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Muitas pessoas têm a falsa ideia de que individualidade é a mesma coisa que egoísmo. E, muitas vezes, por serem confundidas como egoístas, elas não cultivam a própria individualidade. Têm medo de serem tratadas como pessoas egocêntricas.

E até eu mesma me confundi por anos com esses conceitos. Fui confundida por diversas pessoas e me confundi por causa dessas falácias ao longo do tempo.

Existe uma grande diferença entre essas duas questões e eu vou explicar.

Individualidade é você se reconhecer e se valorizar. É valorizar as suas características únicas. É ter autonomia, autorrespeito, autoconhecimento, entender os seus gostos e como você quer viver a sua vida.

Já o egoísmo é uma preocupação excessiva com os próprios interesses, muitas vezes prejudicando outras pessoas, buscando vantagem pessoal sem considerar o bem-estar alheio ou a ética. Ou seja: uma pessoa com comportamentos em que ela vai sempre tirar vantagem do outro.

Existe uma discrepância gigantesca entre alguém que cultiva sua individualidade com autonomia e alguém que tenta constantemente tirar vantagem do outro.

E aí eu me pergunto: por que, no mundo de hoje, ainda existe tanta confusão em torno desses dois assuntos?

Individualidade

  • Foco em cuidar de si mesmo;
  • Valorização dos próprios valores;
  • Autoconhecimento;
  • Independência;
  • Autorrespeito.

Quando você entende sua individualidade, você também respeita os outros. Você enxerga cada pessoa como um indivíduo e não como um número na sociedade, além de buscar a harmonia nos ambientes.

Ao buscar a individualidade, a pessoa cultiva quem ela é, se entende para poder entender o mundo ao seu redor e entende as particularidades de si e dos outros.

Egoísmo

  • Foco exclusivo nos próprios interesses;
  • Usa o ego como referência para tudo;
  • Busca constante de vantagem sobre os outros;
  • Falta competência para lidar com a própria vida;
  • Tenta anular os outros;
  • Vê as pessoas como meios para obter vantagem;
  • Prejudica o outro para se beneficiar.

Pessoas egoístas geralmente se escondem em grupos coletivos, ambientes perfeitos para a validação do ego.

Existe essa confusão porque ambos envolvem o “eu”. E tudo que envolve o “eu” é visto como egoísmo. Mas a busca pela individualidade é saudável quando você se torna autêntico e independente. Quando você se entende, você também entende melhor as pessoas.

O egoísta, por sua vez, sempre irá se colocar no centro do mundo. O egoísta não possui individualidade. Ele sequer se entende como indivíduo, apenas como alguém que precisa tirar vantagem dos outros. Ele não sabe que pode ter uma vida plena se entendendo e vivendo sem esses artifícios.

No mundo de hoje, na sociedade que vivemos, desde a infância as crianças são ensinadas a não serem autofocadas, mas a se destacar. E essas duas coisas são completamente diferentes.

Ser autofocado é voltar-se para si, para a própria vida, escolhas, identidade.

Se destacar é depender do olhar do outro, dos elogios, da validação externa.

Porque, quando você busca se destacar, você precisa estar cercado de bajuladores, pessoas te elogiando, te oferecendo algo. Já quando você tem autofoco, você não está pensando no que vai receber dos outros, você está pensando em quem você é.

A maioria das pessoas não sabe quem é. Basta observar um pouco as pessoas: muitos não sabem seus gostos particulares, o que não gostam, o porquê fazem o que fazem, ou qual direção querem seguir na própria vida.

Vemos parte disso refletido na alta taxa de depressão no mundo.

É claro: existem pessoas que passaram por situações extremamente dolorosas e, por isso, adoeceram. Mas a humanidade sempre viveu em contextos de violência, guerras e perdas. Hoje, mesmo em países que não estão em guerra, ainda assim o número de depressões é preocupante.

Acredito que esse número também cresce devido à falta de autoconhecimento.

Quando a pessoa não sabe quem é, o ego assume o controle.

O que é o ego e qual sua função?

Para você entender: o ego tem uma função protetora.

Ele protege a nossa ideia sobre nós mesmos. Ele age como mediador entre o que vem de fora (a realidade externa) e o interno, como traduzimos o mundo para que nossa identidade não se “quebre”.

