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No post de hoje, quero conectar algumas ideias que já abordei: no capítulo 9, sobre a necessidade de ser socialmente aceito, e no capítulo 10, sobre como o ambiente pode te influenciar profundamente. O tema desta vez é: não permitir que os seus paradigmas e os paradigmas das outras pessoas limitem quem você é. Ou seja, não ter medo de romper crenças antigas e também se proteger das crenças que tentam impor a você.

Mas o que são paradigmas?

São modelos mentais, padrões e estruturas de crenças que moldam a forma como cada indivíduo enxerga o mundo. É como se cada pessoa utilizasse um “par de óculos” específico para interpretar a realidade. Esse conjunto inclui conceitos, opiniões, suposições, teorias e até as coisas que achamos óbvias. Algumas delas se baseiam em fatos; outras, apenas em vivências pessoais ou crenças populares. E é fundamental entender que o paradigma de alguém não necessariamente funciona para todos.

O propósito deste capítulo é reconhecer que você desenvolveu a sua autenticidade. A partir disso, chegamos à etapa em que você precisa aprender a não aceitar paradigmas que não se alinham ao que você acredita e, ao mesmo tempo, trabalhar para superar os seus próprios paradigmas negativos.

Pense assim: se você já organizou seus pensamentos, desenvolveu novos hábitos, criou uma rotina mais saudável e sente que está vivendo de acordo com quem realmente deseja ser, então o próximo passo é manter-se firme nessa essência.

Como fazer isso?

Primeiro: quebrando velhos paradigmas que podem tentar retornar, como o medo de rejeição ou abandono, que são crenças internas muito fortes e, por isso, insistem em reaparecer.

Segundo: não permitindo que outras pessoas depositem em você sistemas de crenças que não fazem sentido para a sua vida.

E é aqui que a relação com os ambientes se fortalece. Ambientes são necessariamente os grupos de pessoas que você se relaciona e os grupos carregam suas próprias formas de pensar, interpretar e reagir ao mundo. De maneira totalmente inconsciente, as pessoas acabam transmitindo seus paradigmas para quem convive com elas.

Por exemplo: indivíduos que enxergam tudo de forma negativa podem repetir frases como:

“Tudo é difícil.”

“Nada vem fácil.”

“Sorte não existe, só azar.”

Se você está constantemente cercado por esse tipo de mentalidade, a pressão para aceitar essas “verdades” aumenta. A influência do grupo é poderosa. É um efeito de massa: quanto mais pessoas acreditando na mesma coisa, mais você se sente tentado a concordar. É como se o “óculos dos paradigmas” ficasse maior e tentasse cobrir também a sua visão.

Por isso, manter uma mente forte e consciente é essencial. Quando você se afasta de ambientes que não refletem quem você quer ser, torna-se muito mais fácil perceber o que é coerente com a sua essência e o que está tentando te distorcer.

A grande chave é essa: proteger sua autenticidade de antigos padrões internos e de crenças externas que não pertencem a você.

Como mencionei no capítulo anterior, às vezes as crenças de um ambiente são, de fato, válidas e até positivas, porém, se não condizem com a realidade que você deseja construir, elas não são boas para você. Não atendem ao seu propósito, às suas ambições ou ao futuro que você visualiza. Ou seja: você pode estar em um ambiente considerado “bom”, mas, se ele não funciona na direção da vida que você almeja, ainda assim ele não é adequado para o seu crescimento.

Além disso, muitos paradigmas de outras pessoas se baseiam em fatos. Por exemplo: quando você conta para alguém que começará a praticar algum esporte, e há quem diga: “Cuidado, você pode se acidentar.” E é verdade, existe o risco. Porém, você deixaria de praticar um esporte que ama ou de perseguir um sonho, como se tornar atleta, piloto ou qualquer profissão minimamente perigosa, apenas porque há possibilidade de algo dar errado? Muitas vezes, quem está ao seu redor acredita genuinamente que é difícil chegar lá, que há riscos demais, que “quase ninguém consegue”. Essas pessoas não dizem isso com má intenção, mas se você sabe o que quer e está ciente dos riscos, não tem como evoluir sem, inevitavelmente, quebrar esse paradigma.


Autenticidade é pagar o preço de viver a sua verdade

Eu acredito que muitas pessoas já passaram pela sensação de viver dentro de uma realidade e, ainda assim, contestá-la por não se sentir pertencente. Isso é totalmente normal. É natural desejar outras realidades, outros futuros. E, como eu disse, esse processo dificilmente será simples, sempre haverá resistência quando você tenta transitar de um ambiente para outro. Mas a existência, no fundo, é sobre isso: quebrar paradigmas.

Quebrar paradigmas exige autorresponsabilidade, autoestima, autoconhecimento, automerecimento e foco. É olhar para si e dizer: “Eu entendo os riscos e estou disposto a arcar com as consequências.”

Quando você escolhe algo para sua vida, muitas pessoas vão reagir tomando a si mesmas como referência. Você vai ouvir: “Eu não faria isso.” Mas é importante lembrar: isso diz mais sobre elas do que sobre você. Nem sempre é inveja, às vezes, é apenas medo, falta de coragem ou o fato de que aquela escolha simplesmente não corresponde ao que elas querem para si.

É justamente nesses momentos que você precisa sustentar sua decisão, saber o que quer, onde está pisando e estar disposto a segurar a barra das próprias escolhas. Isso inclui, muitas vezes, dizer “não” às pessoas e aos paradigmas delas. Dizer: “Isso funciona para mim. É isso que eu quero.”

Sim, você pode perder amizades durante esse processo. Algumas pessoas não vão gostar do fato de você transitar de uma realidade para outra, porque ao fazer isso, você quebra um pacto invisível firmado com o grupo. E, muitas vezes, esses pactos ferem nossa autenticidade. O problema é que, se você permanece preso a eles, deixa de viver a vida que nasceu para viver.

Mas eu afirmo, com propriedade: quem realmente gosta de você vai continuar ao seu lado. Talvez essa pessoa não concorde com sua decisão, talvez questione, mas vai apoiar, porque enxerga o seu compromisso consigo mesmo. Claro, estou falando de escolhas corretas, aquelas que engrandecem seu repertório, fortalecem sua mente, expandem sua vida. E, curiosamente, é justamente nesses cenários que encontramos as maiores barreiras.

Pense: quando alguém decide fazer algo ruim, sempre existe quem incentive. É fácil encontrar companhia para caminhos que nos diminuem. Mas quando decidimos fazer algo bom, algo que exige coragem, crescimento, mudança, é raro encontrar apoio. As pessoas vão procurar todos os motivos para te dissuadir. Não porque querem te destruir, mas porque querem que você entenda a realidade delas, que você continue no paradigma que elas conhecem.

  • Se você quiser empreender, vão dizer que é impossível, porque no Brasil é difícil.
  • Se quiser fazer concurso, dirão que não vale a pena, porque tem poucas vagas e muitos candidatos.
  • Se quiser largar a faculdade para buscar um caminho mais alinhado com o que ama, vão dizer que você “já começou, então deve terminar”.
  • Se quiser trabalhar em algo que paga menos, mas te traz paz de espírito, vão questionar, porque para elas, prosperidade significa outra coisa.

Mas é essa a questão: autenticidade não é prosperar na mesma régua.

Para algumas pessoas, prosperidade é paz. Para outras, é velocidade, conquista, ambição material. E os dois caminhos são válidos. O que importa é: qual deles é correto para você?

Existem muitas formas de viver uma vida correta, mas cabe a você descobrir qual é a sua.

Para finalizar, eu quero reforçar: as pessoas nem sempre colocam crenças e paradigmas sobre nós por maldade. Muitas vezes, elas fazem isso porque, de forma inconsciente, querem manter a harmonia, querem validar que a realidade delas é a correta. Elas não compreendem que é possível viver bem sendo diferente da maioria.

Se cada um entendesse que é normal sermos diferentes, termos nossos próprios pensamentos críticos, nossos próprios destinos, então talvez viveríamos mais livres, e menos performáticos diante das expectativas de uma sociedade que tenta padronizar o que deve ser uma vida feliz.

 

Este texto talvez seja um dos mais importantes desta série de conteúdos. De tudo que aprendi e compreendi sobre autenticidade, nada é mais crucial do que a escolha adequada dos ambientes.

Entenda: os ambientes não apenas moldam quem você é no dia a dia, mas também têm o poder de potencializar ou corroer suas qualidades. Você pode se tornar uma pessoa ainda melhor, ou, ao contrário, ser influenciado negativamente. O ambiente exerce uma força gigantesca sobre cada indivíduo, pois representa o coletivo.

Sabe quando seus pais dizme que algumas pessoas são “más influências”? Muitas vezes, eles podem estar certos. Pela experiência, eles já viveram o suficiente para saber que há pessoas que não conseguem conduzir e orquestrar um ambiente de forma saudável e isso afeta diretamente quem está inserido ali. Essa, aliás, é a verdadeira força de um ambiente: ele molda comportamentos.

O ditado “quem anda com porcos, farelos come” exemplifica de forma absoluta a dinâmica social: o meio influencia quem você se torna. Se você está cercado por pessoas que valorizam estudo, ética, ações construtivas e princípios, naturalmente sentirá essa pressão positiva e se alinhará a ela. Por outro lado, se o ambiente é dominado por práticas negativas, discursos destrutivos ou até comportamentos criminosos, você também pode ser levado a adotar tais condutas.

Não adianta afirmarmos que não somos influenciáveis. Se convivemos com maus hábitos, cedo ou tarde, seremos tentados a reproduzi-los. Às vezes, fazemos isso até como uma estratégia de sobrevivência, para não nos sentirmos inadequados. Entender que nós como seres humanos, possuimos essa sombra, é extremamente útil para nos tornarmos mais maduros.

Sabe quando dizem que uma pessoa é mudou porque passa a agir de forma diferente? Isso geralmente ocorre porque ela foi inserida em um ambiente que pressionava sua adaptação. E, nesse processo, outros podem interpretar mudanças como “influência”. Todos nós somos, de certo modo, influenciáveis, dependendo do ambiente em que estamos. Por isso, a escolha do espaço em que vivemos é tão decisiva.

Ambientes negativos constroem narrativas, dinâmicas e até ataques sutis à nossa autenticidade: opiniões passivo-agressivas, piadas com afinetadas, olhares de julgamento… tudo para que você se encaixe. E, diante dessa pressão, a verdade é que só existem duas saídas: ou você se alinha ao grupo, ou você vai embora.

É exatamente por isso que é muito mais saudável se afastar de pessoas com hábitos que não condizem com a vida que você deseja construir, pessoas indisciplinadas, grupos que normalizam comportamentos autodestrutivos, ambientes onde irresponsabilidade e apologia a atitudes nocivas são tratadas como norma.

Nós somos, sim, uma média das pessoas com quem convivemos. E a frequência do ambiente, seja ela elevada ou baixa, inevitavelmente nos impacta.

Gosto muito de algo que a filósofa Lúcia Helena Galvão sempre diz: “é importante depurar o gosto.”

Quando frequentamos ambientes que nos puxam para baixo, que provocam queda de hábitos, perda de energia, ausência de ética e responsabilidade, seremos influenciados, mesmo que não participemos ativamente. Estando ali, estamos absorvendo.

