O que decidir antes de escrever um livro?

by - maio 25, 2021

Você pode ter uma história inteira na cabeça. Personagens vivos, cenas prontas, diálogos acontecendo o tempo todo na sua mente. Mas existe uma diferença entre imaginar uma história e conseguir sustentá-la até o fim. E é exatamente nesse ponto que o planejamento do seu livro deixa de ser um detalhe e se torna estrutura.

Escrever um livro sem planejamento é como tentar construir uma casa sem alicerces. Pode funcionar por algum tempo, mas em algum momento a narrativa começa a perder força, direção e coerência.

Se você quer aprofundar mais na organização da sua história, eu já falei sobre isso em outros textos no meu Substack Café com Escritores. Inclusive, disponibilizei um planner gratuito aqui no blog para ajudar nesse processo de estruturação. Mas hoje eu quero trazer um direcionamento mais objetivo: os principais pontos que você precisa definir antes de começar a escrever de fato.

Porque, muitas vezes, decidir é mais importante do que começar.


Tema: o que sua história realmente quer dizer?

Toda história gira em torno de uma ideia central. Não se trata apenas do que acontece, mas do que aquilo significa.

Uma história sobre traição pode, na verdade, falar sobre abandono. Uma fantasia pode falar sobre identidade. Um romance pode falar sobre medo de intimidade.

Antes de começar, pergunte a si mesmo:
“O que essa história está tentando dizer?”

Quando você entende o núcleo temático da narrativa, tudo começa a fazer mais sentido, personagens, conflitos, diálogos e até o final da história.


Público-alvo: para quem você está escrevendo?

Isso influencia absolutamente tudo: linguagem, ritmo, profundidade emocional e construção narrativa.

Você não escreve apenas para si mesmo. Existe um leitor do outro lado. E quanto mais clareza você tiver sobre quem é esse leitor, mais conscientes serão suas escolhas.

Um romance juvenil exige uma condução diferente de um romance adulto. A forma como os conflitos são trabalhados muda. A forma como o narrador se posiciona também.

Definir isso cedo ajuda a encontrar a voz da sua narrativa.


Gênero literário:o que o leitor espera da sua história?

Todo gênero cria expectativas.

  • Mistério exige tensão e pistas.
  • Romance exige desenvolvimento emocional.
  • Fantasia exige coerência de mundo.
  • Ficção científica exige regras bem estabelecidas.

Conhecer o gênero não limita sua criatividade. Pelo contrário: te dá consciência sobre o que pode ser quebrado, reinventado ou aprofundado.

Por isso, leia autores do gênero que você quer escrever. Observe estrutura, ritmo, construção de conflito e linguagem. Escrita também é repertório.


Cenário: o espaço também conta a história

O cenário não existe apenas para ambientar. Ele interfere na narrativa o tempo inteiro.

Uma cidade pequena cria tensões diferentes de uma metrópole. Um ambiente claustrofóbico muda a forma como os personagens se relacionam. Uma época específica altera comportamentos, linguagem e conflitos.

E aqui entra algo essencial: pesquisa.

Se sua história se passa em um lugar ou período real, você precisa compreender aquele contexto. Como as pessoas viviam? O que era considerado normal naquela época? Como elas falavam, se vestiam, se relacionavam?

E se o mundo for fictício, a responsabilidade continua sendo sua. O leitor precisa acreditar na lógica daquele universo.


Tempo: quando sua história acontece?

Definir a época da narrativa muda completamente a estrutura da história.

Uma história ambientada em 1850 funciona de maneira muito diferente de uma história contemporânea. Os conflitos sociais são outros. As possibilidades narrativas também.

Se você escolhe escrever algo histórico, a pesquisa deixa de ser opcional. A coerência temporal sustenta a imersão do leitor.

Mas, ao mesmo tempo, isso torna a escrita ainda mais interessante. Porque escrever sobre uma época também é escrever sobre a forma como as pessoas viviam, sentiam e enxergavam o mundo naquele momento.


