ideia só revela o seu verdadeiro potencial quando colocada em prática.

Ao experimentar, você descobre novas camadas do enredo, entende melhor seus personagens e ganha liberdade para escrever com mais intensidade.

Lembre-se: o seu primeiro rascunho não precisa ser bom.

Ele só precisa existir.


Guarde as cenas que você imagina

Algo que eu sempre costumo fazer: antes mesmo de começar a planejar o enredo, eu crio cenas soltas.

Eu costumo planejar meus livros capítulo por capítulo — e no próximo post, irei compartilhar como faço isso, passo a passo —, mas até antes mesmo de inventar o nome da minha história, eu gosto de escrever cenas avulsas.

Às vezes, são apenas pequenos trechos, com poucas linhas e sem nenhum contexto definido. Mas são cenas que vem da minha imaginação, que me tocaram de alguma forma e , por isso, eu preciso guardar para não esquecer.

Como a minha imaginação é muito fluida, gosto de registrar tudo assim que a ideia surge. Penso na cena, escrevo o que imaginei e guardo em uma pasta (geralmente crio uma pasta com o nome do livro no meu Drive), e lá vou salvando documentos de texto com cada cena separada e renomeada.

Mesmo que as cenas aconteçam em momentos diferentes da história, ou que pareçam totalmente desconexas, eu sei que posso usá-las em algum momento. São cenas que nasceram de uma imersão profunda na minha imaginação e que me deram a satisfação de criar eimaginar o contexto.

Pode ser uma descrição de uma paisagem, um diálogo intenso entre personagens, ou até uma situação que me emocionei imaginando.

Quando a cena é boa na minha cabeça, eu desfruto dela como se estivesse assistindo a um filme ou lendo um livro. E é por isso que eu guardo essas cenas, porque não quero perder essa sensação.

Muitas vezes, também anoto cenas inspiradas em sonhos. Alguns dos meus sonhos já se transformaram em partes inteiras de livros. Como escrevo de forma um pouco lúdica e subjetiva, gosto de aproveitar essa ponte entre o inconsciente e a escrita. Então, assim que acordo e me lembro do sonho, anoto imediatamente, antes que ele desapareça da memória.

Por isso, deixo aqui uma dica: todas as vezes que você imaginar uma cena, mesmo sem pretensão de escrever uma história agora, guarde-a. Ela pode se tornar uma peça importante da sua futura narrativa. E o melhoré que quando esse momento chegar, você vai perceber que cada uma dessas pequenas ideias tinha um propósito esperando para se revelar.


Criatividade é treino, não mágica

Muitos escritores iniciantes acreditam que é preciso talento para escrever bem.

Sim, o talento é importante, mas a verdade é que, muitas vezes, a disciplina supera o talento.

Pessoas talentosas não nascem prontas. Elas se tornam talentosas porque são disciplinadas, porque praticam, erram, tentam de novo.

A combinação entre disciplina e talento é o que traz à luz os grandes projetos — é o que transforma uma boa ideia em algo real.

Quando não temos dons naturais, precisamos nos apoiar na disciplina, porque ela é fundamental. Criar uma rotina criativa livre de autocrítica, principalmente no início do processo, é essencial para que as ideias fluam. É preciso reduzir o perfeccionismo, manter o foco e acompanhar a própria produtividade, essas são as estratégias que fazem diferença a longo prazo.

A consistência constrói confiança, e é essa confiança que sustenta a liberdade criativa.


Provocar emoções é a alma da escrita criativa

Uma boa escrita é aquela que faz as pessoas sentirem emoções. Aprender a provocar emoções com palavras é uma habilidade essencial.

Use descrições específicas, explore os detalhes sensoriais e não tenha medo de falar verdades nas suas histórias, mesmo que sejam desconfortáveis. É isso que cria uma conexão genuína com o leitor.

Além disso, aprenda a criar tensão narrativa, a experimentar diferentes pontos de vista e a compreender o papel de cada cena, seja ela focada em personagem, ação ou diálogo.

Quando você entende a engrenagem da sua história, fica mais fácil manter o leitor engajado do início ao fim.


Não tente agradar a todos

Um dos maiores bloqueios criativos surge quando o escritor tenta escrever algo aceitável para todo mundo. Isso é impossível e desnecessário.

Escreva o que você acredita. Escreva o que te move.

A sua autenticidade é o que torna a sua obra memorável. Quando você tenta se moldar apenas ao que é comercial, corre o risco de apagar a essência da sua história.

Isso não significa que o mercado comercial seja ruim, ele é importante. Existem editores e preparadores justamente para lapidar o seu livro e torná-lo mais atrativo para o público. Mas isso não quer dizer que você precise se encaixar em um gênero que não gosta apenas porque ele está vendendo mais.

Se você escreve fantasia, e o mercado atual não está favorável ao gênero, não pare de escrever fantasia. Escreva o que você ama. Porque a paixão é o combustível da boa escrita.


Confie no seu processo

A escrita não é feita apenas de técnica, ela também nasce da sensibilidade. Confiar na sua intuição ao criar personagens, reviravoltas e emoções é parte essencial do processo criativo.

Outra dica poderosa: observe as pessoas como um escritor.

Repare nos gestos, nos silêncios, nas motivações. A inspiração está em todos os lugares, principalmente nas entrelinhas do cotidiano.


A escrita começa com uma decisão

Ideias não aparecem do nada, elas são provocadas. E você pode provocá-las todos os dias, simplesmente ao observar mais, testar mais e escrever mais.

Escrever é acreditar.

No fim das contas, escrever é um ato de fé. É preciso acreditar na escrita mesmo quando ela parece difícil.

É confiar que as ideias virão e que elas já estão dentro de você, apenas esperando o momento certo para serem lapidadas.


Um exemplo pessoal

Alguns dos meus livros estão “adormecidos” há muito tempo. E isso foi uma decisão consciente.

Há alguns anos, escolhi não publicá-los nem finalizá-los imediatamente, porque sabia que ainda não tinha o repertório necessário para construir aquelas histórias.

E tudo bem.

Essas obras pediam uma complexidade que, na época, a minha maturidade pessoal e literária ainda não era capaz de alcançar. E embora exista um toque de perfeccionismo nisso (algo comum entre escritores), percebi que respeitar o tempo da história é uma forma de amadurecimento.

Não significa que abandonei esses livros. Pelo contrário: eu os guardei com carinho, sabendo que um dia estaria pronta para escrevê-los.

E esse dia viria, porque eu estava me preparando: participando de eventos, lendo mais, estudando mais, vivendo mais.

Cada experiência estava me aproximando do momento certo.


Tenha calma com o seu processo

Todo escritor iniciante quer escrever o primeiro livro e isso é maravilhoso. Essa é uma meta importante e deve ser cumprida.

Mas é essencial lembrar: nem todas as histórias precisam nascer agora. Alguns livros pedem tempo, repertório e maturidade.

Comece pelo livro que você se sente preparado para escrever hoje. Existem gêneros e subgêneros mais simples, ideais para o início. Foque neles, construa sua confiança e aprenda com o processo.

A escrita é um caminho e cada história tem o seu momento de florescer.


Sobre o que você quer escrever

Antes de começar qualquer história, é essencial ter em mente o tema principal.

Sobre o que você quer escrever? O que você quer criar? E talvez o mais importante: para quem você quer escrever?

Definir o seu público é o primeiro passo: será que você quer escrever para crianças, jovens ou todas as faixas etárias? Cada público pede uma linguagem diferente.

A escrita voltada para crianças, por exemplo, precisa ser mais leve e lúdica, enquanto os jovens já estão acostumados com uma linguagem mais direta e dinâmica.

1. Escolha o gênero

Antes de tudo, decida em qual gênero literário você vai trabalhar. Terror, ficção científica, ficção adolescente, aventura, drama, fantasia, romance...

Escolha aquele que mais conversa com você — e que desperta a sua vontade de criar.

2. Descubra o que vale a pena ser contado

Pergunte-se:

  • Sobre o que, de fato, se trata a minha história?
  • Ela é inspirada em experiências pessoais?
  • Que tipo de narrativa quero trazer ao mundo?

Essas perguntas ajudam a encontrar o propósito da sua escrita.

Nos próximos posts, vou compartilhar um passo a passo mais detalhado para te ajudar a construir esse processo.

3. Escolha um subtema

Escolha um subtema relevante para usar como plano de fundo da sua história — isso tornará sua narrativa mais profunda e rica.