Da mesma forma, é impossível não ser transformado quando entramos em espaços de alta vibração: ambientes com bons hábitos, cultura do respeito, estética harmoniosa, músicas suaves, convivência ética.

Nós nos refinamos quando o ambiente nos eleva.

Por isso, depurar o gosto é essencial para a qualidade de vida.

E quando falo de “gosto”, não me refiro apenas ao gosto estético superficial, mas à escolha consciente por tudo aquilo que é harmônico, íntegro, autêntico, alinhado com nossos valores. Porque o gosto é, também, uma expressão ética.

Para resistir à força do ambiente, é necessário ter uma mente autêntica e bem estruturada. A pressão é comparável a uma força gravitacional: opressora e constante. E não se trata de uma manipulação deliberada; muitas vezes, a força do ambiente decorre de padrões socialmente aceitos por cada grupo.

Cada comunidade possui suas ideologias e normas implícitas. Se você não se enquadra nesses padrões, a pressão se torna intensa, seja para seguir um caminho virtuoso ou para ceder a práticas negativas.

Vamos destrinchar mais profundamente essa relação entre ambiente, autenticidade e escolhas individuais.


A autenticidade não resiste onde o ambiente a sufoca

Praticamente tudo o que escrevi nos posts anteriores foi para chegar a este ponto: a importância de reconhecer o quanto é difícil preservar a própria autenticidade em ambientes que divergem do que você realmente deseja.

Muitas vezes, o ser humano nasce em um contexto que, ao longo do crescimento, percebe que não representa quem ele é. Como mencionei no post sobre os impactos da pobreza, às vezes crescemos em ambientes barulhentos, onde comportamentos e crenças prejudiciais são normalizados. Em outros textos, falei sobre traumas de abandono e rejeição, sobre o quanto desenvolvemos, desde a infância, um sistema de crenças que precisamos desconstruir para nos tornarmos autênticos. Para isso, é necessário confrontar pensamentos e padrões que não funcionam para nós.

O ambiente exerce uma força imensa nesse processo. Se você está cercado por pessoas que validam pensamentos de abandono ou reforçam padrões limitantes, é extremamente difícil quebrar essas barreiras. No post sobre não aceitar a mediocridade, discuti como certos grupos socializam a ideia de que devemos nos contentar com pouco, que escolher demais é inútil. Mas, se você acredita que merece mais, está divergindo da norma desse grupo, e a pressão para que você se alinhe será constante. Eles sempre terão argumentos para desacreditar suas escolhas, questionar seus padrões e tentar rebaixar suas expectativas.

Essa força do ambiente é evidente quando você muda de contexto. Ao sair de um espaço que não fazia sentido para você, pode perceber mudanças internas: ao rever pessoas antigas, muitas vezes ouve comentários como “Você mudou, nem lembra mais como era antes”. E é verdade: você mudou porque não ressoa mais com aquele ambiente.

O impacto de um ambiente negativo é enorme. Se você permanece em um contexto que puxa você para baixo, será constantemente influenciado por crenças limitantes alheias: ouvir todos os dias que algo ruim vai acontecer, que você não merece, que deveria se contentar com pouco, acaba criando hábitos mentais que reforçam essa narrativa. A consequência é a normalização da mediocridade e a internalização da sensação de que o esforço pode não levar a lugar algum — e isso não é falha sua, é um efeito direto do ambiente.

O ambiente, portanto, molda não apenas nossas escolhas, mas também nossa autoestima e nossa capacidade de ser autêntico. Escolher bem o espaço em que você vive é, muitas vezes, tão importante quanto qualquer outro esforço de desenvolvimento pessoal.


Relato pessoal: Permanecer fiel a mim mesma, apesar da força do coletivo

Sempre tive ambições diferentes e busquei mudanças. Desde cedo, dentro da minha família, eu gostava de experimentar coisas novas, de alterar o ambiente, de conhecer novas experiências. O cotidiano, para mim, nunca parecia suficiente. Eu sempre fui curiosa e inquieta.

No entanto, as pessoas ao meu redor diziam coisas como “você nunca está satisfeita” ou “deveria se contentar”. Meu ambiente familiar exercia muita pressão, e em determinado momento comecei a acreditar que talvez fosse melhor me conformar, diminuir minhas ambições e não sonhar tanto, já que tudo parecia difícil e escasso.

Apesar disso, eu possuía uma força interna: sempre fui automotivada e, mesmo sentindo a pressão do ambiente, resistia, inicialmente de forma inconsciente, depois de forma cada vez mais consciente. Eu me mantive firme em relação aos meus sonhos, mesmo diante da pressão para me adequar e diminuir minhas expectativas.

Esse processo mostra que, mesmo uma pessoa automotivada, é difícil manter a autenticidade e o compromisso consigo mesma. O ambiente tem um peso enorme: ele aprisiona, traz crenças complexas e enraizadas que nos limitam. E muitas vezes, não é culpa das pessoas, mas sim da própria natureza do ambiente, que exerce resistência e dificulta que você siga o que realmente deseja.


Como podemos passar de um ambiente que não nos faz bem para outro que esteja alinhado com o que desejamos?

Primeiro, é importante entender que existem ambientes bons. Você pode, inclusive, estar em um ambiente que é considerado bom para muitas pessoas, mas que, para você, não faz sentido. Por exemplo, você pode estar em um bom ambiente de estudo ou trabalho, mas decidir que quer uma vida mais pacata: morar no interior, plantar, cuidar de animais, ter uma rotina mais tranquila. Mesmo sendo um ambiente positivo, ele não está alinhado com os seus objetivos ou estilo de vida.

Quando decidimos ir em direção a um novo ambiente, mesmo que esse novo lugar seja igualmente bom, surge resistência. As pessoas que permanecem no ambiente antigo tendem a não aceitar bem essa transição. Em grupos, o coletivo busca harmonia. Essa harmonia, muitas vezes inconsciente, se baseia na manutenção de padrões semelhantes de comportamento e pensamento. Mudanças individuais quebram essa uniformidade, e o grupo reage, ainda que de forma sutil ou inconsciente.

Essa resistência ocorre tanto em ambientes considerados bons quanto em ambientes ruins. No entanto, nos ambientes ruins, a resistência é ainda maior. Se alguém deseja sair de um ambiente de menor qualidade para buscar algo melhor, o grupo fará de tudo para mantê-la ali. Existem duas razões principais para isso:

  1. O grupo percebe que, ao querer sair, a pessoa evidencia a mediocridade do coletivo. Para proteger sua autoimagem, o grupo tenta invalidar a decisão de mudança.
  2. O grupo busca manter a unidade e a harmonia interna. Há um conjunto de crenças, muitas vezes inconscientes, que obriga todos a permanecerem alinhados, evitando divergências.

Portanto, a harmonia que mencionei não é sobre convivência amigável ou cordialidade; é sobre manter todos em uma linha de pensamento similar. Quando alguém tenta se tornar mais autêntico ou seguir um caminho diferente, essa harmonia se vê ameaçada, e a resistência surge, consciente ou inconsciente.

Quem você se torna é uma consequência dos grupos que escolhe frequentar

Quando falo de ambientes, não me refiro exatamente a um local físico. Ambientes, nesse contexto, são grupos de pessoas. E esses grupos moldam quem você é. Se você possui autenticidade, consegue transitar entre diferentes grupos e até se afastar quando necessário. Mas se a sua autenticidade ainda não está bem desenvolvida, será difícil resistir às ideias e hábitos do grupo, mesmo que você discorde ou conteste algumas coisas.

É por isso que, muitas vezes, vemos pessoas adiquirindo maus hábitos ao conviver com más companhias. Nem sempre a pessoa tinha esses comportamentos antes; o ambiente e o grupo exercem uma força enorme sobre quem somos. E essa força se manifesta principalmente nos hábitos.

E o que são esses hábitos?

São ações repetidas constantemente, e são essas ações que moldam o caráter. Você pode ter toda a sabedoria e conhecimento de valores que aprendeu em casa, mas ao entrar em um grupo cujos membros não compartilham desses valores, a influência é inevitável. Maus hábitos se espalham: indisciplina, preguiça, críticas constantes, julgamentos, tudo isso impacta diretamente seu caráter. É a metáfora da maçã podre.

O caráter é medido pelas atitudes, não apenas pelos pensamentos. Uma pessoa pode saber o que é certo, ter opiniões éticas e corretas, mas, se adota hábitos errados, seu caráter é comprometido. Portanto, o maior poder do ambiente é moldar nossos hábitos.

Por outro lado, ambientes positivos também têm esse efeito. Estar em grupos que buscam crescimento, praticam o bem, tratam as pessoas com respeito e alegria faz com que você também se torne assim. O ditado “você é a média das cinco pessoas com quem anda” é real: o ambiente molda quem você é.

A grande lição é clara: mudar de vida, preservar ou fortalecer a autenticidade e buscar crescimento pessoal passa, essencialmente, por escolher bem os ambientes em que você se insere.

Além dos ambientes relacionados aos grupos com os quais você convive, existe também o aspecto dos ambientes físicos — especialmente o lugar onde você mora. Esse fator impacta fortemente sua autenticidade, sua autoestima e suas emoções.

No livro A Mágica da Arrumação, de Marie Kondo, ela afirma que apenas o ato de arrumar a casa já transforma a vida, organiza a mente e regula as emoções. Ela inclusive desenvolve um método para isso. Nesse sentido, o ambiente em que você vive, geralmente o seu lar, influencia diretamente sua mentalidade e seu estado emocional, podendo gerar boas sensações, melhorar o humor e proporcionar mais qualidade de vida. Ambientes desordenados amplificam a desordem da mente; ambientes organizados clareiam pensamentos e elevam a autoestima.

Quando você decide reformar, reorganizar ou decorar seu espaço físico com uma estética harmônica e alinhada ao que você realmente gosta, esse ambiente passa a refletir sua autenticidade. Visualmente, ele representa aquilo que você almeja. Todos os dias, essa estética irá dialogar com você, proporcionando alegria, bem-estar e um sentimento de pertencimento. Sua casa passa a ser um reflexo de quem você é, e ao perceber isso, você experimenta paz, identidade e estabilidade emocional.

Da mesma forma, ambientes limpos e bem cuidados afetam de maneira muito significativa o seu estado interno. Embora o ser humano consiga sobreviver em ambientes sujos ou desorganizados, isso não significa que continuará bem emocionalmente. Cuidar da limpeza, da ordem e da estética do lugar onde você mora cria um impacto direto na maneira como você pensa e sente.

Portanto, o ambiente, tanto físico quanto socia, exerce uma força enorme sobre sua vida. Se você não está em lugares ou convivendo com pessoas que façam sentido para sua história, isso inevitavelmente gerará confusão interna, dúvida de identidade e baixa autoestima. Primeiro, você pode se sentir rejeitado, por não corresponder às expectativas daquele ambiente. Segundo, você pode acabar rejeitando os outros, porque simplesmente aquilo não ressoa mais com quem você é.