Então, quando uma pessoa não sabe quem ela é, ela entende o mundo apenas através do que o ego já conhece: suas experiências, crenças limitadas, dores e medos.

Ela interpreta tudo com base nesse repertório e não com base em quem realmente é.

Por isso, alguém com uma mente autêntica tem dificuldade em conversar com uma pessoa egoísta: a pessoa egoísta literalmente não consegue compreender porque a realidade que o outro apresenta não existe dentro dela.

A mente dela não tem estrutura, conhecimento ou autoconhecimento suficiente para suportar aquele nível de visão.

Ela usa o ego como escudo, protegendo uma identidade frágil.

E, ao fazer isso, mantém-se estagnada.


Permanecer assim… ou crescer?

As pessoas podem escolher permanecer do jeito que estão, funcionando através do ego, limitadas, reagindo ao mundo. Ou podem escolher crescer, buscar autenticidade, desenvolvimento pessoal e autoconhecimento.

Esse crescimento pode acontecer por várias vias:

  • Terapia;
  • Observação do mundo e das pessoas;
  • Buscar entender antes de julgar;
  • Olhar para si com coragem;
  • Questionar o que se é e o que se deseja ser.

Mas a verdade é: a maioria escolhe permanecer como está.

E quem busca autenticidade costuma ser minoria e, por isso, sente-se deslocada.


Pessoas autênticas experimentam uma solidão específica

Elas percebem que:

  • Nem todo mundo consegue acompanhar seus pensamentos;
  • Nem todo mundo está disposto a conversar profundamente;
  • Nem todo mundo tem capacidade mental para uma visão mais disruptiva sobre o mundo.

Ser autêntico é saber exatamente onde você termina e onde o outro começa.

É simples, mas exige coragem.

E sim, existe um medo real das pessoas autênticas se mostrarem ao mundo. Porque bancar quem se é… traz consequências. E essas consequências muitas vezes geram desconforto: julgamento, silêncio, falta de compreensão.

Por isso, muitas pessoas autênticas se escondem.

Mas autenticidade não deixa de existir por estar quieta, ela só aguarda o momento em que alguém esteja disposto a realmente enxergar.


Relato Pessoal: Sobre me mostrar para o mundo

Desde criança, eu sempre fui autoconsciente em alguns aspectos. Eu entendia as nuances ao meu redor, percebia que as pessoas eram diferentes, que cada um tinha gostos próprios, interesses, formas singulares de existir. E, para mim, isso sempre foi fascinante. Eu gostava dessa diferença entre as pessoas porque ela me permitia enxergar os indivíduos como indivíduos, pelos seus próprios aspectos.

Só que, desde cedo, eu senti uma resistência enorme do ambiente para tentar me encaixar em padrões de pensamento. Só que eu não queria me encaixar.

Com o tempo, estudando e observando mais o mundo, percebi algo: a comunicação com as pessoas ao meu redor, principalmente jovens da minha idade, começou a ficar difícil. Eles estavam em um processo de formação de opinião, mas essa formação, para mim, culminava em algo: a construção do egoísmo.

Comecei a ver discursos sempre focados neles mesmos.

Pessoas não dispostas a aprender, nem a trocar ideias para crescer, mas dispostas apenas a discutir para alimentar o ego.

As discussões deixaram de ser sobre conhecimento e passaram a ser sobre competição.

Menos troca, mais disputa.

E foi duro perceber isso, principalmente com pessoas com quem eu tinha um carinho muito grande. Pessoas que, pela minha ingenuidade juvenil, eu colocava até num pedestal… E que depois vi o quanto eram egoístas e não queriam aprender.

Para mim, aprendizado sempre foi algo grandioso.

Sempre gostei de conversar pelas ideias, não para me sentir superior.

E, quando percebi que ao meu redor as conversas viravam guerras silenciosas de validação, comecei a abominar esse tipo de comportamento.

Só depois percebi o quanto isso impactou a minha autenticidade e, por isso, com o tempo, eu precisei me afastar. Porque ouvir discursos engessados daqueles que colocam você em caixas, destrói as nuances, simplifica quem você é, te reduz.