Criar uma história longa demanda tempo e disciplina. É preciso pensar no enredo, na personalidade dos personagens, nas descrições, nos diálogos e no fluxo temporal ao longo da trama.

4. Planeje o seu livro

Elaborar um roteiro inicial, com tópicos e subtópicos, é fundamental para manter a organização e a coerência da narrativa.

Use experiências próprias, observações do dia a dia e até pessoas reais como inspiração para criar personagens autênticos.

Escolha a sua rota e comece a escrever.

No próximo post, vou abordar sobre organização literária: como estruturar o seu livro e montar o planejamento ideal para manter o foco e o ritmo da escrita.

Então, fique comigo nessa jornada, porque o próximo post será imprescindível.

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Nos vemos no próximo post! ☕📖

 

No post de hoje, quero continuar nossa reflexão sobre controle e autenticidade. Anteriormente, falei sobre a ilusão do controle que podemos ter sobre nossa vida e a vida das outras pessoas, e sobre a importância de quebrar o ego para abrir espaço à autenticidade.

Hoje, o tema é aceitar o mundo como ele é. Isso significa acolher tanto suas perfeições quanto suas imperfeições.

Essa reflexão também tem muito a ver com frustrações. Quando nascemos e crescemos neste mundo, somos educados de uma maneira que nos torna bastante críticos, e até rebeldes, em diversos aspectos. Isso não é um problema por si só. O problema surge quando acreditamos que nosso “eu” é superior a ponto de achar que podemos submeter tudo e todos à nossa vontade. E isso, na prática, é impossível.

Essa expectativa de controle é, inclusive, uma das principais causas das frustrações que sentimos. Afinal, vivemos em um mundo com uma enorme pluralidade de culturas, valores e jeitos de ser. Por que, então, insistimos na ideia de que podemos mudar o que já existe?

Aceitar o mundo como ele é não significa conformismo. Significa reconhecer a realidade, abraçar suas nuances e, a partir daí, escolher nossas ações de maneira mais consciente e autêntica.


Relato pessoal: aprender a mudar de lugar quando não cabemos mais

Eu nunca fui conformista. Sempre fui rebelde. O mundo para mim era cheio de regras que considerava inúteis, mas, ao mesmo tempo, também não queria moldá-lo, porque sabia que isso seria impossível. Desde cedo, fui ensinada pelas negativas da vida. Então, a única coisa que eu podia controlar era o que dizia respeito a mim mesma.

Uma coisa que sempre me deixava inconformada era o modo como a criação feminina acontecia. Quando criança, eu pensava: por que nós, meninas, não podíamos correr e brincar como os nossos primos? Por que eu precisava usar brincos, mesmo quando doía e inflamava as minhas orelhas? Por que eu tinha que ficar quieta e não podia ser mais agitada ou brincar à vontade?

A criação feminina foi muito cruel para mim, porque, como criança, eu achava que poderia fazer tudo. Esse é apenas um dos aspectos que muitas crianças, provavelmente todas, sofreram. Na infância, somos submetidas a posições sociais impostas e muitas vezes nos sentimos moldadas por elas.

Já na vida adulta, mesmo sendo rebelde e não me conformando com a realidade, isso me trazia mais desafios. Algumas coisas eu aceitava; outras, não. Por exemplo, podia me conformar com certos comportamentos de pessoas, mas não com processos de trabalho ou regras de um emprego que não faziam sentido para mim. E, mesmo assim, muitas vezes eu continuava ali, dentro daquela estrutura.

Até que um dia percebi: a única coisa que eu realmente podia fazer era me mudar de lugar. Se eu não me sentia bem em determinadas amizades, empregos ou ambientes, como poderia mudar toda uma estrutura ou o modo de ser de outra pessoa? Nem tudo é sobre nós e nem tudo está sob nosso controle.

Às vezes, precisamos começar em empregos ou situações que não fazem sentido para a vida que queremos ter. Mas isso não significa abdicar da nossa identidade. Pelo contrário: muitas vezes, é um passo necessário para a nossa sobrevivência, enquanto criamos estratégias para o próximo passo.

A aceitação, então, é uma habilidade que precisa ser treinada. Não se trata de se moldar ao ambiente e perder a autenticidade, mas de desenvolver jogo de cintura para atravessar certas situações sem renunciar a quem você é.


Aceitar o mundo não é conformismo

Diante das minhas observações sobre o mundo, tenho visto muitas pessoas inconformadas. E eu entendo: de modo geral, o inconformismo vem de problemas sociais reais. É um inconformismo justo, pois muitas vezes essas pessoas simplesmente não aceitam a realidade que lhes foi imposta.

Mas existe uma linha tênue. Quando você utiliza suas frustrações, suas dificuldades ou as injustiças que enfrenta para atacar outras pessoas ou praticar atos imorais, porque não aceita o mundo como ele é, você não está se tornando alguém melhor. Você não está abrindo espaço para a sua autenticidade; você está dando lugar à fúria.

Quando pensei em escrever este post sobre aceitar o mundo como ele é, refleti muito. Aceitar o mundo não é conformismo. Sou totalmente contra a ideia de alguém se conformar com uma situação em que não se sente bem ou confortável. Aceitar o mundo é, na verdade, entender como ele funciona e desenvolver jogo de cintura para atravessar os problemas — porque eles sempre existirão, de uma forma ou de outra.

No mundo, haverá imperfeições, pessoas falhas, discursos ruins e negativos. Mas, ao mesmo tempo, percebo que aqueles que têm discursos positivos, que promovem debates construtivos e buscam transformar a realidade, muitas vezes não são ouvidos, por conta daqueles que semeiam caos.

A história mostra que muitos grupos, como mulheres, negros ou pessoas com deficiência, enfrentaram séculos de opressão. Hoje, vemos, mesmo que pouco, algum progresso, e acredito que o futuro trará avanços ainda maiores para diversos grupos. Isso acontece porque essas pessoas não se conformaram, mesmo enfrentando jornadas difíceis para reconquistar direitos que lhes pertencem.

Então, quando falo sobre aceitar o mundo como ele é, por mais contraditório que pareça, quero dizer que se trata de não bater de frente o tempo todo. É saber agir com moderação e com estratégia, cuidar de si, para que o impacto das dificuldades seja menor.


Estoicismo e autenticidade: encontrando harmonia no presente

No estoicismo, a ideia de aceitar o mundo como ele é significa compreender que o universo é regido pela Logos, uma ordem racional. Embora possamos controlar nossas ações e reações, não temos controle sobre muitos eventos externos.

Essa aceitação se baseia na harmonia com a natureza e na concentração na virtude interna, em vez de se prender à busca de resultados externos que estão fora do nosso alcance. O estoicismo enfatiza que devemos focar em controlar nossas ações e reações, e não tentar controlar eventos externos, porque isso, além de nos distrair, muitas vezes não leva a nada ou demora muito mais do que gostaríamos.

O estoicismo também incentiva viver no presente, concentrando-se no momento atual, ao invés de se preocupar excessivamente com o passado ou o futuro, pois essas preocupações trazem sofrimento que não está sob nosso controle.

Assim, essa busca de mudar o mundo, por mais justa e verdadeira que seja — esse inconformismo que mencionei anteriormente, e com o qual concordo — pode gerar estresse e frustrações para pessoas que ainda não desenvolveram plenamente sua autenticidade. É o mesmo ponto que tratei na edição anterior, sobre a ilusão do controle.

Embora algumas pessoas e grupos estejam conseguindo mudar mentalidades e impactar o mundo, essas conquistas muitas vezes vêm acompanhadas de muito esforço e fatores estressantes que poderiam ser atenuados se a sociedade soubesse dialogar.


Entre opiniões e preconceitos: o desafio da inteligência emocional

Hoje em dia, existe um grande problema relacionado à aceitação das diferenças. Muito se fala sobre aceitar diferenças, mas, na prática, isso nem sempre acontece. Por mais que se discuta a aceitação das diferenças físicas, um debate legítimo e necessário, atualmente há uma grande intolerância das pessoas em relação a diferenças culturais e ideológicas.

Percebo que pouco se fala sobre diferenças ideológicas e de opinião e como elas têm se tornado alvo de preconceito. Falta compreender que a diversidade de pensamentos é tão natural quanto a diversidade racial, religiosa ou cultural. O coerente para o ser humano é buscar essa aceitação.

Por mais que você não concorde com os princípios ou o modo de vida de outra pessoa, isso não significa que a vida dela não faça sentido. Cada indivíduo busca autenticidade e vive de acordo com o que considera certo para si. Se para uma pessoa faz sentido, por que julgar, criticar ou segregar, simplesmente porque não se encaixa na nossa própria visão de mundo?