Por isso, é essencial buscar ambientes que se conectem com aquilo que você almeja. E, infelizmente, isso pode exigir deixar certas relações para trás, ou ao menos, se afastar. Nem sempre é necessário cortar vínculos; às vezes, o afastamento basta para reduzir conflitos e criar espaço para que, futuramente, os caminhos possam se alinhar novamente.

Cada pessoa vive um momento diferente da vida. Às vezes, você e alguém que ama não estão no mesmo estágio, mas se não houver um afastamento temporário, o desgaste e o conflito podem ser ainda maiores. O afastamento pode ser, muitas vezes, a solução mais saudável.

E, por fim: não tenha medo de ficar sozinho. Às vezes, estar só é justamente o que abre o espaço necessário para que o ambiente da sua vida seja reconstruído de forma coerente com aquilo que você realmente é.

Esse foi o post de hoje. Espero que este conteúdo provoque reflexão sobre o quanto os ambientes têm influenciado sua vida, seus desejos e a forma como você se percebe. Que você observe, com mais consciência, se o lugar onde está, física ou socialmente, está fortalecendo quem você é ou diluindo sua identidade.

Não permita que ambientes o influenciem a ponto de você se perder de si mesmo.

Se este conteúdo fez sentido para você, inscreva-se para receber os próximos textos e continuar acompanhando esta série sobre autenticidade.

 

No post anterior, abordei sobre a importância de adicionarmos limites às pessoas para que possamos manter amizades saudáveis. O tema de hoje também se conecta com esse assunto, mas sob outra perspectiva: o âmbito social e os ambientes em que estamos inseridos.

Mais adiante, em capítulos futuros, discutirei sobre o quanto o ambiente influencia diretamente a sua vida, sua mentalidade e sua autoestima. Porém, neste texto, quero me concentrar em algo específico: as convenções sociais e o quanto elas roubam a nossa autenticidade.

Quando somos crianças, somos naturalmente livres. Temos gostos próprios, diferenças, curiosidades, e tudo isso é genuinamente aceito por nós mesmos. Mas ao longo do caminho, enquanto crescemos e começamos a adquirir crenças e hábitos vindos da convivência social, passamos a nos ajustar para caber no grupo, para sermos aceitos, para coexistirmos em harmonia.

E sim, viver em harmonia é importante, sobretudo enquanto aprendemos a existir no mundo, como crianças e adolescentes. No entanto, quando chegamos à vida adulta, também é essencial reconhecer o que deixamos pelo caminho para conquistar essa harmonia.

Em diversos posts desse tema, já falei sobre autenticidade. Hoje, quero expandir esse olhar para refletirmos juntos: o quanto as convenções sociais podem minar nossa autoestima, apagar quem somos?


E o que quero dizer com: O que é socialmente aceito, na maioria das vezes, não é para você?

Eu quero dizer com essa frase, que podemos sim, nos encaixar em determinados momentos, eventos e ambientes sociais. E é importante sabermos ler os contextos, entender como se comunicar, como nos portar, e isso é ótimo para garantir harmonia ao convívio. Porém, o que não podemos é nos transformar em personagens para caber em qualquer lugar, apagando nossa individualidade como seres humanos.

Esse apagamento é, para mim, uma das maiores causas da baixa autoestima hoje.

Muitas pessoas não sabem quem são. Sentem que precisam se encaixar para serem validadas. Acreditam que só terão valor se forem parecidas com o grupo. Assim, deixam de se sentir relevantes no mundo, deixam de perceber que têm voz, porque nunca se olharam como indivíduos, apenas como parte de um coletivo.

O modelo educacional, e o modelo do mundo como um todo, sempre buscou formar “iguais”. Isso não significa que não possamos ter afinidades, gostos em comum, ou partilhar comportamentos semelhantes quando estamos em grupo. Mas é fundamental reconhecermos o que nos diferencia, porque, se não cultivarmos nossas diferenças, passamos a matar nossa autoestima aos poucos.

E autoestima não é só sobre o que pensamos de nós mesmos. Ela também está ligada à percepção do outro e ao impacto psicológico disso em nós. Por isso, precisamos aprender a equilibrar as duas coisas: compreender o mundo e, ao mesmo tempo, não nos dissolver nele.

Sim, algumas pessoas chamam esse ajuste de “máscara social”, uma forma estratégica de evitar atritos e conviver com mais leveza. Isso é natural. Mas é igualmente essencial que, ao estarmos sozinhos, saibamos quem realmente somos. Não podemos nos ajustar tanto a ponto de não nos reconhecermos mais.

O objetivo deste post é justamente esse alerta: nem tudo que é visto como uma convenção social é para você.

Vou dar um exemplo simples: imagine uma pessoa tímida. No mundo atual, já sabemos que existem personalidades diversas, introvertidas, extrovertidas e tudo entre esses extremos. Se essa pessoa entra em um ambiente de trabalho ou de convívio onde sua forma de ser não é compreendida ou respeitada, o problema não é ela, o problema é o ambiente.

Porque, muitas vezes, acreditamos que a maioria está certa apenas por ser maioria. O cérebro humano tende a usar números como prova. Mas, quando falamos de identidade, respeito e autenticidade, a maioria nem sempre está certa.

Outro exemplo importante é o das pessoas neurodivergentes. Muitas vezes, elas não se comportam de acordo com o que é socialmente esperado e isso não tem absolutamente nada a ver com falta de educação, desinteresse ou inadequação. É uma questão neural, biológica. Hoje já existe conhecimento científico suficiente para comprovar que cérebros neurodivergentes funcionam de forma diferente dos cérebros neurotípicos e, portanto, o comportamento, o ritmo, a comunicação e o raciocínio também são diferentes.

Se pessoas neurotípicas não conseguem compreender essa diferença, o problema não está na pessoa neurodivergente, mas sim na maioria que ainda insiste em interpretar o que é diferente como “errado”.

Eu falo isso com propriedade, sendo uma pessoa neurodivergente. Durante muitos anos, eu me senti inadequada, deslocada, “fora do padrão”. Sofria tentando forçar meu comportamento a caber dentro de expectativas sociais que nunca foram feitas para mim. Só quando compreendi o verdadeiro motivo por trás dos meus comportamentos — a diferença neural — comecei a perceber que: não existe nada de errado comigo. O erro estava na referência usada para me medir.

Hoje sabemos: pessoas neurodivergentes pensam diferente, possuem raciocínios diferentes e processam o mundo sob outra lógica. Portanto, é natural que não tenham a mesma visão, mentalidade ou formas de agir que pessoas neurotípicas têm.

No entanto, a maioria das pessoas neurodivergentes carrega marcas emocionais profundas. São pessoas que, ao longo da vida, foram repetidamente rejeitadas por detalhes mínimos, por sua forma de falar, de pensar, de ser, por interesses considerados “estranhos”, por diferenças que, no fundo, são apenas humanas. Carregam traumas ligados à rigidez social e à constante sensação de inadequação.

E, por isso, faço questão de alertar: não são apenas os neurodivergentes que sofrem com convenções sociais, pessoas neurotípicas também sofrem. Porque toda vez que um sistema dita como alguém “deveria ser”, todo aquele que não se encaixa sofre. A diferença é que alguns sofrem em silêncio, tentando se moldar, enquanto outros apenas cansam e se afastam.

O coletivismo, de maneira implícita, sugere que as pessoas devam ser parecidas, comportar-se de forma semelhante, pensar de maneira semelhante, existir em uma espécie de igualdade. Mas é fundamental compreender algo: essa igualdade nunca existirá. Nem em comportamento, nem em visão de mundo, nem em mentalidade. As pessoas são diferentes em inúmeros aspectos, biologicamente, neurologicamente, emocionalmente, socialmente e isso é natural. Veja que, quando menciono igualdade, não estou me referindo a aspectos econômicos ou de direitos sociais. Estou falando apenas da ideia de igualdade na personalidade.

Como mencionei anteriormente, é óbvio que, em determinados contextos sociais, precisamos ajustar o nosso comportamento ao ambiente. Isso faz parte da convivência em sociedade. Porém, existe uma linha muito tênue entre adaptação social saudável e descaracterização da própria identidade.

Quando deixamos nossa personalidade de lado, quando nunca fizemos nada além do que é socialmente aceito, quando esquecemos nossas diferenças em troca de pertencimento, pagamos um preço muito alto: a perda da autoestima.

Pode parecer algo pequeno, quase trivial, mas muitas pessoas passam por constrangimentos profundos simplesmente porque não conseguem seguir convenções sociais. Fazem comparações, vivem o pensamento: “Se todo mundo consegue ser assim, por que eu não consigo?”. E, quando esse encaixe se torna impossível, surge o sofrimento.

Esse constrangimento, quando acumulado, pode evoluir para algo muito mais grave: ansiedade social, depressão, sensação de inadequação, perda total de identidade. Porque a base emocional da autoestima está diretamente ligada à pergunta: “Quem eu sou?”

E, quando uma pessoa vive apenas performando socialmente para atender expectativas externas, uma hora a mente cobra. A conta emocional chega. É cansativo e exaustivo sustentar um personagem que não representa a sua essência.

Por falta de autoconhecimento, muitas pessoas seguem no automático. Sem perceber, constroem suas personalidades com base no que é conveniente para o grupo e não com base na própria verdade. E isso vai além do psicológico: afeta estética, escolhas, hábitos, estilo de vida.

Observe os grupos sociais: muitos têm o mesmo estilo de cabelo, o mesmo estilo de roupa, os mesmos hábitos, as mesmas opiniões. Cada grupo, cada microcultura tem um conjunto de regras implícitas sobre como você deve existir para ser aceito. E quando alguém rompe essas regras, quando uma pessoa ousa ser autêntica, não necessariamente “diferente demais”, apenas não idêntica, ela pode sofrer rejeição, constrangimento, perseguição e até linchamento social. Porque, para o coletivo, a autenticidade muitas vezes soa como uma ameaça, quase como um crime.

E quando alguém tem autenticidade muito fincada, quando a sua essência não se dilui, dificilmente um grupo a aceitará por completo. Grupos — para existir — precisam de adesão a uma ordem: comportamentos, estética, linguagem, narrativa. E quem não se adapta totalmente costuma ser excluído.

É por isso que tantas pessoas preferem se encaixar custe o que custar. Porque nada fere mais do que o sentimento de inadequação, de ser visto como alguém “fora do lugar”.


Porque antes de ser parte do mundo, você precisa ser parte de si.

O texto de hoje é um convite para parar de se colocar dentro de caixinhas, principalmente quando elas não representam verdadeiramente quem você é. Trata-se de criar pensamento crítico, reconhecer-se como indivíduo antes de tentar se encaixar em qualquer coletivo. É sobre voltar o olhar para dentro, identificar suas particularidades e fazer escolhas alinhadas com aquilo que realmente faz sentido para você.

Muito se fala em empoderamento dentro de grupos sociais, mas o empoderamento verdadeiro é simples: saber quem você é, compreender o que você gosta e ter coragem de fazer o que deseja. Não existe atitude mais poderosa do que isso. Ainda assim, muitas pessoas continuam vivendo em função das expectativas de um grupo, e não dos próprios desejos. É esse movimento que tem minado a autoestima de tanta gente: a ausência de autoconhecimento. Como saber o que queremos, se nunca paramos para nos perguntar?