As pessoas tratam o mundo como preto ou branco. E, quando descobrem algo “novo”, elas param ali, não aprofundam, não buscam mais. É triste ver pessoas com potencial tão grande se tornando prisioneiras do próprio ego.

Ouvi muita coisa sobre mim nesse processo.

Ouvi que focar em mim mesma era egoísmo. Que querer me desenvolver como pessoa e profissional era egocentrismo. E, por um tempo… acreditei nisso.

Eu me confundi.

Somente após algum tempo de terapia e estudos para eu entender o tamanho dessa falácia. Porque quem me julgava assim… não sabia quem eu era. Não cultivava sua essência. E se deixava de lado para caber no ambiente.

Quem busca autenticidade precisa ter cuidado com opiniões alheias.

É necessário observar:

  • Como essa pessoa se trata e trata os outros;
  • Qual é o caráter dela;
  • Se suas palavras vêm de bondade ou de controle.

Porque existem opiniões que parecem “boas”, carregadas de bondade e politicamente correto, mas que, no fundo, vêm carregadas de julgamento e coerção.

E algumas pessoas chegam a te colocar em situações de vexame, só para elas parecerem corretas. Esse é o comportamento egoísta.

Minha virada de chave foi essa:

Entender que uma pessoa que realmente quer fazer o bem nunca coloca outra em situação humilhante. Nunca adota tratamento passivo-agressivo. Não é associada à cultura de cancelamento na internet.

E, mesmo assim, na internet, o linchamento virtual se tornou uma prática normalizada, ironicamente em nome do “bem coletivo”.

O post de hoje foi sobre isso: a importância de buscar a individualidade para, então, alcançar autenticidade. E parar de acreditar nos estereótipos criados por pessoas egoístas.

Porque, no fim…

Quem realmente está buscando o bem começa primeiro por si. Se conhece. Se organiza. Se centra.

E só depois contribui com o mundo.



A premissa básica da autonegação se conecta diretamente ao que escrevi nos capítulos anteriores, sobre os traumas de abandono e rejeição. Muitas pessoas vivem de uma forma em que negam a si mesmas a própria felicidade.

E quando falo em autonegação, não significa que essas pessoas estão se negando tudo. O que acontece é que elas estão negando justamente o essencial, aquilo que poderia levá-las de volta ao seu próprio centro.

A autonegação é, no fundo, um processo de renúncia dos nossos desejos mais profundos. Geralmente, esses desejos não são os mundanos, mas desejos espirituais e individuais. Porém, devido ao inconsciente coletivo, acabamos anulando esses desejos para nos encaixar em um grupo, em uma sociedade ou em determinado contexto. Fazemos isso para não nos sentirmos sozinhos ou invalidados.

Essa negação de si acontece em situações simples. Vou dar um exemplo: você está em um grupo — pode ser religioso, estudantil, político, um grupo sobre hobbies ou de qualquer outra natureza. Para se sentir aceito, você sente a necessidade de concordar com aquele grupo, de seguir o que todos seguem. E, nesse movimento, você evita trazer à tona aspectos mais profundos de si. Prefere falar apenas do que coincide com o que é aceito ali dentro.

Você acaba deixando de expressar desejos, opiniões ou ideias que poderiam soar “impróprias” ou “estranhas” para aquele grupo. E, para caber ali, você anula partes suas.

Talvez, enquanto lê isso, você esteja exatamente nessa situação: em um grupo com o qual não concorda 100%, mas ainda assim evita se posicionar. Você não quer desagradar, nem ser o “excluído”. Quer que os outros fiquem felizes com você, mesmo que isso custe a sua própria autenticidade.

Mas já parou para pensar que talvez todos ali também estejam anulando partes de si mesmos, apenas para se encaixar no mesmo molde? Para caber no mesmo rótulo ou estereótipo?

E, afinal, o que existe de errado em ser diferente?

Quantas vezes você já teve uma opinião ou ideia válida, mas se calou porque achou que o grupo não aceitaria? Quantas vezes percebeu que até poderia contribuir com algo novo, mas preferiu silenciar, com medo de parecer “disruptivo demais”?