Lidar com essas diferenças exige um nível elevado de inteligência emocional. E, infelizmente, muitas pessoas não querem desenvolver essa habilidade. Preferem debater para criticar, e não para aprender.


Aprender a se relacionar: consigo e com os outros

E, para concluir, eu gostaria de falar sobre aprender a se relacionar consigo mesmo e com os outros. Muitas pessoas não sabem se relacionar com os outros porque não sabem se relacionar consigo mesmas.

Essa compreensão de si, essa busca por autoconhecimento, é essencial para nos entendermos e, a partir daí, conseguirmos aceitar os outros e suas diferenças. Existe um nível muito grande de ignorância emocional. No passado, havia outras segregações mais evidentes; hoje, parece que a segregação se manifesta fortemente de forma ideológica e intelectual.

Muitas pessoas não se compreendem e não conseguem entender que alguém pode ser feliz vivendo de uma forma diferente da que elas escolheriam, e isso é totalmente compreensível, considerando a pluralidade de diferenças entre os seres humanos. Não conseguir compreender isso de forma lógica revela um nível de incapacidade emocional significativo, e essa falta de inteligência emocional tem adoecido muitas pessoas.

Portanto, eu questiono: será que o problema de fato é que não estamos aceitando o mundo como ele é, por que não aceitamos a nós mesmos?

Siga o Blog e deixe o seu comentário sobre o tema.

 

Escrever sempre foi um ato de coragem e de colocar para fora aquilo que muitas vezes fica preso: emoções, sentimentos, pensamentos e reflexões. A escrita funciona como uma válvula de escape e, ao mesmo tempo, como uma forma de se mostrar ao mundo por meio da arte, revelando o que temos dentro de nós. Em linhas textuais, podemos expressar críticas, análises, visões de mundo, sonhos e desejos.

A escrita está diretamente ligada à leitura. Um leitor atento geralmente se torna um escritor. Quanto mais se lê, mais se escreve, e mais se expõe o pensamento. Um leitor que se torna escritor aprende a desenvolver pensamento crítico e a transformar o mundo por meio de suas obras.

Escrever é também uma forma de afirmar nossos pensamentos e criar mundos imaginários que se correlacionam com o nosso próprio mundo. Essa arte serve para criticar, empoderar a figura do herói ou da heroína.

Em tempos como este, escrever significa liberdade. A escrita nos torna conscientes das nossas ideias.

Nestes posts, quero abordar a escrita de um romance. Romance é uma obra literária que apresenta uma narrativa em prosa, podendo ser longa, na qual o autor narra fatos reais ou imaginários, relatados por seus personagens, explorando seus conflitos, dificuldades e transformações ao longo da história.

O que é escrita criativa?

É uma forma de expressão que transforma sentimentos, ideias e reflexões em palavras vivas. Diferente da escrita técnica, acadêmica ou jornalística, a escrita criativa é a arte de usar palavras para expressar emoções, inventar mundos e dar vida a histórias únicas.

Ela não está presa a fórmulas rígidas. Pelo contrário, é um espaço onde a imaginação tem liberdade total. Seja em um conto de romance, uma crônica ou até mesmo em uma legenda bem escrita para o Instagram, a escrita criativa permite explorar personagens, sensações, atmosferas e conflitos, reais ou fictícios, com a sua própria voz.

É onde o texto deixa de apenas informar e passa a tocar o leitor. Mais do que escrever bonito, escrever criativamente é comunicar verdades humanas de maneira autêntica e envolvente. É criar conexões. É fazer com que o leitor sinta algo. E isso, por si só, já é uma forma de transformar o mundo.

“A escrita criativa é qualquer forma de escrita que vá além dos limites normativos da linguagem utilitária. É a escrita que existe para contar histórias, provocar emoções ou compartilhar ideias de forma imaginativa.”
— Creative Writing Studies: Practice, Research and Pedagogy, Harper & Kroll (2008)

Na escrita criativa, você pode:

  • Criar personagens e mundos inteiros;
  • Recriar memórias;
  • Elaborar conflitos;
  • Ou simplesmente organizar o caos interno em forma de texto.

Por que escrever?

Escrever é um ato de afirmação, de tornar o visível o invisível. É uma forma de expressar aquilo que muitas vezes não conseguimos dizer em voz alta. A escrita é uma ferramenta poderosa de autoconhecimento, transformação pessoal e, até mesmo, de liberdade social e política. Ela conecta o que sentimos com o que queremos compartilhar com o mundo. Cada texto que nasce de você é uma nova possibilidade de diálogo com o outro.

Escrever bem exige leitura. Se você deseja aprimorar sua escrita, precisa ler muito. E isso não significa se restringir apenas a clássicos ou livros de ficção. Leia tudo o que puder — romances, contos, jornais, livros de não ficção. Além de estimular a criatividade, a leitura permite compreender pessoas, conflitos sociais e universos diversos.

A leitura ativa expande o vocabulário, melhora a estrutura narrativa e inspira novas ideias. Escritores, iniciantes ou experientes, que cultivam o hábito da leitura, desenvolvem mais rapidamente o pensamento crítico e a capacidade de construir universos próprios.

Escrevendo um romance: por onde começar?

Um romance literário é uma das formas mais completas de narrativa em prosa. Pode ser curto ou longo, realista ou fantástico, mas um bom romance se apresenta por seus elementos essenciais:

  • Narrador com voz definida;
  • Conflitos envolventes;
  • Personagens consistentes e bem construídos;
  • Trama que evolui de forma coerente e consistente.

Você pode começar com uma ideia central, um tema que te move ou até mesmo uma cena isolada. O importante é não esperar pela inspiração perfeita, ela surge ao longo do caminho, quando você se compromete com a prática da escrita.

A escrita como forma de liberdade

Escrever é um exercício de liberdade. Quando você escreve, reivindica sua voz no mundo, especialmente em tempos tão ruidosos e acelerados. A escrita se torna um ato de pausa, presença e poder.
E sim: você pode escrever, mesmo que nunca tenha tentado antes. Não existe dom; existe prática, existe vontade de dizer algo, de explorar linguagens e, acima de tudo, de permitir-se errar no caminho.

Conclusão: Sua história merece ser contada

Cada pessoa tem uma história — e a sua merece existir no mundo. Escrever é um ato de generosidade, tanto com você quanto com quem vai ler.

É abrir o coração em forma de palavras para que outros possam se reconhecer nelas.

Se você quer dominar a arte de contar histórias, desenvolver sua voz autoral e entender as engrenagens por trás de uma boa narrativa, eu posso te guiar nesse processo.

Afinal, escrever é muito mais do que técnica:
é sobre presença, consciência e liberdade.

Conheçam o meu novo projeto: Café com Escritores

O Café com Escritores nasceu como um projeto para criar conexões entre escritores, oferecendo suporte àqueles que precisam construir repertório e desenvolver sua prática literária. Nem todo mundo sabe exatamente o que escrever, como estruturar uma história ou manter a disciplina necessária para concluir seus projetos.

O objetivo do Café com Escritores é tornar a escrita possível: não apenas ensinar hábitos e disciplina, mas também fortalecer o repertório por meio de conexões significativas, ajudando a adquirir a sabedoria da escrita.

Escrever é, acima de tudo, observar o mundo. E observar o mundo envolve silêncios, troca e atenção aos detalhes. Um escritor não é apenas alguém que leu muitos livros e, por isso, começou a escrever. Um escritor é um ser humano curioso, cujo principal objetivo é documentar suas observações, utilizando a licença poética para transformar essa percepção em arte.

O Café com Escritores quer, portanto, inspirar novos escritores, oferecendo o desafio de desenvolver a escrita com prática, repertório e conexão com outros criadores.

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No post anterior, abordei sobre autonegação, sobre a vontade de validação e senso de pertencimento. Enquanto existem indivíduos que praticam autonegação, em contrapartida, há aqueles que precisam estar certos o tempo inteiro. É sobre isso que quero discutir no post de hoje: a questão do controle.

No mundo, existem indivíduos que podemos chamar de egocêntricos. E o que são pessoas egocêntricas? Elas veem o mundo através de suas próprias lentes, têm dificuldade de considerar as necessidades e o ponto de vista dos outros e, muitas vezes, se colocam em posição de vítimas da situação.