Narrador: A voz que sustenta a narrativa

Talvez uma das decisões mais importantes da história.

O narrador define a forma como o leitor acessa as informações. Define proximidade, interpretação e até o impacto emocional da narrativa.

  • Narrador-personagem: conta a história em primeira pessoa. O leitor vê apenas aquilo que ele vê.

  • Narrador-observador: narra em terceira pessoa e mantém distância dos personagens. É mais sutil, mais técnico e exige maior participação do leitor.
  • Narrador-onisciente: Conhece tudo, pensamentos, sentimentos, passado e futuro dos personagens.

Cada escolha cria uma experiência diferente.

E é justamente por isso que o narrador não deve ser escolhido apenas por preferência, mas pela necessidade da história.


Personagens: quem sustenta essa narrativa?

Os personagens não existem apenas para movimentar a trama. Eles são o centro emocional dela.

Antes de começar, entenda:
O que eles querem?
O que eles temem?
O que os move?
O que os destrói?

Personagens sem conflito interno dificilmente sustentam uma narrativa profunda.

Você não precisa saber absolutamente tudo sobre eles no começo. Mas precisa entender suas feridas, desejos e contradições.

O resto a história revela ao longo da escrita.


Escopo: o tamanho da história que você quer contar

Você está escrevendo um livro único? Uma série? Uma trilogia?

A extensão da história influencia ritmo, desenvolvimento e estrutura. Narrativas longas permitem aprofundamentos maiores. Narrativas curtas exigem mais precisão.

Essa definição ajuda até na organização dos conflitos e personagens. Porque algumas histórias pedem expansão. Outras funcionam justamente pela contenção.

Antes de escrever, você precisa pensar. Planejamento não é prisão criativa. É direção.

Quando você define esses pontos antes de começar, sua escrita ganha clareza, consistência e intenção.

Porque escrever um livro não é apenas esperar inspiração. É construir, decisão após decisão, uma narrativa que consiga se sustentar.

Então, antes de abrir o Word e começar o capítulo um, sente e pense.

Responda essas perguntas.
Organize sua base.
Entenda sua história.

E, quando começar a escrever, você terá muito mais firmeza para continuar.

P.S.: Se você está realmente sério sobre sua escrita

Criamos algo especial para quem quer sair da intenção e chegar na execução. O Coffee Break Planner é um Notion pronto para usar, onde você organiza sua história inteira, desde a ficha do mundo até o desenvolvimento cena a cena. Planejador de metas em Kanban, calendário de escrita, brainstorm estruturado. Tudo que você precisa para transformar aquela ideia guardada na sua cabeça em um manuscrito. A diferença entre quem termina e quem abandona não é talento. É estrutura.

Com apenas um clique, você tem acesso a um espaço onde sua criatividade ganha forma. Onde disciplina não mata a inspiração.

Seus personagens merecem ser vividos. Sua história merece ser escrita.

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14 passos para você começar a escrever o seu livro agora!
Elementos dramáticos que podem ser aplicados no enredo
Elementos para construir um enredo empolgante
Revise o que já sabe sobre o enredo da sua história
Dicas para desenvolver o clímax da sua história
As 3 etapas da jornada do herói
Como expandir o universo da fantasia
Como construir o plot principal da história 
Construção do plot e algumas dicas para engajar o leitor
Adjetivos para descrever cenários na sua história
E como diferenciar a voz do narrador onisciente.
Como construir personagens
Como usar arquétipos para criar e desenvolver personagens
Como criar os seus personagens
Como construir o plot principal da história
Construção do plot e algumas dicas para engajar o leitor
Organizando o clímax da história
Como aumentar o conflito da sua história
O Plot principal da história e o Método de Cinco Pontos
Os 12 estágios da Jornada do Herói
Desenvolvendo Plot Twists na narrativa







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