Este texto tem como objetivo lançar uma luz sobre esse olhar para si: com mais carinho, mais questionamento e mais intenção. Não há problema em querer pertencer, em socializar, em ser parte de um grupo, isso é humano e é saudável. Mas abdicar totalmente de quem você é, deixando sua identidade de lado para ser aceito, é algo que cedo ou tarde cobra um preço alto.

No próximo post dsobre autenticidade, quero trazer um novo ponto de reflexão: o poder dos ambientes, e como eles moldam, transformam ou até destroem a nossa vida. Continue comigo para seguirmos nessa jornada de questionamento e construção da autenticidade.

Eu relutei bastante sobre como começar a escrever este capítulo. Afinal, a amizade é, muitas vezes, um afeto colocado em um pedestal. Em muitos momentos, ela se torna o nosso refúgio, quando a família não nos apoia, quando sequer temos família, quando nos frustramos nos relacionamentos amorosos ou quando sentimos que ninguém nos entende. São as amizades que nos sustentam.

Mas, em determinados momentos da vida, especialmente quando começamos a mudar e a vibrar diferente de alguns amigos, essas relações acabam se deteriorando. Isso não quer dizer que não existam amizades para a vida inteira. Pelo contrário, eu mesma tenho amigos de infância com quem passei por diversas fases e que, ao longo do tempo, foram compreendendo cada etapa da minha vida.

Da mesma forma, também tive amigos que não entenderam as minhas mudanças, não respeitaram meus processos e essas amizades, naturalmente, se perderam.

Com este texto, não quero dizer que você precise acabar com suas amizades. Muito pelo contrário. A proposta aqui é justamente refletir sobre o que podemos fazer para que uma amizade não precise chegar ao ponto de ser rompida.

Muitas amizades se desgastam porque não sabemos nos posicionar. E, muitas vezes, pessoas com anos de convivência passam a acreditar que podem dizer tudo o que quiserem, sem medir limites, o que se assemelha muito à dinâmica familiar. Algumas pessoas nos conhecem desde o nascimento, viram nossas fases mais vulneráveis, e, por algum mecanismo psíquico ou emocional, concluem que podem ultrapassar limites, acreditando que tudo estará sempre bem e que estaremos ali para sempre.

Mas isso não é verdade.

Todos os seres humanos, independentemente de terem ou não autoconhecimento, possuem limites. E quando esses limites são ultrapassados, surgem sentimentos como raiva, frustração e, em alguns casos, até desprezo. Sentimentos que não são saudáveis e que não constroem relações verdadeiras.

Quero iniciar este tema trazendo alguns relatos pessoais.


Relato pessoal: Aprender a dizer não para continuar sendo eu

Eu possuo a personalidade INTJ, um perfil considerado raro entre mulheres. Por isso, ao longo da minha vida, eu me senti bastante incompreendida pelas pessoas em geral e, principalmente, por outras mulheres. Além disso, tenho TDAH, o que, somado a essa personalidade, me coloca ainda mais distante do modelo social do que se espera que seja “o jeito feminino de ser”.

Sempre fui mais racional, mais teórica, enquanto o esteriótipo feminino é sempre sobre ser gentil, e doce. Não vem ao caso esmiuçar todas essas características aqui, mas é importante que você, leitor, entenda algo: existe um código invisível, um código de conduta socialmente aceito sobre como as mulheres “precisam ser”. Acho que já mencionei isso em outros textos que eu nunca consegui e nem quis seguir esse código. Meu cérebro simplesmente nunca processou essa lógica, e eu também nunca dei muita importância a esses códigos de conduta femininos. Mesmo com muita pressão da família ao longo da vida, eu nunca me moldei a esse padrão.

Conforme fui crescendo, tive amizades, mas frequentemente sentia meus limites sendo ultrapassados.

Comentários em forma de piadas sobre o meu jeito de ser, sobre eu ser “racional demais”, aconteciam com frequência. Ainda assim, eu deixava esses limites serem rompidos, porque queria fazer parte daquele meio social, daquele grupo de amizades. Eu gostava daquelas pessoas e prezava por elas.

E esse é o ponto a que quero chegar: muitas vezes, nós toleramos desrespeitos simplesmente para pertencermos. Queremos estar em um círculo de convivência que consideramos agradável, formado por pessoas boas, legais, pessoas de bem. Mas o problema é que até pessoas de bem praticam microviolências, pequenas invalidações, pequenos ataques ao nosso jeito de ser e isso vai nos adoecendo emocionalmente.

E isso não acontece só comigo. Esse é apenas um dos meus relatos, mas é algo que ocorre com muitas pessoas, em contextos diferentes.

Quando eu era mais nova, ainda não tinha consciência da importância de estabelecer limites. Eu via que algumas pessoas sabiam fazer isso com naturalidade: colocavam limites, tinham jogo de cintura. Mas eu não sabia. Com o tempo, fui aprendendo como dizer “não” até para amigos, mesmo lidando com a vontade de não decepcionar ninguém, mesmo tendo que enfrentar o desconforto de ver a reação do outro.

Tive também amizades com pessoas extremamente críticas. E, para mim, sempre foi difícil lidar com isso. Eu nunca gostei de conflitos. Não queria entrar em disputas, desenvolver jogos de acidez ou devolver comentários na mesma moeda. Eu só queria ser agradável, manter as relações em harmonia. Por isso, acabava suportando esses microdesrespeitos.

Houve situações em que eu expressava a minha opinião e simplesmente não era ouvida. A pessoa falava muito, mas não escutava. O ápice de tudo, para mim, foi quando percebi o quanto a ausência de limites estava me afetando mentalmente: uma pessoa começou a me usar como “vilã” da própria história, atribuindo a mim comportamentos que eu nunca tive. Essa pessoa possuía uma visão distorcida do mundo, marcada por traumas, e passou a projetar em mim defeitos que não eram meus,  mesmo me conhecendo há anos.

Trago esse relato para dizer algo muito importante: enquanto criança, adolescente, ou mesmo no início da vida adulta, eu não tinha culpa por não saber estabelecer limites. Isso é um aprendizado. No entanto, a partir do momento em que me tornei adulta, consciente das minhas escolhas e percebi que continuava sendo tratada de uma maneira que eu não gostava, passei a ter também responsabilidade sobre isso.

Se um episódio isolado acontece e conseguimos nos afastar, tudo bem. Mas quando permitimos que comportamentos inadequados se repitam por anos, nós acabamos sendo coniventes com a maneira como somos tratados. Isso acontece muito, especialmente com pessoas mais introvertidas.

E é aí que está a grande lição: precisamos aprender a verbalizar o nosso desconforto. Limites não afastam quem nos ama, eles apenas afastam quem nos ultrapassa.


Limites salvam relacionamentos

O mais curioso é que a gente nunca imagina que um amigo, alguém com quem confiamos segredos, medos e vulnerabilidades, possa algum dia, ultrapassar os nossos limites. Nós idealizamos as pessoas. Idealizamos nossos pais, nossa família, nossos irmãos, nosso parceiro romântico… e também idealizamos nossos amigos.

Criamos a ideia de que amizade é algo sagrado. Mas a verdade é que isso não existe, porque todas as pessoas são humanas e seres humanos são falhos. Em momentos de frustração, exaustão ou desequilíbrio emocional, as pessoas acabam descontando aquilo que sentem nos outros, muitas vezes justamente em quem está mais próximo.

Não estou dizendo que isso torna alguém essencialmente mau. Estou falando da complexidade das relações humanas. Nem todas as pessoas boas serão boas o tempo inteiro, assim como nem todas as pessoas consideradas ruins agirão de forma cruel o tempo todo. É exatamente por isso que é tão difícil separar quem é “bom” e quem é “ruim”. Existem pessoas de caráter duvidoso que praticam atos caridosos e jamais levantam suspeitas sobre sua verdadeira natureza. Da mesma forma, existem pessoas genuinamente boas que, por não saberem lidar com suas próprias emoções, reagem de forma extrema, sendo frias, ríspidas, agressivas ou se isolando em silêncio.

Há pessoas que são amorosas, cuidadosas, solidárias, mas, ao mesmo tempo, machucam quem está à sua volta com palavras ácidas. E esse é o grande dilema dos relacionamentos humanos: a falta de autoconhecimento.

A maioria das pessoas vive em um estado de desequilíbrio emocional. Em alguns momentos agem com empatia, compreensão e gentileza; em outros, ferem, não com xingamentos explícitos, mas com incompreensão, desvalidação e comentários frios e egoístas. Mesmo conhecendo a história do outro, suas dores e limites, ainda assim escolhem soltar observações ácidas. E isso é intencional, sim.

Não importa se alguém é, no fundo, uma “pessoa boa”. Quando existe um padrão de comportamento passivo-agressivo, de acidez verbal ou de negligência emocional, isso é escolha. Pode até ser um reflexo de dores internas, mas continua sendo uma forma de agressão.

E é aí que entra a nossa responsabilidade.

Nós, que buscamos autenticidade e autoconhecimento, precisamos aprender a nos defender emocionalmente. Precisamos aprender a traçar uma linha clara sobre até onde o outro pode ir. Porque, quando não fazemos isso, essas amizades não sobrevivem ao tempo. Não porque a relação tenha acabado por um abuso explícito, mas porque o desgaste silencioso vai minando o vínculo.

Uma pessoa que desrespeita limites normalmente também não se respeita. Falta-lhe amor-próprio e autorrespeito. Quem não consegue se tratar com dignidade dificilmente tratará o outro melhor.

Por isso, se queremos preservar nossas amizades, não basta amar, compreender ou relevar tudo. É essencial aprender a impor limites. Limites não afastam pessoas verdadeiras; eles, na verdade, são exatamente o que torna possível que uma amizade permaneça saudável ao longo do tempo.


Quando verbalizar não é suficiente

É triste perder uma amizade de anos porque não soubemos verbalizar aquilo de que não gostamos. Mas também existe o inverso. Às vezes, nós verbalizamos exatamente o que aceitamos e o que não aceitamos, deixamos claro nossos limites e, ainda assim, a outra pessoa escolhe ultrapassá-los.

Mesmo conhecendo você há anos, mesmo sabendo dos seus valores, da sua história, de quem você é e do que você é capaz, às vezes um amigo que foi bom acaba se tornando um mau amigo para você. Não necessariamente uma pessoa má, mas alguém que, dentro daquela relação, passou a agir de forma nociva.

Existem diversos motivos para isso. Pode ser frustração pessoal, aquele amigo não consegue lidar com as próprias emoções e reações. Pode ser inveja silenciosa da sua autenticidade, seus movimentos de crescimento ou sua fase de vida despertam sentimentos difíceis de controlar em quem não tem autoconhecimento. Pode ser comparação, ressentimento, projeção. 

Para quem não desenvolveu maturidade emocional, esses sentimentos são intensos e, muitas vezes, incontroláveis. E acabam sendo despejados na relação.

Mas é importante dizer algo muito claro: não podemos carregar toda a culpa.

Se você colocou limites, se verbalizou o que te machuca, se pediu respeito mais de uma vez — “eu não concordo com isso”, “eu não aceito ser tratada dessa forma”, “por favor, não fale comigo assim” — e, ainda assim, a pessoa continua no mesmo comportamento, então não há mais nada que você possa fazer.