Isso é diferente de pessoas autocentradas, que são focadas em si mesmas e possuem uma autenticidade fortalecida. Por serem autofocadas e possuírem certo grau de autoconhecimento, conseguem olhar para os outros de forma empática, entender as nuances dos sentimentos alheios e até melhorar os ambientes. Isso se deve justamente pela presença de inteligência emocional nesses indivíduos.


Relato pessoal: Por que ter autoestima incomoda tanto as pessoas?

Em grande parte da minha vida, fui confundida com uma pessoa egocêntrica, simplesmente porque eu tinha uma autoestima razoavelmente saudável. Sempre fui muito autocentrada, focada nas minhas escolhas e no meu crescimento pessoal. Quando um indivíduo tem uma autoestima saudável e demonstra entusiasmo pela vida, quando ele fala sobre si com naturalidade, conhece os seus defeitos e qualidades, isso pode se tornar um verdadeiro pesadelo para aqueles que estão emocionalmente adoecidos. Durante muitos anos, eu cheguei a acreditar que, de fato, era egocêntrica. Me questionei diversas vezes, sobre o pôr que o meu entusiasmo era mal visto por outras pessoas. Foi preciso passar por muita terapia para compreender que as coisas eram justamente o contrário.

Aprendi em terapia que a maioria das pessoas enxerga a realidade de forma bastante deturpada. Muitas carregam uma baixa autoestima e não fazem nada para transformá-la. Para elas, ver alguém entusiasmado e em paz consigo mesmo funciona como um reflexo doloroso: mostra o que poderiam viver, mas não têm disposição ou força para alcançar. Afinal, construir uma autoestima saudável exige esforço, dedicação e trabalho interno.

Você pode estar lendo este meu relato agora mesmo e me percebendo exatamente da mesma forma que tantas outras pessoas já me viram: como alguém egocêntrica, exibida e com vários outros adjetivos negativos. Ou, ao contrário, você pode ter sua autoestima no lugar, estar em processo de amadurecimento interno e enxergar apenas uma pessoa narrando fatos sobre a própria vida.

Ao longo da vida, durante conversas, percebia que algumas pessoas gostavam de competir em opiniões, enquanto, para mim, o diálogo sempre teve o sentido de troca de conhecimento. Por isso, eu superestimava a maturidade de alguns, acreditando que estávamos no mesmo nível de entendimento. Até que percebi que não era bem assim.

As mesmas pessoas que me chamavam de egocêntrica ou egoísta por ser autofocada, faziam isso porque não tinham autoestima — e tentavam subverter a forma como eu me enxergava.

Para ilustrar o que é um comportamento egocêntrico, vou dar um exemplo simples: imagine uma criança que aprende, sem qualquer embasamento, que determinado objeto “não presta”. Ela viu essa informação na internet e acreditou cegamente. Quando os pais a confrontam, explicando o verdadeiro propósito daquele objeto, a criança reluta em aceitar, porque está presa à crença equivocada que formou. Esse é um comportamento típico de egocentrismo: insistir em uma opinião rasa, sem buscar aprofundamento.

Trazendo para os dias atuais, vemos isso com frequência. Pessoas de diversas idades têm acesso a uma avalanche de informações, mas não buscam se aprofundar. Em uma conversa, defendem suas opiniões como se fossem verdades absolutas, mesmo sem fundamento. E quando alguém mais autocentrado, com embasamento, traz novos pontos de vista, o egocêntrico parte para o ataque com a comunicação violenta, passivo-agressiva, porque não tem argumentos sólidos.

Ao longo da minha vida, sempre vivi isso. Não estou dizendo que possuo alto nível de inteligência, mas busquei formar minhas opiniões a partir de fatos e fontes confiáveis e não de algo superficial que vi no Twitter ou em redes sociais.

Imagino que vocês também já tenham passado por situações parecidas. Conviver com pessoas assim é difícil, porque elas constroem uma realidade rasa, baseada em emoções e não em fatos. Conversar com elas é desgastante, cansativo e, no fim das contas, não nos acrescenta em nada.

Por muito tempo (e acredito que muitos de vocês também possam se identificar), encontrei diversas pessoas de diferentes idades, algumas até dentro da família ou entre amigos, que carregavam essa característica: a de acreditar que são donas da razão. Pessoas que pensam que sua opinião é sempre a correta e que, muitas vezes, até com boas intenções, querem cuidar da gente, mas do jeito delas.

A questão é que essas pessoas não escutam. E talvez essa seja a parte mais difícil: conviver com quem não está disposto a ouvir. Todos nós já nos deparamos com esse tipo de comportamento e, talvez, alguns até se reconheçam nele. E não há motivo para sentir vergonha, porque provavelmente você foi socializado dessa forma. Mas isso não significa que precise permanecer assim para sempre.

Você pode escolher ser uma pessoa mais centrada em si mesma. Porque, quando buscamos nossa cura e fortalecemos nossa autoestima, deixamos de querer controlar a “verdade universal” e de tentar controlar tudo e todos à nossa volta.


O mito de que se priorizar é ser egoísta

Diversas pessoas no mundo sofre com baixa autoestima. Por conta disso, muitas não sabem quem realmente são; elas não têm consciência de que é fundamental ser centrado e construir uma autoidentidade para viver de maneira mais saudável. E por isso, há uma crença equivocada de que alguém autocentrado — alguém que conhece seu valor e se entende — é visto como egocêntrico.

Criou-se esse contexto que não é real: egocentrismo não é sobre focar em si de forma saudável, mas sobre ter baixa autoestima, ego elevado, acreditar que apenas a sua perspectiva é correta e ignorar as necessidades do outro. E principalmente, ignorar as suas necessidades emocionais.

Há uma grande diferença entre alguém que acredita estar certa por possuir a mente fechada e alguém que está focada em si mesmo, em se desenvolver, em lidar com seus interesses. Uma pessoa autocentrada muitas vezes é humilde, ouve bastante, evita confrontos quando possível, porque sua visão é mais ampla.

Então, é comum que quem não entende o que significa ser autocentrado distorça esse conceito, transformando autenticidade em algo negativo: “essa pessoa é egoísta”, “essa pessoa só pensa em si”. Mas isso é uma falácia.


E de onde vem a vontade dos indivíduos de controlar uns aos outros?

Uma coisa que sempre observei é que muitas pessoas têm o hábito de tentar controlar tudo ao seu redor devido aos próprios descontroles emocionais. Hoje, com o aumento dos transtornos mentais, como ansiedade e outros problemas relacionados, essa necessidade de controlar os outros e o ambiente se torna uma forma de lidar com o próprio descontrole. Focar em si mesmo parece muito mais difícil do que apontar problemas nos outros, e essa desconexão consigo mesmo é extremamente prejudicial, pois essas pessoas geralmente não se enxergam.

Outra coisa que sempre observei é a necessidade constante que muitas pessoas têm de performar uma bondade. Quando um indivíduo mais autêntico diz “não”, passa imediatamente a ser mal visto. Se a pessoa não se coloca no desconforto para satisfazer a vontade do outro, é considerada desumana. Isso acontece porque, na sociedade em que vivemos, a performance da bondade foi normalizada.

Mas performar não significa ser bom ou ético. A máscara continuará sendo apenas uma máscara. Um indivíduo verdadeiramente bom não precisa provar suas intenções: suas atitudes já refletem no bom comportamento, na educação e na postura íntegra que carrega.

Pessoas controladoras carecem de amor-próprio saudável e, muitas vezes, lidam com um ego elevado. Tudo que se acumula no ego acaba tirando espaço da autenticidade, do crescimento pessoal e do desenvolvimento espiritual. Por isso, essas pessoas não se valorizam verdadeiramente. Elas acreditam que precisam agradar os outros e se veem como salvadoras, fazem o bem apenas para performar e serem reconhecidas.

No entanto, mesmo quando o objetivo é praticar o bem, é fundamental perguntar se o outro deseja essa “ajuda”. Não se pode forçar afeto e nem ajuda com conselhos inconvenientes. É preciso ouvir e respeitar o desejo do outro, pois forçar algo muitas vezes reflete a necessidade de controlar a situação e não um ato genuíno de auxílio.

Esse tema sobre controle e egocentrismo é bastante delicado, e muitas pessoas não se reconhecem como tal. O apego às próprias opiniões e a crença de que apenas a sua forma de agir é correta não é saudável. Se você se identifica com isso, é importante entender que esse caminho é perigoso. Esses apegos são armadilhas do ego. Quando você se depara com a realidade, percebe que as pessoas não concordam com você e que não tem controle sobre tudo, a fortaleza do ego pode desmoronar, e você pode se sentir abalado. É como um castelo de cartas: se uma carta cai, todo o castelo irá desabar.