Essa repetição de silêncios e renúncias vai, aos poucos, minando a nossa energia. E, quando percebemos, já estamos vivendo uma tristeza silenciosa, resultado direto de negar a nós mesmos quem realmente somos.

Você vai ficando triste. Às vezes até parece que está satisfeito, porque, de certa forma, está tudo bem: as pessoas te aceitam do jeito que elas acham que você é. Está todo mundo confortável, o grupo flui.

Até que um dia você decide mostrar uma parte da sua autenticidade. E é nesse momento que as pessoas começam a apontar o dedo para você. Dizem que você está errado em pensar ou agir daquela forma. Mas eu te digo: você não está errado quando mostra quem você é. O que acontece é que, naquele instante, você deixa de ser um produto do grupo. Rompe a máscara do encaixe e revela a sua essência.


Entre rótulos e ideologias, o desafio de sustentar a própria autenticidade

Uma vez, ouvi uma psicóloga dizer uma frase que nunca esquecerei: “Quanto mais você se torna autêntico, mais esquisito você parece para a sociedade.”

E isso é verdade. Porque a sociedade, de forma geral, está acostumada a se organizar em grupos. E grupos sempre exigem rótulos. Para se encaixar, é preciso vestir uma etiqueta, caber dentro de uma caixinha.

Veja alguns exemplos: existem os grupos de fãs de bandas, como os roqueiros. Os grupos de quem pratica esportes, como surfistas ou corredores. Os grupos religiosos, como católicos, evangélicos, espíritas. Os grupos de investidores, empresários, e até grupos de ativistas. E dentro de cada grupo há regras ditas e não ditas. Se uma pessoa católica, por exemplo, resolve compartilhar novos conhecimentos sobre outra religião dentro da comunidade dela, é provável ser julgada, até rejeitada. Porque aquela ideologia foi estabelecida para manter todos dentro de um mesmo padrão.

E aqui entra a questão das ideologias. Eu, particularmente, não concordo com elas. Porque, no fundo, ideologia nada mais é do que um sistema de ideias que nasceu dos interesses de um grupo de pessoas. Muitas vezes, ideias que foram criadas há séculos e transmitidas de geração em geração. Só que, quando você adere a uma ideologia, ela não é a sua ideia. Você “compra” o pacote pronto. Pode até dizer: “Quero isso para mim”. E não há problema algum nisso. O que eu questiono é: você parou para analisar se essa ideologia realmente faz sentido para você?

Se fizer sentido, ótimo. Mas também é preciso entender que aquilo que faz sentido para você pode não fazer sentido para o outro. Por isso, eu prefiro falar em ideias do que em ideologias. Porque ideias são soltas, podem girar em diferentes contextos, se adaptar, evoluir e progredir. Ideias são vivas.

Quando você se abre às ideias, pode analisá-las à luz da sua autenticidade e decidir o que realmente vale a pena. Diferente de se prender a um conjunto ideológico que muitas vezes foi moldado em épocas de regimes rígidos ou até autoritários.


Militância, pertencimento e o custo psicológico da violência ideológica

O que eu tenho visto, dentro desse contexto de mundo polarizado, é que as pessoas subverteram a ideia de moral, trazendo conceitos ideológicos que podem ter como base tanto a religião quanto outras formas de ideologia. O conceito de militância, que é a prática de defender uma causa de forma ativa, passou a ser distorcido, transformando-se em um ataque pessoal a todos à sua volta.

O que vemos hoje na internet, são pessoas que entram em grupos nos quais precisam se sentir pertencentes, onde acreditam que seus argumentos serão validados. Elas precisam pertencer a esses grupos para não se sentirem sozinhas. Nesse contexto, para pertencer, acabam comprando a ideologia sem analisar ou estudar de fato sobre ela. Seja política, religiosa ou qualquer outra. Ainda assim, militam ativamente na internet para defendê-la, porém com um discurso e uma oratória extremamente violentos.

Essas pessoas atacam outros grupos com o intuito de mostrar que têm um posicionamento moralmente correto. E dentro do próprio grupo ideológico, não se pode contestar nada nem ter pensamento crítico. Pois, se alguém se destacar ou apresentar uma opinião que fuja da linha predominante, mesmo estando em concordância geral com a ideologia, também será vítima e alvo de ataques de comunicação violenta.