Não existe autoculpa que justifique as escolhas do outro.

Eu já vivi isso. E é extremamente doloroso. A perda de uma amizade nesse contexto é uma das dores mais difíceis de elaborar. Gera culpa, gera questionamento: “Será que eu não fui clara?”, “Será que eu mudei demais?”, “Será que deixei de ser quem a pessoa esperava?”. Ao mesmo tempo, nasce também a raiva por não ser compreendida, por não ter seu crescimento respeitado, por perceber que a pessoa não acompanhou suas mudanças.

Porque a verdade é: todos nós mudamos. Estamos sempre atravessando novas fases da vida. Isso não significa que nos tornamos “outra pessoa”, mas que estamos em constante transformação.

Eu passei por essa dor e me culpei por muito tempo por não saber verbalizar meus limites com mais firmeza. E é justamente por isso que escrevo esse texto.

Não permita que suas amizades se rompam porque você silenciou o que era importante para você. Não deixe que elas acabem por medo de desagradar, por medo de impor limites ou por permitir que passem por cima de você com opiniões destrutivas.

As pessoas têm o direito de discordar de você.
O que elas não têm direito é:

— de te acusar de algo que você não é;
— de atribuir atitudes que você nunca teve;
— de dizer coisas que sabem que vão te ferir.

Isso é ainda mais sério quando vem de quem se diz amigo. Alguém que te conhece tem a responsabilidade de zelar pelo vínculo,  assim como você também zela pelos seus.

Se você sabe que jamais faria algo para ferir seus amigos, não aceite que eles façam isso com você. Respeito deve ser recíproco.

Esse foi o texto de hoje. Espero que ele traga luz para um tema tão pouco explorado, já que as amizades costumam ocupar um pedestal muito alto, inclusive, durante muito tempo, também ocuparam o meu.

Por enquanto é isso.

Nos vemos no próximo post sobre autenticidade!


 

No post de hoje, quero abordar sobre a organização de um livro, mais especificamente de um romance, ou seja, sobre a estrutura básica que sustenta a obra.

Não irei abordar todos os aspectos nesse capítulo, porque alguns deles serão tratados em posts futuros. Hoje, o foco será em como arquitetar o seu livro antes de começar a escrever.

Falando um pouco sobre a organização de um livro em si, ele sempre começa pelo título. Dentro da estrutura, temos os elementos pré-textuais e os elementos pós-textuais.

Para que um livro esteja pronto para ser comercializado, é necessário apresentar pelo menos essa estrutura básica às editoras ou à plataforma de publicação independente.

Além do título, das notas e de outros elementos, tudo isso compõe o chamado miolo do livro, ou seja, as páginas internas que serão impressas.

Por exemplo:

  • Entre os pré-textuais, estão o prólogo e a sinopse.
  • Já entre os pós-textuais, temos os agradecimentos, entre outros.

Mas hoje quero focar na criação da estrutura da história, que envolve a divisão em capítulos.

Antes de começar o livro, o autor deve definir suas metas e objetivos. É fundamental determinar o número de palavras ou páginas logo no início, assim como o número de capítulos da obra.

De forma geral, 50 mil palavras é uma média comum para um romance, o que corresponde a aproximadamente 150 a 200 páginas — um tamanho ideal para começar.

Além disso, é importante estabelecer um prazo para a finalização do livro e definir objetivos claros. A partir disso, é possível fazer uma previsão de páginas por capítulo e determinar quantas páginas serão escritas em determinado período, seja por dia, por semana ou por mês.

Por exemplo: você pode definir quantas páginas consegue escrever por dia ou por semana.

Escrever entre uma e duas horas por dia é o ideal, mas isso exige disciplina diária e uma mudança de hábitos por parte do escritor.

Você pode ter toda a ideia da história em mente, mas, se ela ficar apenas no plano das ideias, o livro nunca ficará pronto.

O maior desafio dos escritores hoje é desenvolver disciplina. Muitos têm uma ideia central, imaginam cenas e personagens, mas não conseguem arquitetar a história de forma organizada. É aí que entra a importância de ter metas fracionadas, por exemplo, finalizar o capítulo um em uma semana, ou cinco capítulos em cinco semanas.

Sem essa organização e sem uma estrutura definida, torna-se muito mais difícil perceber o próprio progresso e a evolução da história.

E esse problema, acredito, não se limita apenas aos escritores, mas a qualquer pessoa que trabalhe com criação e arte.

Portanto, no capítulo de hoje, nós vamos falar sobre isso: como você pode se organizar para estruturar o seu livro.

Desde a infância, dependendo de onde você nasce, somos ensinados culturalmente a aceitar a mediocridade.

Quero trazer isso para o aspecto de crescer em um ambiente de escassez , que é o que posso trazer da minha própria experiência.

A mediocridade é uma cultura. Ela se torna quase um estilo de vida.

Obviamente, ela está intrinsecamente ligada à educação das pessoas que vivem em contextos de escassez, muito associada à pobreza. Essa educação é transmitida de pais para filhos sem que percebam, não há intenção de ensinar a escassez ou a mediocridade, mas isso acaba acontecendo automaticamente, como parte da herança cultural.

Gostaria de abordar, dois conceitos:

O primeiro é a mediocridade emocional, que tem a ver com aceitar pouco — aceitar receber o mínimo e não acreditar que se merece mais. É quando você se acomoda diante do que tem, como se não houvesse a possibilidade de conquistar algo melhor. Esse é o primeiro conceito, e vamos tratá-lo separadamente.

O segundo é a mediocridade intelectual, que acontece quando a pessoa acredita que não precisa adquirir mais conhecimento. Para ela, a ignorância está confortável o suficiente. Não há curiosidade, nem vontade de aprender algo novo. Vive-se no automático, simplesmente existindo.

Agora, eu quero me aprofundar nesses dois conceitos para que você entenda melhor o que quero dizer com “mediocridade”.

1. A mediocridade emocional

Essa mediocridade tem a ver com o post que escrevi sobre o não merecimento. É justamente o fato de não questionar o próprio valor, de achar que não merece tanto, que está tudo bem aceitar pouco, que “você não é tudo isso”.

Dentro de uma cultura de escassez, existe uma grande falácia: a de que uma pessoa que tem autorrespeito e entende o seu valor é egocêntrica. Quando alguém começa a se valorizar, a se posicionar e a colocar limites, logo é taxado de egoísta.

Esse tipo de conduta social faz com que a pessoa se oprima, se reprima, se restrinja e passe a acreditar que realmente não merece tanto assim. Afinal, se todos dizem que almejar mais é sinal de egoísmo, então o “certo” seria se contentar com pouco.

E é aí que nasce a mediocridade emocional: quando a pessoa aceita ser tratada de qualquer jeito, se acostuma com o mínimo e até se submete a humilhações. Vive de forma passiva — não reage quando é agredida verbalmente, sofre assédio moral, é traída por amigos, familiares ou parceiros — porque acredita que não merece mais do que aquilo.

Existe uma série de consequências quando alguém carrega essa mediocridade emocional. A pessoa ainda não compreendeu que tem valor, que é valiosa. E, por isso, se acostuma com pouco. Às vezes, até se sente mal em cobrar algo do mundo ou em se posicionar de maneira firme, com medo de parecer arrogante.

Essa mediocridade emocional é uma barreira poderosa, e desconstruí-la leva tempo. Leva tempo para alguém que cresceu com a mentalidade de escassez entender que é valioso, que merece mais.

Eu gosto de dizer que todas as pessoas são valiosas, mas o que realmente faz diferença é como elas se mostram para o mundo.

Quando você não se sente merecedora, quando ainda vive sob a influência dessa mediocridade emocional, as pessoas tendem a enxergá-la como alguém frágil, uma “pária” social — alguém que pode ser pisado. E não, isso não é justo. Mas é real.

Por isso, precisamos aprender a nos defender emocionalmente, a colocar limites e a reconhecer o próprio valor. Só assim conseguimos impedir que o mundo e as pessoas determinem quanto valemos.

2. A mediocridade intelectual

A mediocridade intelectual é, basicamente, quando a pessoa não busca evolução. Ela permanece vivendo no automático, imersa em uma ignorância confortável, sem curiosidade por aprendizado. Vive uma vida anestesiante, compensando o excesso de trabalho com diversões superficiais no fim de semana ou se satisfazendo com aprendizados rasos.

E hoje, com a internet, essa mediocridade é ainda mais gritante. A rede nos dá acesso a um universo de conhecimento e cultura como nunca antes. Podemos assistir palestras, aulas, documentários, ler sobre qualquer assunto em poucos segundos. Algo que, antigamente, demandava tempo, livros e acesso a acervos limitados.

Mesmo assim, muitas pessoas ignoram essa abundância de conhecimento. Eu entendo que jornadas de trabalho exaustivas, principalmente para quem vem de uma classe que precisa garantir o pão de cada dia, podem deixar a pessoa em um estado de letargia. Mas isso não significa que a vida precise se resumir a trabalhar e buscar distrações aos fins de semana.

Existe uma cultura de desvalorização do intelectual e do clássico, e isso se tornou algo preocupante. Hoje, é comum ver pessoas sem interesse por arte, filosofia, literatura, ou até mesmo por aprofundar o conhecimento na área em que atuam. As conversas se tornaram mais rasas, pautadas no cotidiano, nas polêmicas da mídia e em opiniões de terceiros.

Grande parte do que se aprende vem de vídeos curtos, manchetes ou pequenos trechos lidos nas redes sociais. As pessoas formam opiniões com base em fragmentos e raramente se interessam por compreender a fundo o que estão opinando.

Claro que nem todos têm tempo para se aprofundar em vários assuntos, e isso é compreensível. Mas o que critico é a quantidade de opiniões sem fundamento, baseadas apenas no senso comum ou em informações superficiais.

Essa mediocridade intelectual nasce justamente do conformismo do senso comum — dessa zona de conforto mental que rejeita o aprofundamento e o pensamento crítico. Refletir exige esforço, e esforço exige abrir mão de uma parte do tempo de lazer. É por isso que pensar criticamente se tornou quase um ato de resistência: porque exige sacrifício.

Mas é esse sacrifício que constrói repertório, bagagem e clareza. E é o que diferencia quem apenas existe de quem realmente entende o mundo e o próprio lugar dentro dele.


Como aprendemos a nos tratar

Eu quero um pouco sobre como somos ensinados a nos tratar desde a infância, principalmente quando crescemos em ambientes de escassez.

Geralmente, é possível perceber que muitas pessoas têm problemas sérios de autoestima — inclusive, já comentei sobre isso em posts anteriores. Grande parte das pessoas foram rejeitadas na infância, maltratadas, ou simplesmente não tiveram os seus sentimentos validados.

Pais, familiares ou cuidadores, muitas vezes, não souberam acolher aquela criança, não entenderam suas emoções e, com isso, transmitiram a ela a ideia de que não era suficiente.

Quando essa criança cresce, há dois caminhos mais comuns: ou ela se torna um adulto frustrado e depressivo, ou se torna alguém que se trata da pior forma possível, se coloca nas piores situações, se autossabota, aceita pouco, se anula.