O caminho para a autenticidade e a superação do ego

A proposta deste post é sobre o retorno a si mesmo, sobre recuperar a própria autenticidade. Não entre em conversas apenas para ser validado ou para provar que está certo. Foque em melhorar a si, em desenvolver sua vida, sem se prender aos erros alheios. As pessoas vão errar, independentemente de tudo.

Errar, na verdade, não é necessariamente ruim. Quem erra muito em tentativas aprende mais rápido e consegue acertar mais cedo. Quando falo em erros, refiro-me a erros na tentativa de alcançar algo. Existe uma cultura de performance, especialmente nas novas gerações, onde as pessoas tem medo de errar. Mas tudo bem fracassar uma vez, duas vezes — isso não define você como fracassado para sempre. São apenas fases do aprendizado.

Se você deseja se tornar uma pessoa mais autêntica, é preciso compreender que precisará abrir mão do controle, tanto do controle que acredita ter sobre os outros, que, na verdade é uma ilusão, quanto do controle absoluto sobre cada detalhe da sua vida. A vida seguirá seu curso, independentemente dos nossos esforços. Claro, é importante ter planejamento, um plano A, um plano B, mas precisamos romper a ilusão do controle, pois frustrações surgirão, e elas existem justamente para nos aperfeiçoar como seres humanos.

Quando alguém desenvolve autenticidade e se entende dentro do universo e da sociedade, não entra em conversas apenas para ser validado. Não sente a necessidade de provar que está certo, porque compreende que suas opiniões podem ser pequenas, momentâneas ou nem sempre bem fundamentadas. Opiniões podem mudar, e isso não diminui a autenticidade de alguém. Pelo contrário, demonstra que uma pessoa autêntica sabe se adaptar ao novo e agir conforme o que entende ser melhor para sua vida.

Vejo que muitas pessoas têm medo de serem elas mesmas por conta de crenças negativas e limitantes. Pensam, por exemplo, que se colocarem em primeiro lugar serão egoístas ou deixarão de ser caridosas. Mas isso é uma grande mentira. Se você não se priorizar, não conseguirá amar genuinamente ninguém, nem sentir empatia ou compaixão de verdade. Primeiro precisamos sentir isso por nós mesmos para, depois, compreender o outro.

Muitas crenças bloqueiam nosso desenvolvimento de autenticidade, e quebrá-las exige prática diária. Não é algo que acontece da noite para o dia. Essas mudanças de mentalidade precisam se tornar hábitos, durante momentos de reflexão, meditação, ou quando você está sozinho pensando sobre a vida, debatendo consigo mesmo, reconhecendo suas falhas e aceitando seus acertos. Tudo isso exige esforço, e é por isso que muitas pessoas preferem manter a máscara social a viver plenamente sua autenticidade.

Quando falo de autenticidade, não quero dizer que você deva agir com vícios ou maus hábitos naturais da sua personalidade. Ser autêntico é ser ético, educado, respeitoso e consciente dos limites dos outros. Você pode ser você mesmo e ainda assim conviver em sociedade, aceitando que as pessoas são diferentes, e isso é saudável. Não há problema em se cercar de pessoas com temperamentos parecidos com o seu, mas o problema surge quando queremos ser validados mesmo tendo um mal comportamento, ou quanto tentamos controlar os outros, mesmo quando eles deixam claro o que desejam. Isso atrasa a nossa vida, porque vivemos tentando assumir o controle de algo que nunca foi nosso.

O intuito deste post é trazer reflexões sobre o tipo de vida que você tem vivido. Você tem se colocado em primeiro lugar, cuidando de si e controlando aquilo que diz respeito a você? Ou está olhando demais para os outros, focando no externo, esperando demais do que vem de fora e se deixando de lado?

Convido vocês a lerem os posts anteriores, pois a ler na sequência contribui para entender melhor a linha de raciocínio que estou trazendo. Cada post funciona como um capítulo, pensado para que um complemente o outro.

No mais, gostaria de dizer que o mundo não vai parar por nossa causa. Somos seres pequenos diante do universo, e se reconhecer como tal é o primeiro passo. Mas, por mais que não sejamos tão significativos no contexto universal, isso não significa que dentro do nosso próprio universo, do nosso consciente, não possamos nos tornar algo grandioso. Podemos nos tornar pessoas que admiramos, e, se conseguirmos nos admirar, acredito que isso já é suficiente.

Espero que vocês tenham gostado deste post e continuem me acompanhando, pois trarei um novo assunto para refletirmos juntos.


A premissa básica da autonegação se conecta diretamente ao que escrevi nos capítulos anteriores, sobre os traumas de abandono e rejeição. Muitas pessoas vivem de uma forma em que negam a si mesmas a própria felicidade.

E quando falo em autonegação, não significa que essas pessoas estão se negando tudo. O que acontece é que elas estão negando justamente o essencial, aquilo que poderia levá-las de volta ao seu próprio centro.

A autonegação é, no fundo, um processo de renúncia dos nossos desejos mais profundos. Geralmente, esses desejos não são os mundanos, mas desejos espirituais e individuais. Porém, devido ao inconsciente coletivo, acabamos anulando esses desejos para nos encaixar em um grupo, em uma sociedade ou em determinado contexto. Fazemos isso para não nos sentirmos sozinhos ou invalidados.

Essa negação de si acontece em situações simples. Vou dar um exemplo: você está em um grupo — pode ser religioso, estudantil, político, um grupo sobre hobbies ou de qualquer outra natureza. Para se sentir aceito, você sente a necessidade de concordar com aquele grupo, de seguir o que todos seguem. E, nesse movimento, você evita trazer à tona aspectos mais profundos de si. Prefere falar apenas do que coincide com o que é aceito ali dentro.

Você acaba deixando de expressar desejos, opiniões ou ideias que poderiam soar “impróprias” ou “estranhas” para aquele grupo. E, para caber ali, você anula partes suas.

Talvez, enquanto lê isso, você esteja exatamente nessa situação: em um grupo com o qual não concorda 100%, mas ainda assim evita se posicionar. Você não quer desagradar, nem ser o “excluído”. Quer que os outros fiquem felizes com você, mesmo que isso custe a sua própria autenticidade.

Mas já parou para pensar que talvez todos ali também estejam anulando partes de si mesmos, apenas para se encaixar no mesmo molde? Para caber no mesmo rótulo ou estereótipo?

E, afinal, o que existe de errado em ser diferente?

Quantas vezes você já teve uma opinião ou ideia válida, mas se calou porque achou que o grupo não aceitaria? Quantas vezes percebeu que até poderia contribuir com algo novo, mas preferiu silenciar, com medo de parecer “disruptivo demais”?

Essa repetição de silêncios e renúncias vai, aos poucos, minando a nossa energia. E, quando percebemos, já estamos vivendo uma tristeza silenciosa, resultado direto de negar a nós mesmos quem realmente somos.

Você vai ficando triste. Às vezes até parece que está satisfeito, porque, de certa forma, está tudo bem: as pessoas te aceitam do jeito que elas acham que você é. Está todo mundo confortável, o grupo flui.

Até que um dia você decide mostrar uma parte da sua autenticidade. E é nesse momento que as pessoas começam a apontar o dedo para você. Dizem que você está errado em pensar ou agir daquela forma. Mas eu te digo: você não está errado quando mostra quem você é. O que acontece é que, naquele instante, você deixa de ser um produto do grupo. Rompe a máscara do encaixe e revela a sua essência.


Entre rótulos e ideologias, o desafio de sustentar a própria autenticidade

Uma vez, ouvi uma psicóloga dizer uma frase que nunca esquecerei: “Quanto mais você se torna autêntico, mais esquisito você parece para a sociedade.”

E isso é verdade. Porque a sociedade, de forma geral, está acostumada a se organizar em grupos. E grupos sempre exigem rótulos. Para se encaixar, é preciso vestir uma etiqueta, caber dentro de uma caixinha.

Veja alguns exemplos: existem os grupos de fãs de bandas, como os roqueiros. Os grupos de quem pratica esportes, como surfistas ou corredores. Os grupos religiosos, como católicos, evangélicos, espíritas. Os grupos de investidores, empresários, e até grupos de ativistas. E dentro de cada grupo há regras ditas e não ditas. Se uma pessoa católica, por exemplo, resolve compartilhar novos conhecimentos sobre outra religião dentro da comunidade dela, é provável ser julgada, até rejeitada. Porque aquela ideologia foi estabelecida para manter todos dentro de um mesmo padrão.