Veja que, em nenhum momento, eu digo que você, que faz parte de algum grupo ideológico, não pode expressar o que acredita ou opinar nas suas redes sociais. Muito pelo contrário, esse é o seu direito. Porém, o que você não pode e não deve, é atacar outras pessoas com argumentos violentos, com a intencionalidade de ferir o sujeito. Dentro de uma discussão, a intenção sempre deveria ser atacar o argumento, não a pessoa.

Um livro que eu recomendo, e que está sendo amplamente falado, é Comunicação Não-Violenta, do autor Marshall B. Rosenberg. Essa obra apresenta uma abordagem voltada para expressar e ouvir os outros de forma empática, honesta e sem julgamentos, com foco nas necessidades e nos sentimentos. Sua premissa é fortalecer os relacionamentos e promover a resolução de conflitos.

Com tudo isso que exemplifiquei, ao falar sobre como a militância nas redes sociais tem se tornado destrutiva, até mesmo para as próprias pessoas que a praticam, quero destacar que não apenas os praticantes sofrem, mas também aqueles que fazem parte dos grupos correspondentes. Nesses ambientes, cria-se uma ideia viciosa de segregação e autonegação, na qual as pessoas sentem que precisam concordar com a ideologia para se sentirem apoiadas e não serem atacadas. Isso acontece porque, dentro desses grupos, estabelece-se um consenso do que é considerado moralidade.

E não me refiro aqui a um grupo específico, mas a diversos grupos. Hoje, vivemos em um país polarizado, e essas comunicações violentas estão acontecendo em diferentes contextos. Pessoas estão sendo psicologicamente prejudicadas — tanto os que praticam a comunicação violenta quanto os que são mais passivos, os que apenas recebem e escutam.

Ainda sobre essa à questão dos grupos: essa vontade de pertencer é perigosa. Porque, em nome do pertencimento, muitas vezes nos anulamos por completo. Deixamos de fazer o que realmente queremos. Perdemos o contato com o nosso eu e deixamos de explorar a nossa história, os nossos talentos, os nossos desejos. Tudo para caber em um molde que talvez nem tenha nada a ver conosco.

Por isso, este capítulo sobre parar de negar a si mesmo é um convite para deixar de entrar em caixas que não são suas. Para parar de fazer coisas que você não aguenta mais fazer.

E também para começar a refletir antes de assumir compromissos ou papéis: 

“Será que isso é para mim? Será que não vão me obrigar a viver algo que não quero?”


Relato pessoal: Manter-se fiel a si mesmo em um mundo que insiste em nos moldar

Talvez você não se identifique totalmente com o meu relato, porque eu não me vejo exatamente dentro do mesmo contexto da maioria. Sim, eu me neguei por muito tempo, mas, como contei em outros posts, eu sempre fui muito decidida. Desde a infância, eu sabia quem eu queria ser e o caminho que queria trilhar.

Mas uma coisa sempre me chamou atenção: as tentativas de controle. Desde criança, eram aquelas perguntas constantes: “Por que você é assim?”, “Por que você escolhe isso?”, “Por que não brinca como as outras crianças?”. Até aí, tudo bem. Mas, quando cresci, comecei a perceber como isso se tornava ainda mais intenso e perigoso.

No trabalho, por exemplo, na cidade onde nasci, havia um estilo de musical muito popular, que praticamente todo mundo ouvia. Não é um estilo que eu aprecio e me identifico, mas as pessoas achavam estranho eu não gostar. Isso se repetia nas festas, nos carnavais, em convites sociais — onde eu, mais introvertida, preferia ficar em casa estudando ou cuidando das minhas coisas. A insistência para que eu me encaixasse naquele círculo era cansativa.

E aqui é importante dizer: não era porque eu não gostava das pessoas, ou não queria estar com elas. Eu apenas tinha outros interesses. Só que, quando você não segue o padrão, passa automaticamente a ser vista como “a do contra”, “a esquisita”, “a diferente”. E eu aceitei esse rótulo, porque para mim era mais importante ser eu mesma do que me forçar a viver algo que não fazia sentido.

Mas ao longo da vida também enfrentei situações que me afetaram profundamente e me fizeram negar partes de mim. Também já fiz muito e até passei anos me calando para não desagradar.