Obviamente, não é culpa de ninguém ter sido criado dessa maneira. Mas, a partir do momento em que você se torna adulto, com 25, 30 anos, ou mais, e ainda repete comportamentos que demonstram falta de autocuidado, é sinal de que você está errando consigo mesmo.

Ao longo dos anos, percebi que muitas pessoas são tão frustradas que não conseguem lidar bem quando encontram alguém que cresceu com amor-próprio. E eu entendo que deve ser difícil. Não é à toa que, muitas vezes, surge a desconfiança: “Ah, esse tal de amor-próprio nem existe.”

Essas pessoas olham para quem se valoriza e rapidamente as chamam de egocêntricas, porque não aprenderam o que é amor-próprio de verdade. Elas de fato, têm uma percepção deturpada da realidade, por terem sido criadas em ambientes onde foram desvalorizadas e não conseguem entender como funciona o autoamor.

E tudo bem se você foi criado dessa maneira. Tudo bem se você ainda age assim.

Mas você pode — e deve — parar por aí.

Isso não é o ideal de vida que você merece. Você merece se entender, se cuidar, se tratar com respeito e compreender que merece o melhor.

As pessoas que cresceram nesse tipo de ambiente aprenderam a se tratar da pior forma possível, ou, talvez, não da pior, mas de uma forma medíocre. Mínima.

E, sinceramente, o mínimo não é suficiente.

Todo ser humano precisa de autoconhecimento. Precisa entender quem é, se tornar verdadeiramente autêntico. O autoconhecimento dói, mas é essa dor que garante o amor-próprio.

Porque o modo como nos tratamos — acreditando que nunca vamos conseguir o que queremos, que tudo é difícil, que o outro tem mais sorte, mais oportunidades — é justamente o que nos afunda.

Esses pensamentos frustrantes não são neutros. Eles corroem.

Por isso, amar-se genuinamente é um processo de descascar as camadas grossas que aprendemos na infância: as camadas do não merecimento, da escassez, do medo da perda.

E quando nos despimos disso tudo, voltamos para nós mesmos e enxergamos, finalmente, o nosso valor. E é aí que tudo muda.

Porque quando passamos a nos ver de verdade — com compaixão, com respeito — também passamos a enxergar o outro com mais clareza.

Ter clareza sobre o que estamos fazendo conosco, sobre como estamos nos tratando mal, é extremamente necessário. Porque, às vezes, você até consegue ver o seu próprio potencial. Você enxerga o seu brilho, reconhece quem é, sente que pode mais.

Mas ainda assim, existe algo que te puxa para baixo.

E isso acontece porque o mundo, além daquilo que aprendemos com nossas famílias, também está cheio de pessoas frustradas. E essas pessoas, muitas vezes, despejam suas frustrações em todos ao redor.

A grande massa vive presa a crenças limitantes:

“isso é difícil de conseguir”,

“esse sonho é grande demais”,

“não se arrisque tanto”,

“melhor ficar onde está”.

Vou te dar alguns exemplos simples e muito comuns:

  • Você quer sair da casa ou do bairro onde mora, e logo alguém diz: “Cuidado, pode acabar indo para um lugar pior.”
  • Quando você quer comprar uma casa e fazer um financiamento? “cuidado para não se endividar.”
  • Quer realizar o sonho de viajar e conhecer outro país? “Ah, esse lugar é perigoso, pode acontecer alguma coisa ruim.”
  • Ou ainda, quando você quer melhorar sua qualidade de vida, trabalhar mais, ganhar mais, alguém fala: “Dinheiro não traz felicidade, cuidado para não se tornar ganancioso.”

Esses são exemplos cotidianos, sonhos que não são impossíveis, que milhares de pessoas já realizaram. Mas, quando alguém com mentalidade de escassez ou frustração ouve isso, ela tende a invalidar o sonho do outro. Porque invalidar o sonho de alguém não é só uma opinião, é destruir, pouco a pouco, a autenticidade de uma pessoa.

E tudo bem se, em algum momento, a gente se frustra. Isso é humano.

Mas precisamos ter muito cuidado com os paradigmas que colocamos sobre os outros.

Cada pessoa tem a sua história, o seu tempo e o seu caminho.

E cada pessoa precisa — e merece — acreditar em si mesma.

Quando você coloca uma barreira em si, ainda dá tempo de se reconstruir. Mas quando você coloca essa barreira no outro, isso pode ser ainda pior. Porque, além de se limitar, você passa a limitar quem está tentando crescer.


Como a mediocridade se tornou socialmente aceitável

É engraçado como hoje é normalizado o fato de alguém gastar bastante tempo no celular, nas redes sociais ou até serem pessoas que causam intrigas e conflitos por pouca coisa, nada que seja de fato relevante. Ninguém mais está em busca de desenvolver as virtudes.

No mundo de hoje, tudo que é verdadeiramente bom é ignorado. E tudo que não engrandece, as coisas mais rasas, são trazidas como algo de valor. Existe uma inversão de valores muito grande, e as pessoas se perderam um pouco e não entendem o que, de fato, é valioso. Existe até uma crítica as pessoas “boazinhas”.

Vou explicar o meu ponto de vista sobre esse fenômeno.

Algumas pessoas se acostumam tanto com a mediocridade que passam a não querer que as outras se sobressaiam. E isso acontece porque elas mesmas não querem mudar. Ser uma pessoa melhor, evoluir intelectualmente, espiritualmente e emocionalmente exige esforço, sacrifício e desconforto. Esse processo tem um custo.

E é justamente por isso que muita gente não quer que o outro ultrapasse essa barreira.

Quando alguém dentro de um grupo de amigos, por exemplo, se eleva, busca mais conhecimento, desenvolve inteligência emocional, amadurece, essa pessoa, sem querer, expõe a mediocridade dos outros.

E isso incomoda.

Não necessariamente por maldade, mas porque o crescimento de um revela o estancamento dos demais. É um espelho difícil de encarar.

Por isso, quando alguém começa a se destacar, sempre há uma força que tenta puxá-la de volta. É quase um fenômeno natural: toda vez que você tenta aprender algo novo, que foge da zona do “comum”, vai sentir a resistência — a força invisível da mentalidade de massa tentando te manter no mesmo lugar.

Essa mentalidade automática, de “pão e circo”, faz com que as pessoas se contentem com pouco: festas, distrações, prazeres imediatos, e deixem de buscar o que realmente traz crescimento, que é o conhecimento e a consciência de si.

É difícil querer crescer, pois toda virtude tem um custo.

  • Para desenvolver a prudência, é preciso pagar o preço da cautela, da reflexão e da análise antes de agir.
  • Para conquistar a temperança, é necessário aprender o autodomínio, moderar os prazeres e os desejos.
  • E para alcançar a resiliência, é inevitável negar a preguiça e enfrentar o desconforto das dificuldades. Porque a resiliência não é a ausência de problemas. A verdadeira resiliência é a capacidade de continuar, mesmo quando tudo parece contrário, mesmo quando a vida insiste em te testar.

Então, toda vez que você quiser subir de nível, sair da estagnação e melhorar os aspectos da sua vida, você vai se deparar com a sua própria resistência dos outros e a dos outros.

Mas nós estamos aqui para evoluir. Ser uma pessoa medíocre, viver no automático, não é justo conosco.

Sempre que você estiver nessa jornada de autoconhecimento, buscando crescer, as pessoas vão te tratar de forma diferente. Algumas podem te isolar, te ironizar, simplesmente porque você está se sobressaindo. E isso acontece porque a autenticidade brilha, ela se destaca.

Autenticidade não é sobre estética, nem sobre o que você tem, é sobre quem você é.

E nada abala mais o ego de um ser humano do que ver alguém sendo autêntico, quando ele mesmo não é. Isso dói, incomoda.

Se você tem pessoas na sua vida que te isolam ou te tratam mal por você estar sendo você — e aqui eu falo de ser você na sua melhor versão, buscando virtudes, e não normalizando erros — entenda que essas pessoas não são para você.

E sim, isso é duro. Às vezes, são pessoas de quem gostamos muito. Mas é preciso se afastar. Não significa odiar essas pessoas, mas compreender que você não pode cultivar a mediocridade dentro de si, especialmente quando está em um processo de autoconhecimento e da busca por autenticidade.

O meio em que vivemos molda o nosso caráter. Se você anda com pessoas medíocres, vai acabar se tornando uma também — frustrada, negativa, incapaz de ver o lado bom da vida.

E não estou falando de ser alienado e ver tudo como positivo, mas de enxergar a vida de forma realista: entender que há dias bons, dias ruins e dias neutros. E o verdadeiro sinal de evolução é saber atravessar todos eles com equilíbrio.

Os meios sempre me assustaram, porque eu sempre soube que, se eu estiver no meio errado, as pessoas daquele meio vão me influenciar. Isso porque, todos nós somos moldáveis.

Se você consome coisas ruins, inevitavelmente vai pensar coisas ruins. Se passa o dia assistindo filmes de terror, não tem como não carregar pensamentos negativos.

Da mesma forma, se você se cerca de pessoas que falam coisas boas, que compartilham conhecimento, que te inspiram a crescer, inevitavelmente você vai evoluir. Os meios são uma ferramenta e você precisa aprender a usá-los a seu favor.

As pessoas têm o poder de nos alavancar ou nos derrubar e o seu objetivo é construir sua mentalidade, fortalecer sua autoestima e cultivar sua autenticidade, você precisa estar diariamente perto de pessoas que também buscam o mesmo.

Porque, a partir do momento em que você dá ouvidos a quem pensa o contrário, é natural que comece a acreditar nessas vozes e desacreditar de si.


Relato pessoal: sobre limites e autenticidade

Durante muito tempo, eu não entendia por que algumas pessoas ultrapassavam os meus limites com tanta naturalidade. Comentários velados, críticas disfarçadas, ironias, tudo isso me acompanhou desde a infância. E, por muito tempo, eu achei que o problema era comigo.

Cresci em um ambiente simples, mas com uma base emocional sólida. Tive a sorte de ser criada por uma figura materna muito forte, minha avó. Foi ela quem me ensinou o valor da autenticidade e me salvou de perder minha autoestima. Só que, ao meu redor, nem todo mundo tinha recebido esse mesmo tipo de amor e validação.

As pessoas que foram tratadas com dureza, muitas vezes, reproduzem essa dureza. E, por não saberem o que é cuidado genuíno, acabam tratando os outros com ironia, competição ou desprezo. Eu demorei para entender isso.

Por muito tempo, deixei que os outros ultrapassassem meus limites, e o pior: eu nem sabia que eram limites. Até que um dia entendi que aquilo que me incomodava, que me fazia sentir pequena, era justamente o que eu não precisava mais permitir.

Hoje eu sei: ter limites claros é um ato de amor próprio. Não é sobre ser frio, distante ou orgulhoso. É sobre saber o que você merece e não aceitar menos do que isso.

Porque quem se conhece, quem se cuida e quem está em processo de evolução, não cabe mais em relações medíocres, aquelas onde a ironia é normalizada, onde o amor vira disputa, e o respeito é raro.

Relacionamentos saudáveis não te diminuem, não te colocam para baixo e nem te fazem duvidar de quem você é.