E aqui entra a questão das ideologias. Eu, particularmente, não concordo com elas. Porque, no fundo, ideologia nada mais é do que um sistema de ideias que nasceu dos interesses de um grupo de pessoas. Muitas vezes, ideias que foram criadas há séculos e transmitidas de geração em geração. Só que, quando você adere a uma ideologia, ela não é a sua ideia. Você “compra” o pacote pronto. Pode até dizer: “Quero isso para mim”. E não há problema algum nisso. O que eu questiono é: você parou para analisar se essa ideologia realmente faz sentido para você?

Se fizer sentido, ótimo. Mas também é preciso entender que aquilo que faz sentido para você pode não fazer sentido para o outro. Por isso, eu prefiro falar em ideias do que em ideologias. Porque ideias são soltas, podem girar em diferentes contextos, se adaptar, evoluir e progredir. Ideias são vivas.

Quando você se abre às ideias, pode analisá-las à luz da sua autenticidade e decidir o que realmente vale a pena. Diferente de se prender a um conjunto ideológico que muitas vezes foi moldado em épocas de regimes rígidos ou até autoritários.


Militância, pertencimento e o custo psicológico da violência ideológica

O que eu tenho visto, dentro desse contexto de mundo polarizado, é que as pessoas subverteram a ideia de moral, trazendo conceitos ideológicos que podem ter como base tanto a religião quanto outras formas de ideologia. O conceito de militância, que é a prática de defender uma causa de forma ativa, passou a ser distorcido, transformando-se em um ataque pessoal a todos à sua volta.

O que vemos hoje na internet, são pessoas que entram em grupos nos quais precisam se sentir pertencentes, onde acreditam que seus argumentos serão validados. Elas precisam pertencer a esses grupos para não se sentirem sozinhas. Nesse contexto, para pertencer, acabam comprando a ideologia sem analisar ou estudar de fato sobre ela. Seja política, religiosa ou qualquer outra. Ainda assim, militam ativamente na internet para defendê-la, porém com um discurso e uma oratória extremamente violentos.

Essas pessoas atacam outros grupos com o intuito de mostrar que têm um posicionamento moralmente correto. E dentro do próprio grupo ideológico, não se pode contestar nada nem ter pensamento crítico. Pois, se alguém se destacar ou apresentar uma opinião que fuja da linha predominante, mesmo estando em concordância geral com a ideologia, também será vítima e alvo de ataques de comunicação violenta.

Veja que, em nenhum momento, eu digo que você, que faz parte de algum grupo ideológico, não pode expressar o que acredita ou opinar nas suas redes sociais. Muito pelo contrário, esse é o seu direito. Porém, o que você não pode e não deve, é atacar outras pessoas com argumentos violentos, com a intencionalidade de ferir o sujeito. Dentro de uma discussão, a intenção sempre deveria ser atacar o argumento, não a pessoa.

Um livro que eu recomendo, e que está sendo amplamente falado, é Comunicação Não-Violenta, do autor Marshall B. Rosenberg. Essa obra apresenta uma abordagem voltada para expressar e ouvir os outros de forma empática, honesta e sem julgamentos, com foco nas necessidades e nos sentimentos. Sua premissa é fortalecer os relacionamentos e promover a resolução de conflitos.

Com tudo isso que exemplifiquei, ao falar sobre como a militância nas redes sociais tem se tornado destrutiva, até mesmo para as próprias pessoas que a praticam, quero destacar que não apenas os praticantes sofrem, mas também aqueles que fazem parte dos grupos correspondentes. Nesses ambientes, cria-se uma ideia viciosa de segregação e autonegação, na qual as pessoas sentem que precisam concordar com a ideologia para se sentirem apoiadas e não serem atacadas. Isso acontece porque, dentro desses grupos, estabelece-se um consenso do que é considerado moralidade.

E não me refiro aqui a um grupo específico, mas a diversos grupos. Hoje, vivemos em um país polarizado, e essas comunicações violentas estão acontecendo em diferentes contextos. Pessoas estão sendo psicologicamente prejudicadas — tanto os que praticam a comunicação violenta quanto os que são mais passivos, os que apenas recebem e escutam.

Ainda sobre essa à questão dos grupos: essa vontade de pertencer é perigosa. Porque, em nome do pertencimento, muitas vezes nos anulamos por completo. Deixamos de fazer o que realmente queremos. Perdemos o contato com o nosso eu e deixamos de explorar a nossa história, os nossos talentos, os nossos desejos. Tudo para caber em um molde que talvez nem tenha nada a ver conosco.

Por isso, este capítulo sobre parar de negar a si mesmo é um convite para deixar de entrar em caixas que não são suas. Para parar de fazer coisas que você não aguenta mais fazer.

E também para começar a refletir antes de assumir compromissos ou papéis: 

“Será que isso é para mim? Será que não vão me obrigar a viver algo que não quero?”


Relato pessoal: Manter-se fiel a si mesmo em um mundo que insiste em nos moldar

Talvez você não se identifique totalmente com o meu relato, porque eu não me vejo exatamente dentro do mesmo contexto da maioria. Sim, eu me neguei por muito tempo, mas, como contei em outros posts, eu sempre fui muito decidida. Desde a infância, eu sabia quem eu queria ser e o caminho que queria trilhar.

Mas uma coisa sempre me chamou atenção: as tentativas de controle. Desde criança, eram aquelas perguntas constantes: “Por que você é assim?”, “Por que você escolhe isso?”, “Por que não brinca como as outras crianças?”. Até aí, tudo bem. Mas, quando cresci, comecei a perceber como isso se tornava ainda mais intenso e perigoso.

No trabalho, por exemplo, na cidade onde nasci, havia um estilo de musical muito popular, que praticamente todo mundo ouvia. Não é um estilo que eu aprecio e me identifico, mas as pessoas achavam estranho eu não gostar. Isso se repetia nas festas, nos carnavais, em convites sociais — onde eu, mais introvertida, preferia ficar em casa estudando ou cuidando das minhas coisas. A insistência para que eu me encaixasse naquele círculo era cansativa.

E aqui é importante dizer: não era porque eu não gostava das pessoas, ou não queria estar com elas. Eu apenas tinha outros interesses. Só que, quando você não segue o padrão, passa automaticamente a ser vista como “a do contra”, “a esquisita”, “a diferente”. E eu aceitei esse rótulo, porque para mim era mais importante ser eu mesma do que me forçar a viver algo que não fazia sentido.

Mas ao longo da vida também enfrentei situações que me afetaram profundamente e me fizeram negar partes de mim. Também já fiz muito e até passei anos me calando para não desagradar.

Já contei no capítulo 2 sobre os impactos da pobreza. E esse ponto é crucial. A pobreza cria um estigma: você só pode fazer o que todos daquele mesmo grupo fazem. Há uma categorização invisível, que dita até onde você pode ou não pode ir.

Mesmo quando existem opções gratuitas, como visitar um museu ou participar de um evento cultural, muitas vezes esses ambientes são vistos como “não pertencentes” a quem vem da pobreza. É como se você não tivesse o direito de estar ali, porque foi “feito” para viver dentro de um padrão: trabalhar em sub empregos, repetir a vida dos seus pais e não prosperar.

Não acredito que as pessoas façam isso de forma consciente. Na verdade, vem da falta de autoconhecimento. E o autoconhecimento está intimamente ligado à inteligência emocional, que é uma competência a ser desenvolvida, não um talento nato. Quem não busca esse desenvolvimento dificilmente alcança.

Outra questão, que também é uma forma de tentativa de controle e que mencionei acima ao falar sobre militância — e que sei que não acontece apenas comigo, mas também com muitas outras pessoas que provavelmente estão lendo este texto — é que, nesse contexto de mundo polarizado em que vivemos, diversas pessoas tentaram me convencer a assumir determinado lado ou a votar em determinado partido político nos quais eu não acreditava. Veja bem, ser olitizado não é sobre ter um partido em que você acredita religiosamente (não se trata de religião ou um time de futebol). Trata-se, na verdade, de compreender, de forma estratégica, qual candidato tem mais aptidão para o cargo que está sendo disputado. Afinal, estamos falando de um cargo que exerce autoridade. Eu não voto por ideologia; meu voto é puramente estratégico, baseado na análise de quem está realmente apto para ocupar aquele cargo. Então, para que alguém me convença de alguma coisa, no mínimo, essa pessoa precisa me apresentar argumentos lógicos, e trazer informações sobre economia, curriculo do candidato, ou me mostrar algo que eu não tenha percebido. Trazer apenas a ideologia e percepções emocionais do candidato, sem fundamentos históricos e qualquer base factual, para mim não faz sentido nenhum.