Já contei no capítulo 2 sobre os impactos da pobreza. E esse ponto é crucial. A pobreza cria um estigma: você só pode fazer o que todos daquele mesmo grupo fazem. Há uma categorização invisível, que dita até onde você pode ou não pode ir.

Mesmo quando existem opções gratuitas, como visitar um museu ou participar de um evento cultural, muitas vezes esses ambientes são vistos como “não pertencentes” a quem vem da pobreza. É como se você não tivesse o direito de estar ali, porque foi “feito” para viver dentro de um padrão: trabalhar em sub empregos, repetir a vida dos seus pais e não prosperar.

Não acredito que as pessoas façam isso de forma consciente. Na verdade, vem da falta de autoconhecimento. E o autoconhecimento está intimamente ligado à inteligência emocional, que é uma competência a ser desenvolvida, não um talento nato. Quem não busca esse desenvolvimento dificilmente alcança.

Outra questão, que também é uma forma de tentativa de controle e que mencionei acima ao falar sobre militância — e que sei que não acontece apenas comigo, mas também com muitas outras pessoas que provavelmente estão lendo este texto — é que, nesse contexto de mundo polarizado em que vivemos, diversas pessoas tentaram me convencer a assumir determinado lado ou a votar em determinado partido político nos quais eu não acreditava. Veja bem, ser olitizado não é sobre ter um partido em que você acredita religiosamente (não se trata de religião ou um time de futebol). Trata-se, na verdade, de compreender, de forma estratégica, qual candidato tem mais aptidão para o cargo que está sendo disputado. Afinal, estamos falando de um cargo que exerce autoridade. Eu não voto por ideologia; meu voto é puramente estratégico, baseado na análise de quem está realmente apto para ocupar aquele cargo. Então, para que alguém me convença de alguma coisa, no mínimo, essa pessoa precisa me apresentar argumentos lógicos, e trazer informações sobre economia, curriculo do candidato, ou me mostrar algo que eu não tenha percebido. Trazer apenas a ideologia e percepções emocionais do candidato, sem fundamentos históricos e qualquer base factual, para mim não faz sentido nenhum.

Ainda assim, pessoas que não tinham esse embasamento tentaram me convencer com ataques pessoais, o que para mim foi algo extremamente violento. Eu me senti profundamente atacada, porque atualmente, quando as pessoas militam, não atacam os argumentos, mas a pessoa em si. Querem te vilanizar, querem te colocar no lugar de “desumano”. E, se você não tiver firmeza de caráter e os pés fincados no chão, pode desabar, pode até entrar em conflitos internos por conta disso.

Sempre entendi que nós, como seres humanos, temos a responsabilidade e o direito de decidir o que é melhor para a nossa vida em todos os aspectos, desde que sejamos éticos.

Dentro desse contexto, eu não conseguia compreender por que algumas pessoas que eu considerava meus amigos tentaram me convencer a fazer algo que eu não concordo, ultrapassando assim os meus limites, com sucessivas tentativas de controle e coersão. Eu não iria negar a mim mesma, nem negar todo o conhecimento que adquiri, apenas para satisfazer uma ideia egocêntrica e ideológica de outras pessoas.

O que quero que você entenda com esse relato é que você pode buscar conhecimento por si mesmo, pode entender o que acha que é interessante para você, sem se submeter ao que os outros julgam como moralmente correto. O importante é ter autoconhecimento e firmeza de caráter para saber que está fazendo o que é certo, sem precisar se encaixar na caixinha que os outros tentam impor.

Esses são relatos simples, mas importantes, que reforçam que não precisamos viver para nos moldar às expectativas alheias. Sempre que tentamos nos encaixar, inevitavelmente, estamos negando alguma parte de nós mesmos.


As raízes da autonegação

Já que sabemos que a autonegação nasce da necessidade de agradar o outro, de se encaixar e de ser aceito, muitas vezes em detrimento dos próprios desejos e necessidades, vamos agora entender um pouco mais sobre suas causas.

Baixa autoestima

A pessoa pode não se sentir digna, acreditar que não tem valor e, por isso, acaba sempre se colocando em posição de valorizar os outros e fazer o que eles querem. Nesse processo, vai negando os próprios desejos e vontades.