Então, se tem uma mensagem que eu quero deixar hoje, é essa: Não aceite menos do que o respeito e a verdade que você oferece.

O autoconhecimento não é um caminho fácil, mas é o único capaz de nos libertar das repetições e das mediocridades emocionais. Nunca é tarde para se conhecer, se proteger e se reconstruir.

E, por último, quero dizer: diga “não” quando for necessário.

No próximo post dessa série sobre autencidade, irei abordar sobre como estabelecer limites claros nas amizades, mantendo-as saudáveis.

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 Genie, Make a Wish | 다 이루어질지니

Título: Genie, Make a Wish | 다 이루어질지니

Emissora: Netflix

País: Coreia do Sul

Ano: 2025

Sinopse: A fria e impassível Ka Yeong passou a vida sob os cuidados da avó, cujo olhar atento e abordagem de amor duro ajudaram a manter as tendências psicopatas de Ka Yeong sob controle. Quando Ka Yeong inesperadamente tropeça em uma lâmpada mágica, ela desperta o misterioso espírito Gênio de seu sono de mil anos — e sim, ele promete à jovem três desejos que mudarão sua vida. Libertada em um novo milênio, a magia travessa de Gênio abala a vida tranquila de Ka Yeong, e enquanto ele navega pelas realidades desconhecidas do mundo moderno, os dois se encontram em um romance surpreendente e turbulento. Mas quando as coisas não poderiam ficar menos previsíveis, Ga Yeong descobre que seu companheiro que realiza desejos é, na verdade, Iblis, mais conhecido como Satã, que está determinado a provar que os humanos são corruptíveis. É uma reviravolta totalmente nova na história do gênio da lâmpada, e quando a intratabilidade e as rotinas rigidamente controladas de Ga Yeong encontram a energia trapaceira e o charme desinibido de Genie, tudo se prepara para um romance que será tudo menos comum. 

Genie: Make a Wish é o novo drama da Bae Suzy, da Netflix, lançado em outubro. E como todo drama da Suzy, é claro que eu não deixaria de falar sobre ele aqui no blog.

O drama, estrelado pela Suzy e pelo Kim Woo-bin, é uma história de fantasia que se passa, em parte, no Oriente Médio. Ele traz uma mitologia inspirada nessa região, envolvendo gênios e anjos.

Na trama, a Suzy interpreta Ka Young, uma jovem que possui transtorno de personalidade antissocial, mas que, ao mesmo tempo, foi criada com muita disciplina pela avó, que lhe ensinou todos os valores morais necessários para levar uma vida “normal” e não sucumbir ao próprio transtorno.

Ka Young viaja para Dubai em busca da mãe, que abandonou ela e a avó anos atrás para começar uma nova vida com outra família. Marcada pelo ressentimento, Ka Young faz essa viagem todos os anos tentando entender por que foi deixada para trás.

Durante a sua estadia em Dubai, ela acaba encontrando uma antiga lâmpada mágica — a do gênio Iblis, interpretado por Kim Woo-bin. Após séculos preso, o gênio desperta quando Ka Young o liberta, e, como manda a tradição, ele tem o poder de conceder três desejos ao atual dono da lâmpada.

Mas o que o gênio — que é bastante dissimulado, por sinal — realmente quer é levar a alma dela para o inferno. Isso porque, nesse dorama, a figura do gênio é retratada quase como um demônio, uma entidade que tenta corromper os humanos através da ganância. Então, depois que a Ka Young fizesse seus três pedidos, ele teria o direito de levar a alma dela, caso ela fizesse pedidos egoístas. Só que o que ele não esperava era encontrar alguém completamente desinteressada em tudo o que ele podia oferecer.

Ela não liga para dinheiro, poder ou luxo. Por ter dificuldades em compreender sentimentos e emoções, nada disso a atrai. Além disso, ela já tem uma boa condição financeira, graças a um trabalho com investimentos em ações. Tudo o que ela quer é continuar sua vida tranquila no interior, ao lado da avó.

Ao longo da história, o gênio faz de tudo para tentar convencer Ka Young a fazer seus desejos. Ele cria situações, tenta seduzi-la com promessas e tenta explorar seus pontos fracos. Mas o que ele não esperava era que o primeiro desejo dela fosse algo completamente inesperado: Ka Young pede que o gênio atenda três desejos de cinco pessoas diferentes. O motivo? Ela queria provar para ele que a humanidade ainda tinha virtudes e que nem todo mundo sucumbia à ganância. E é aí que começa a verdadeira aposta entre os dois.

Acompanhamos várias interações entre Ka Young e o gênio, e é curioso perceber que a personalidade dela acaba sendo até mais “geniosa” do que a dele. Os dois têm uma dinâmica intensa, cheia de provocações, que dá um ritmo gostoso à narrativa.

Além deles, o drama traz outros personagens que ajudam a deixar a trama mais movimentada. Entre eles, um anjo da morte, que funciona quase como o oposto do gênio — como se fossem luz e sombra coexistindo no mesmo universo. Há também seres que atuam como ajudantes, tanto do gênio quanto do anjo, e até outros gênios que aparecem ao longo da história.

Um destaque interessante é a participação especial da Song Hye Kyo, que surge em um dos episódios e adiciona um toque extra de charme à produção. Apesar de ser uma história relativamente curta, o roteiro consegue equilibrar bem o tempo de tela dos personagens secundários, evitando que o enredo fique monótono.

Mas o que realmente dá profundidade à história é a figura da avó de Kayong. Ela é a base moral e emocional da protagonista, a pessoa responsável por moldar seu caráter e seus valores. Não vou dar spoilers, mas a relação entre as duas é um dos pontos mais bonitos do drama. É tocante ver como o amor da avó permeia todas as decisões da Kayong, mesmo quando ela parece fria ou distante.

Outro ponto que merece destaque é a amiga de Kayong. Apesar de ter dificuldade em compreender sentimentos humanos e em demonstrar empatia, ela encontra, à sua maneira, uma forma racional de expressar afeto. O amor que sente, mesmo que silencioso, é perceptível, tanto pelas pessoas ao seu redor quanto pela pequena cidade onde cresceu. Um lugar onde todos conhecem sua história, suas lutas e a força de sua avó.

“Genie: Make a Wish” é um drama curtinho, apenas 13 episódios, mas consegue entregar uma história completa e cheia de emoção. Como é típico dos dramas coreanos, ele equilibra muito bem os tons: há momentos de comédia leve, que fazem rir de verdade, e outros de melancolia e drama, especialmente nos episódios finais. O final é, digamos, feliz. Você sai da história com o coração apertado, mas com a sensação de que valeu a pena cada minuto. Prepare-se para rir muito, chorar um tanto, e se emocionar com uma narrativa curta, porém intensa.

Para mim, é um dos melhores dramas coreanos do ano, mesmo eu não tendo acompanhado tantos doramas da Coreia ultimamente. A atuação da Suzy está simplesmente impecável. Nos últimos trabalhos, ela tem se afastado daqueles papéis convencionais que marcaram o início da carreira, e isso tem mostrado o quanto ela amadureceu como atriz.

O Kim Woo-bin também está excelente, e a química entre os dois é nítida. Desde Uncontrollably Fond já dava para perceber como eles funcionam bem juntos em cena, mas aqui, a parceria ganha uma nova energia. Enquanto aquele drama era profundamente emocional, Genie: Make a Wish aposta numa mistura mais ousada, comédia, fantasia e drama.

Vale mencionar que o drama enfrentou críticas em partes da Ásia e do Oriente Médio, por abordar elementos inspirados na religião islâmica. Mas, sinceramente, não vi nada ofensivo. O uso de figuras religiosas ou mitológicas no entretenimento é algo recorrente, seja em filmes, séries ou livros, e aqui isso serve apenas como pano de fundo para construir uma fantasia rica e simbólica, não uma profanação. Pelo contrário: é uma releitura criativa de elementos culturais já conhecidos.

Então, se você está procurando um drama divertido, com aquele toque de fantasia moderna, Genie: Make a Wish entrega tudo isso e um pouco mais. É curtinho — dá para maratonar tranquilamente em dois ou três dias — e ainda conta com uma OST (Original Soundtrack) super agradável, que combina perfeitamente com o clima da história.

Gostou da resenha?

Leia mais:

[Resenha Doramas] Uncontrollably Fond

 

Se você já se pegou encarando uma página em branco, sem saber por onde começar, saiba que isso é mais comum do que imagina.

A verdade é que, sem ideias, não existe escrita criativa. Entender como cultivar boas ideias pode transformar completamente a sua forma de escrever.

A base da escrita criativa é justamente a capacidade de gerar, testar e desenvolver ideias únicas, transformar algo abstrato em uma narrativa plausível e envolvente.

Mas por onde começar?

Por que é tão fácil pensar na ideia central do livro, mas tão difícil desenvolvê-la por completo?

Porque, na maioria das vezes, você não está inspirado da maneira certa.

Para fabricarmos ideias, utilizamos o lado esquerdo do cérebro — o responsável pela criatividade. A nossa criatividade funciona como um potinho: primeiro precisamos preenchê-lo, para depois deixá-lo transbordar.

Ou seja, antes de escrever, você precisa encher seu potinho de criatividade com inspirações e repertório. Tudo o que você precisa fazer é buscar referências que estejam alinhadas com o tipo de história que deseja contar.

Um livro exige muito da nossa imaginação. E, para isso, precisamos ler mais livros, assistir a filmes, séries e animações, conversar com pessoas, visitar lugares e até viajar. Tudo isso faz parte da construção do seu repertório criativo.

E ainda falando sobre repertório…

Se você não vivenciar certas experiências, dificilmente vai conseguir reunir material suficiente para enriquecer a sua escrita.

Por exemplo:

Se você quer escrever um livro de fantasia, precisa consumir fantasia — assistir, ler, analisar obras do gênero. Assim, você entenderá como funcionam os sistemas de magia, a criação de mundos e os arquétipos que compõem esse universo.

Agora, se pretende escrever um livro histórico, precisa estudar história, compreender contextos sociais e culturais de diferentes épocas.

Existem diversos tipos de repertório:

  • Repertório artístico: formado por obras como músicas, filmes, livros, peças de teatro, entre outros.
  • Repertório linguístico: que é o conjunto de palavras, expressões e estruturas gramaticais que você domina. Ele se desenvolve por meio da leitura, conversas, filmes e o contato com diferentes formas de linguagem.
  • Repertório figurativo: o acúmulo de conhecimentos culturais e experiências de vida adquiridos ao longo do tempo.

Ao ampliar esses repertórios por meio de leituras, cursos, palestras, experiências e estudos, você vai perceber que as ideias surgem com muito mais facilidade, sem precisar forçar a inspiração.

Assim, o início da escrita do seu livro se torna mais natural, fluido e prazeroso.


Onde nascem as boas ideias?

A inspiração literária não vem do nada, ela é o resultado de um conjunto de atitudes e hábitos criativos.