Ainda assim, pessoas que não tinham esse embasamento tentaram me convencer com ataques pessoais, o que para mim foi algo extremamente violento. Eu me senti profundamente atacada, porque atualmente, quando as pessoas militam, não atacam os argumentos, mas a pessoa em si. Querem te vilanizar, querem te colocar no lugar de “desumano”. E, se você não tiver firmeza de caráter e os pés fincados no chão, pode desabar, pode até entrar em conflitos internos por conta disso.

Sempre entendi que nós, como seres humanos, temos a responsabilidade e o direito de decidir o que é melhor para a nossa vida em todos os aspectos, desde que sejamos éticos.

Dentro desse contexto, eu não conseguia compreender por que algumas pessoas que eu considerava meus amigos tentaram me convencer a fazer algo que eu não concordo, ultrapassando assim os meus limites, com sucessivas tentativas de controle e coersão. Eu não iria negar a mim mesma, nem negar todo o conhecimento que adquiri, apenas para satisfazer uma ideia egocêntrica e ideológica de outras pessoas.

O que quero que você entenda com esse relato é que você pode buscar conhecimento por si mesmo, pode entender o que acha que é interessante para você, sem se submeter ao que os outros julgam como moralmente correto. O importante é ter autoconhecimento e firmeza de caráter para saber que está fazendo o que é certo, sem precisar se encaixar na caixinha que os outros tentam impor.

Esses são relatos simples, mas importantes, que reforçam que não precisamos viver para nos moldar às expectativas alheias. Sempre que tentamos nos encaixar, inevitavelmente, estamos negando alguma parte de nós mesmos.


As raízes da autonegação

Já que sabemos que a autonegação nasce da necessidade de agradar o outro, de se encaixar e de ser aceito, muitas vezes em detrimento dos próprios desejos e necessidades, vamos agora entender um pouco mais sobre suas causas.

Baixa autoestima

A pessoa pode não se sentir digna, acreditar que não tem valor e, por isso, acaba sempre se colocando em posição de valorizar os outros e fazer o que eles querem. Nesse processo, vai negando os próprios desejos e vontades.

Crenças negativas

Por exemplo, quando alguém é ensinado à servidão. A pessoa foi educada para servir, para ser a salvadora, para sempre ajudar os outros e se colocar em segundo plano. Esse tipo de crença pode levá-la a se negar constantemente.

Busca por validação

A necessidade constante de aprovação geralmente nasce de traumas de abandono ou rejeição. A pessoa busca se validar por meio dos outros e, em consequência, acaba se negando para atender expectativas externas.

Contextos religiosos e ideológicos

Como já mencionei acima, muitas vezes as pessoas compram ideologias de servidão e aceitação do que é dito por um grupo, sem poder contestar. Assim, ficam presas dentro desse contexto, vivendo em autonegação.

Além desses pontos, existem diversos outros motivos que levam as pessoas a se colocarem nesse lugar de autonegação.


Então, como sair da autonegação?

Diante de tudo isso, surge a pergunta: como podemos sair da autonegação? O que podemos fazer para parar de negar a nós mesmos aquilo que nos é merecido?

  1. Desenvolver autoconsciência
    Precisamos entender quem somos e nos aceitar com nossas falhas e imperfeições. É necessário parar de acreditar que somos vítimas o tempo inteiro, pois todos nós temos sombras e limitações, como qualquer outro ser humano. Aceitar essas falhas é o primeiro passo para trabalhar em nós mesmos e caminhar em direção a ser a pessoa que admiramos, como já mencionei antes, a pessoa que realmente queremos ser.

  2. Reconhecer os sentimentos
    Observar e compreender os próprios sentimentos. Sempre que surgir a necessidade de agradar alguém ou buscar validação, é importante identificar quais emoções estão por trás dessas atitudes.

  3. Colocar-se em primeiro lugar
    Essa talvez seja uma das tarefas mais difíceis: deixar de viver apenas para o outro e escolher fazer por você. Isso tira um peso enorme das nossas costas. Claro, há exceções — como cuidar de uma criança, de um parente ou de alguém em situação de vulnerabilidade (mas essa realidade não precisa ser permanente). Mas, fora isso, lembre-se: as outras pessoas não são sua responsabilidade. Empatia é fundamental, mas até ela tem limites. Exagerar na empatia pode causar transtornos e não significa que você seja menos humano ou solidário por priorizar a si mesmo.

  4. Buscar ajuda profissional
    A terapia,seja psicanálise ou TCC, pode ajudar a compreender comportamentos, mudar padrões, lidar com traumas e gatilhos, além de desconstruir crenças de autonegação e de necessidade de validação. Esse é um passo essencial para viver de forma mais saudável.

  5. Sair de grupos que anulam sua identidade
    Esse é, provavelmente, um dos pontos mais difíceis, mas também dos mais libertadores. Muitos grupos arrastam as pessoas para baixo sem que elas percebam, moldando-as lentamente para se encaixar em padrões impostos. Com o passar do tempo, é comum que alguém deixe de se reconhecer, vivendo de maneira despersonalizada, como reflexo daquilo que o grupo esperava. É preciso observar se os grupos que você frequenta realmente fazem sentido para a sua vida e se contribuem para o seu crescimento pessoal.

Nesse post, trouxe bastante informações, não apenas os porquês da autonegação, mas procurei esmiuçar em detalhes, fazendo referência ao que vem acontecendo na atualidade. Minha intenção é levantar questionamentos que talvez estejam acontecendo com você neste exato momento.

Pode ser que, ao ler, você perceba que nada disso faz sentido para a sua vida — e está tudo bem. A proposta do post não é apontar o que é certo ou errado, mas sim provocar reflexão.

Nos próximos textos, vou continuar explorando o tema da autenticidade, e espero que você siga me acompanhando nessa jornada.

💌 Inscreva-se aqui no Blog e até a próxima!


Muitas vezes a gente deixa de fazer algo, ou até mesmo de pensar em algo, já antecipando a perda. Diversas vezes não nos sentimos merecedores de estar naquele lugar, de estar com aquelas pessoas, ou de pertencer e ser a pessoa que queremos ser, justamente por conta do medo da perda.

Esse capítulo tem tudo a ver com o anterior, sobre os traumas de rejeição e abandono. Porque, no fundo, são esses traumas que nos engatilham e nos fazem carregar esse medo constante de perder.

É muito difícil crescer em um ambiente de pobreza mental, onde à nossa volta as pessoas têm medo de alcançar coisas que nunca viram ninguém alcançar. É complicado desenvolver uma mentalidade forte nesse cenário. A gente cresce ouvindo os paradigmas que os outros colocam como verdades absolutas, e o que é “possível” ou o que a gente “merece”.

Mas quando somos crianças, acreditamos que podemos tudo. Principalmente em um mundo globalizado como o de hoje, onde na escola somos incentivados a sonhar com o que vamos ser quando crescer. E, de fato, nós podemos. Eu, pelo menos, acredito nisso. Mas o caminho é longo e árduo — dependendo da história de vida de cada pessoa, do ponto de partida de cada um e de onde cada um quer chegar.

O maior problema de trilhar esse caminho é quando as pessoas à nossa volta nos fazem acreditar que só conseguiremos ir até determinado ponto. Porque não temos referências próximas de quem foi além.

Esse capítulo não é apenas sobre “chegar a algum lugar” ou conquistar algo material. É, principalmente, sobre ser a pessoa que você quer ser. Sobre conquistar a autenticidade que você deseja. Se quando criança você sonhou em se tornar um adulto de determinada forma, é esse adulto que você precisa acreditar que pode ser. Não no que as pessoas, durante a sua infância, disseram que você deveria se tornar.

Falando ainda mais sobre o medo da perda: já comentei que ele vem diretamente ligado aos traumas de rejeição e abandono. Mas o medo, em si, também é um trauma. Pense comigo: por que sentimos medo de perder algo que ainda nem temos? Esse é, de fato, um grande dilema.

E eu posso responder: porque existe dentro de nós uma mentalidade de não merecimento. O não merecimento é a crença profunda de que você não é digno daquilo que deseja. E é justamente aí que está a raiz desse paradigma.