Crenças negativas

Por exemplo, quando alguém é ensinado à servidão. A pessoa foi educada para servir, para ser a salvadora, para sempre ajudar os outros e se colocar em segundo plano. Esse tipo de crença pode levá-la a se negar constantemente.

Busca por validação

A necessidade constante de aprovação geralmente nasce de traumas de abandono ou rejeição. A pessoa busca se validar por meio dos outros e, em consequência, acaba se negando para atender expectativas externas.

Contextos religiosos e ideológicos

Como já mencionei acima, muitas vezes as pessoas compram ideologias de servidão e aceitação do que é dito por um grupo, sem poder contestar. Assim, ficam presas dentro desse contexto, vivendo em autonegação.

Além desses pontos, existem diversos outros motivos que levam as pessoas a se colocarem nesse lugar de autonegação.


Então, como sair da autonegação?

Diante de tudo isso, surge a pergunta: como podemos sair da autonegação? O que podemos fazer para parar de negar a nós mesmos aquilo que nos é merecido?

  1. Desenvolver autoconsciência
    Precisamos entender quem somos e nos aceitar com nossas falhas e imperfeições. É necessário parar de acreditar que somos vítimas o tempo inteiro, pois todos nós temos sombras e limitações, como qualquer outro ser humano. Aceitar essas falhas é o primeiro passo para trabalhar em nós mesmos e caminhar em direção a ser a pessoa que admiramos, como já mencionei antes, a pessoa que realmente queremos ser.

  2. Reconhecer os sentimentos
    Observar e compreender os próprios sentimentos. Sempre que surgir a necessidade de agradar alguém ou buscar validação, é importante identificar quais emoções estão por trás dessas atitudes.

  3. Colocar-se em primeiro lugar
    Essa talvez seja uma das tarefas mais difíceis: deixar de viver apenas para o outro e escolher fazer por você. Isso tira um peso enorme das nossas costas. Claro, há exceções — como cuidar de uma criança, de um parente ou de alguém em situação de vulnerabilidade (mas essa realidade não precisa ser permanente). Mas, fora isso, lembre-se: as outras pessoas não são sua responsabilidade. Empatia é fundamental, mas até ela tem limites. Exagerar na empatia pode causar transtornos e não significa que você seja menos humano ou solidário por priorizar a si mesmo.

  4. Buscar ajuda profissional
    A terapia,seja psicanálise ou TCC, pode ajudar a compreender comportamentos, mudar padrões, lidar com traumas e gatilhos, além de desconstruir crenças de autonegação e de necessidade de validação. Esse é um passo essencial para viver de forma mais saudável.

  5. Sair de grupos que anulam sua identidade
    Esse é, provavelmente, um dos pontos mais difíceis, mas também dos mais libertadores. Muitos grupos arrastam as pessoas para baixo sem que elas percebam, moldando-as lentamente para se encaixar em padrões impostos. Com o passar do tempo, é comum que alguém deixe de se reconhecer, vivendo de maneira despersonalizada, como reflexo daquilo que o grupo esperava. É preciso observar se os grupos que você frequenta realmente fazem sentido para a sua vida e se contribuem para o seu crescimento pessoal.

Nesse post, trouxe bastante informações, não apenas os porquês da autonegação, mas procurei esmiuçar em detalhes, fazendo referência ao que vem acontecendo na atualidade. Minha intenção é levantar questionamentos que talvez estejam acontecendo com você neste exato momento.

Pode ser que, ao ler, você perceba que nada disso faz sentido para a sua vida — e está tudo bem. A proposta do post não é apontar o que é certo ou errado, mas sim provocar reflexão.

Nos próximos textos, vou continuar explorando o tema da autenticidade, e espero que você siga me acompanhando nessa jornada.

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Oi, sou Nick!


Oi, sou Nick!

Sou escritora, formada em Licenciatura em Letras e tenho me aprofundado em Sociologia e Filosofia. Atualmente, atuo na área de Marketing, explorando estratégias, comunicação e comportamento humano. Minha trajetória é guiada pela busca constante por conhecimento, reflexão crítica e conexão entre ideias, pessoas e contextos sociais.


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