Relato pessoal: O peso dos ‘porquês’ que nunca fizeram sentido

Desde criança eu sempre sabia o que queria. Não porque alguém me disse, mas porque eu via na televisão, nos livros, no mundo, e achava interessante para mim. Crianças sempre sabem que são merecedoras, e isso é algo genuíno da infância. Mas, ao longo do tempo, conforme os traumas acontecem, elas vão se reprimindo, se restringindo, deixando de acreditar nesse direito de sonhar.

Então, eu sempre fui uma criança decidida. Nunca tive grandes dificuldades em fazer escolhas. Mas ao meu redor sempre diziam que tudo era muito difícil, muito complicado. E, quando eu perguntava os porquês, as respostas eram vagas: “porque a gente é pobre”, “porque ninguém que você conhece conseguiu”, “porque é assim que as coisas são”. Esses porquês nunca foram coerentes para mim. Afinal, se existem pessoas que conquistavam as coisas que queriam, por que eu não poderia?

Cresci nesse ambiente de escassez, entre dilemas e mentalidade de não merecimento. E, com isso, nasceu em mim a síndrome do impostor. Essa sensação de que, mesmo estando prestes a conquistar algo, eu era uma fraude.

A síndrome do impostor é exatamente isso: quando você sabe que tem tudo para conseguir, mas começa a acreditar que não é competente, que não é capaz, que não é merecedor. Esse pensamento não é realmente seu. Ele é fruto da escassez, da mentalidade que os outros colocaram em você, das limitações e frustrações que eles viveram.

E, por muito tempo na minha juventude, eu carreguei isso. Uma nuvem de negatividade sobre mim mesma. Pensava que não era merecedora, que não iria conseguir, que tudo era muito difícil.

Mas, em um dado momento, vi uma rachadura e me dei conta que nem eu acreditava nisso. Essas ideias foram inseridas em mim por outras pessoas. Pessoas que viveram suas próprias dores e traumas, e, inconscientemente, projetaram em mim. Quando entrei nesse nível de consciência, percebi que, quando criança, eu não acreditava em nada disso. Aos poucos, fui me reconectando com a minha versão que acreditava, que sonhava, que não tinha medo de desejar.

Quando, de fato, essa ficha caiu, eu parei de acreditar no que os outros falavam sobre o que eu poderia ou não poderia almejar. E isso só aconteceu após muita leitura — livros de diversos: filosofia, sociologia, autoajuda, literatura clássica — além de vídeos de psicólogos, artigos sobre psicologia e estudos do comportamento humano. Quando finalmente entendi um pouco de como funciona a mentalidade humana diante da escassez, do abandono e da rejeição, consegui dissipar aquela mentalidade que me aprisionava.

Hoje, entendo meu merecimento. E percebi que ele não consiste em ter ou conquistar algo apenas por mérito concreto, mas em algo muito mais profundo: um merecimento humano. Eu acredito que todos os seres humanos merecem tudo aquilo a que se propõem. O merecimento é algo muito íntimo, pessoal. Se você acredita que merece algo, então de fato você merece, porque vai se colocar em situações e em caminhos que vão te levar até lá.

Todo ser humano merece não estar em situações de pobreza e de escassez e uma vida digna. Mas, para além disso, quando falamos dos nossos sonhos e da vida que queremos construir, o merecimento é individual. É sobre aquilo em que você acredita para si.

E não, não estou falando sobre meritocracia. Muito pelo contrário. A meritocracia é mais um dos muitos paradigmas criados para limitar pessoas. A crença em si mesmo é o ponto de partida.

Sei que, ao dizer isso, algumas pessoas vão dizer que estou sendo contraditória. Mas as pessoas a quem meu conteúdo realmente se dirige, irão entender. Elas vão pensar, vão refletir e questionar. Porque acreditar em si não significa ignorar que o caminho é difícil. Pelo contrário: você sabe que vai exigir suor, vai exigir sacrifícios. Talvez você precise acordar mais cedo, talvez precise mudar toda a sua vida para chegar onde deseja. Eu também ainda não cheguei lá. Mas, mesmo assim, acredito indubitavelmente que o ser humano que se propõe a algo, vai conseguir, independentemente de tudo.


O seu merecimento não precisa de validação

Acho que o maior problema é que as pessoas confundem a questão do merecimento individual com palco e atenção para si. É natural que todo ser humano que cresceu com o trauma da falta de atenção projete isso, buscando validação externa, afinal, não recebeu esse olhar na infância.

Por isso, muitas pessoas acreditam que precisam se provar o tempo todo. Acreditam que alguém, ou alguma instituição, vai dizer se elas são merecedoras ou não. Assim, ficam esperando que a sociedade diga quem elas são, em vez de colocarem seus próprios valores na mesa. Mas o merecimento não tem nada a ver com o palco que vão te dar. Por isso, existe tanta confusão acerca do assunto. Quando geralmente se fala sobre merecimento, as pessoas logo apontam o dedo e dizem: “Você está sendo meritocrática.”

Merecimento não é sobre uma disputa com as outras pessoas para se provar para o mundo. Na verdade, isso é egocentrismo. Quando eu falo sobre merecimento, quero dizer exatamente isso: o seu merecimento individual, aquilo que você acredita para si.

O ponto é que o seu merecimento é só seu, uma competição íntima. E é isso que as pessoas não entendem. É muito desleal com você, ter que competir o tempo inteiro com 8 bilhões de pessoas para pensar que você merece algo. Você não acha?

Então, se você precisa que alguém valide o seu merecimento, no fundo, você não acredita nele.

Sim, nós, como seres coletivos, construímos muito da nossa identidade a partir do outro. Mas isso não precisa ser uma regra definitiva. O que eu proponho aqui, nestes posts, é justamente um retorno a si mesmo: compreender sua autenticidade e o seu merecimento a partir daquilo em que você acredita, e não do que a sociedade diz que você merece. Afinal, a sociedade tem uma lista pronta de rótulos e expectativas. Dizem que, para “se tornar alguém na vida”, você precisa alcançar determinados padrões de sucesso. Mas, de fato, a nível individual, o seu merecimento tem a ver com o que você realmente quer.

E talvez você não queira o que a sociedade espera. Talvez você não queira ser rico, ou ter um diploma de doutorado. Talvez você não queira uma carreira que se encaixe no molde de “sucesso” que vendem. Talvez o seu sucesso seja ter uma casa simples. Talvez o seu sucesso seja ter uma família. E isso é suficiente e valioso, pois é o que você almeja.

Então, não se limite em pensar que o seu merecimento é ditado pelas regras dos outros. Porque a única pessoa que pode dizer o que você merece e sustentar isso de verdade, é você mesmo.


Quando você se torna quem deseja ser, o medo da perda perde espaço

Nós precisamos sempre almejar ser alguém que nós mesmos admiramos. Para creditarmos que merecermos o que desejamos, primeiro precisamos nos tornar a pessoa que gostaríamos de conviver. Porque quando somos pessoas que nós mesmos respeitamos, tudo se torna mais leve. Mas se nos tornamos alguém que nem gostaríamos de ter por perto, uma pessoa amarga, antipática, negativa, como vamos nos sentir merecedores de alguma coisa?

Para finalizar, quero dizer que todo individuo merece tudo o que esse mundo pode nos proporcionar. Mas nada vai se tornar real se você não crer, e por mais que isso possa soar como algo místico, é como dizia Platão: tudo começa no mundo das ideias. Se você não tem a ideia, se não planta a semente no campo mental, nunca vai conseguir extrair nada para o concreto.

E para além de tudo o que falei aqui sobre merecer e sobre como isso se conecta diretamente ao medo da perda: acredite em você e dê a você mesmo o seu devido crédito. Torne-se primeiro a pessoa que você deseja ser. E, com isso, você vai começar a acreditar mais em si, vai construir uma mentalidade de merecimento, e o medo da perda não terá mais espaço.

Eu espero que o post de hoje traga algumas reflexões e que te ajude a pensar sobre a sua autenticidade.

No próximo post, eu quero abordar um pouco sobre o que podemos fazer para parar de negar a nós mesmos, o que já nos é de direito.

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Oi, sou Nick!

Sou escritora, formada em Licenciatura em Letras e tenho me aprofundado em Sociologia e Filosofia. Atualmente, atuo na área de Marketing, explorando estratégias, comunicação e comportamento humano. Minha trajetória é guiada pela busca constante por conhecimento, reflexão crítica e conexão entre ideias, pessoas e contextos sociais.


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