A seguir, compartilho ações práticas e reflexões que ajudam a desbloquear a criatividade e manter o fluxo criativo aceso, mesmo nos dias mais difíceis

1. Escolha o gênero que mais conecta com você

Romance, terror, poesia, fantasia… o importante é escrever sobre o que te move e sobre o que você tem repertório suficiente para explorar. Quando você escreve dentro de um gênero que realmente gosta, as ideias surgem com mais naturalidade e profundidade.

2. Teste ideias sem medo de errar

Nem toda ideia precisa se transformar em um livro completo — e tudo bem!

Permita-se experimentar, escrever livremente e sem cobranças, mesmo antes de começar oficialmente a sua obra.

Em breve, vou compartilhar mais sobre como escrever cenas separadas antes de montar o enredo completo, uma técnica poderosa para destravar a escrita e encontrar a voz da história.

3. Confie na sua intuição narrativa

Essa é a sua voz interna, que guia o caminho da trama. Ela aparece principalmente quando você escreve com frequência, dedicando pelo menos uma hora do dia à escrita.

Durante esse processo, a mente criativa entra em estado de fluxo, e é aí que você se vê imerso na cena, imaginando cada detalhe, cada emoção, cada palavra.

4. Observe as pessoas

A observação é uma das ferramentas mais ricas de um escritor. Preste atenção em gestos, expressões e contradições humanas, tanto na vida real quanto nas telas.

Assistir a filmes e séries com olhar analítico, percebendo como os atores expressam emoções, pode te ajudar a construir personagens mais vivos e realistas.

Observar o cotidiano, as reações e os comportamentos das pessoas é uma mina de ouro para quem escreve.

5. Narração ou diálogo?

Decidir entre narrar ou dialogar é uma escolha estratégica. Em alguns momentos, a narração comunica melhor a atmosfera da cena. Em outros, o diálogo é mais eficaz para transmitir emoção e dinamismo. Alternar entre esses dois recursos torna o texto mais envolvente e fluido.


Monte o seu moodboard

Se você sente que está sem ideias para começar uma nova história, pare de olhar para a tela em branco e olhe para o mundo — real ou imaginado.

Uma das formas mais eficazes de alimentar a criatividade literária é mergulhar em narrativas: filmes, séries, quadrinhos e livros de gêneros diferentes do seu.

Ao assistir ou ler com atenção, você aprende sobre estruturas, temas e personagens, além de descobrir o que te emociona, intriga e prende, e tudo isso se transforma em combustível para a sua própria escrita.

Dica prática: crie um moodboard da sua história

Aplicativos como Pinterest e Artbreeder (ou outros apps de imagem) são excelentes fontes de inspiração visual.

Crie pastas temáticas para personagens, cenários ou emoções — às vezes, uma única imagem pode inspirar uma cena inteira.

Monte um painel de humor (moodboard) com imagens, frases, cores e músicas que reflitam o universo do seu livro.

Isso ajuda a manter o tom e o clima do projeto literário sempre vivos.


Teste ideias dentro da sua história

Escrever não é prever. Escrever é testar. Você não precisa saber exatamente tudo o que vai acontecer na sua narrativa antes de começar.

Uma ótima estratégia para destravar a escrita é experimentar diferentes possibilidades dentro da história e permitir que ela mude conforme você avança.

  • E se o personagem que seria o vilão se tornasse um aliado?
  • E se a narrativa fosse contada do ponto de vista do antagonista?
  • E se a história começasse pelo final?

Esses testes não são desperdícios — eles fazem parte do processo criativo.

Muitas vezes, uma ideia só revela o seu verdadeiro potencial quando colocada em prática.

Ao experimentar, você descobre novas camadas do enredo, entende melhor seus personagens e ganha liberdade para escrever com mais intensidade.

Lembre-se: o seu primeiro rascunho não precisa ser bom.

Ele só precisa existir.


Guarde as cenas que você imagina

Algo que eu sempre costumo fazer: antes mesmo de começar a planejar o enredo, eu crio cenas soltas.

Eu costumo planejar meus livros capítulo por capítulo — e no próximo post, irei compartilhar como faço isso, passo a passo —, mas até antes mesmo de inventar o nome da minha história, eu gosto de escrever cenas avulsas.

Às vezes, são apenas pequenos trechos, com poucas linhas e sem nenhum contexto definido. Mas são cenas que vem da minha imaginação, que me tocaram de alguma forma e , por isso, eu preciso guardar para não esquecer.

Como a minha imaginação é muito fluida, gosto de registrar tudo assim que a ideia surge. Penso na cena, escrevo o que imaginei e guardo em uma pasta (geralmente crio uma pasta com o nome do livro no meu Drive), e lá vou salvando documentos de texto com cada cena separada e renomeada.

Mesmo que as cenas aconteçam em momentos diferentes da história, ou que pareçam totalmente desconexas, eu sei que posso usá-las em algum momento. São cenas que nasceram de uma imersão profunda na minha imaginação e que me deram a satisfação de criar eimaginar o contexto.

Pode ser uma descrição de uma paisagem, um diálogo intenso entre personagens, ou até uma situação que me emocionei imaginando.

Quando a cena é boa na minha cabeça, eu desfruto dela como se estivesse assistindo a um filme ou lendo um livro. E é por isso que eu guardo essas cenas, porque não quero perder essa sensação.

Muitas vezes, também anoto cenas inspiradas em sonhos. Alguns dos meus sonhos já se transformaram em partes inteiras de livros. Como escrevo de forma um pouco lúdica e subjetiva, gosto de aproveitar essa ponte entre o inconsciente e a escrita. Então, assim que acordo e me lembro do sonho, anoto imediatamente, antes que ele desapareça da memória.

Por isso, deixo aqui uma dica: todas as vezes que você imaginar uma cena, mesmo sem pretensão de escrever uma história agora, guarde-a. Ela pode se tornar uma peça importante da sua futura narrativa. E o melhoré que quando esse momento chegar, você vai perceber que cada uma dessas pequenas ideias tinha um propósito esperando para se revelar.


Criatividade é treino, não mágica

Muitos escritores iniciantes acreditam que é preciso talento para escrever bem.

Sim, o talento é importante, mas a verdade é que, muitas vezes, a disciplina supera o talento.

Pessoas talentosas não nascem prontas. Elas se tornam talentosas porque são disciplinadas, porque praticam, erram, tentam de novo.

A combinação entre disciplina e talento é o que traz à luz os grandes projetos — é o que transforma uma boa ideia em algo real.

Quando não temos dons naturais, precisamos nos apoiar na disciplina, porque ela é fundamental. Criar uma rotina criativa livre de autocrítica, principalmente no início do processo, é essencial para que as ideias fluam. É preciso reduzir o perfeccionismo, manter o foco e acompanhar a própria produtividade, essas são as estratégias que fazem diferença a longo prazo.

A consistência constrói confiança, e é essa confiança que sustenta a liberdade criativa.


Provocar emoções é a alma da escrita criativa

Uma boa escrita é aquela que faz as pessoas sentirem emoções. Aprender a provocar emoções com palavras é uma habilidade essencial.

Use descrições específicas, explore os detalhes sensoriais e não tenha medo de falar verdades nas suas histórias, mesmo que sejam desconfortáveis. É isso que cria uma conexão genuína com o leitor.

Além disso, aprenda a criar tensão narrativa, a experimentar diferentes pontos de vista e a compreender o papel de cada cena, seja ela focada em personagem, ação ou diálogo.

Quando você entende a engrenagem da sua história, fica mais fácil manter o leitor engajado do início ao fim.


Não tente agradar a todos

Um dos maiores bloqueios criativos surge quando o escritor tenta escrever algo aceitável para todo mundo. Isso é impossível e desnecessário.

Escreva o que você acredita. Escreva o que te move.

A sua autenticidade é o que torna a sua obra memorável. Quando você tenta se moldar apenas ao que é comercial, corre o risco de apagar a essência da sua história.

Isso não significa que o mercado comercial seja ruim, ele é importante. Existem editores e preparadores justamente para lapidar o seu livro e torná-lo mais atrativo para o público. Mas isso não quer dizer que você precise se encaixar em um gênero que não gosta apenas porque ele está vendendo mais.

Se você escreve fantasia, e o mercado atual não está favorável ao gênero, não pare de escrever fantasia. Escreva o que você ama. Porque a paixão é o combustível da boa escrita.


Confie no seu processo

A escrita não é feita apenas de técnica, ela também nasce da sensibilidade. Confiar na sua intuição ao criar personagens, reviravoltas e emoções é parte essencial do processo criativo.

Outra dica poderosa: observe as pessoas como um escritor.

Repare nos gestos, nos silêncios, nas motivações. A inspiração está em todos os lugares, principalmente nas entrelinhas do cotidiano.


A escrita começa com uma decisão

Ideias não aparecem do nada, elas são provocadas. E você pode provocá-las todos os dias, simplesmente ao observar mais, testar mais e escrever mais.

Escrever é acreditar.

No fim das contas, escrever é um ato de fé. É preciso acreditar na escrita mesmo quando ela parece difícil.

É confiar que as ideias virão e que elas já estão dentro de você, apenas esperando o momento certo para serem lapidadas.


Um exemplo pessoal

Alguns dos meus livros estão “adormecidos” há muito tempo. E isso foi uma decisão consciente.

Há alguns anos, escolhi não publicá-los nem finalizá-los imediatamente, porque sabia que ainda não tinha o repertório necessário para construir aquelas histórias.

E tudo bem.

Essas obras pediam uma complexidade que, na época, a minha maturidade pessoal e literária ainda não era capaz de alcançar. E embora exista um toque de perfeccionismo nisso (algo comum entre escritores), percebi que respeitar o tempo da história é uma forma de amadurecimento.

Não significa que abandonei esses livros. Pelo contrário: eu os guardei com carinho, sabendo que um dia estaria pronta para escrevê-los.

E esse dia viria, porque eu estava me preparando: participando de eventos, lendo mais, estudando mais, vivendo mais.

Cada experiência estava me aproximando do momento certo.


Tenha calma com o seu processo

Todo escritor iniciante quer escrever o primeiro livro e isso é maravilhoso. Essa é uma meta importante e deve ser cumprida.

Mas é essencial lembrar: nem todas as histórias precisam nascer agora. Alguns livros pedem tempo, repertório e maturidade.

Comece pelo livro que você se sente preparado para escrever hoje. Existem gêneros e subgêneros mais simples, ideais para o início. Foque neles, construa sua confiança e aprenda com o processo.

A escrita é um caminho e cada história tem o seu momento de florescer.


Sobre o que você quer escrever

Antes de começar qualquer história, é essencial ter em mente o tema principal.

Sobre o que você quer escrever? O que você quer criar? E talvez o mais importante: para quem você quer escrever?

Definir o seu público é o primeiro passo: será que você quer escrever para crianças, jovens ou todas as faixas etárias? Cada público pede uma linguagem diferente.

A escrita voltada para crianças, por exemplo, precisa ser mais leve e lúdica, enquanto os jovens já estão acostumados com uma linguagem mais direta e dinâmica.

1. Escolha o gênero

Antes de tudo, decida em qual gênero literário você vai trabalhar. Terror, ficção científica, ficção adolescente, aventura, drama, fantasia, romance...

Escolha aquele que mais conversa com você — e que desperta a sua vontade de criar.

2. Descubra o que vale a pena ser contado

Pergunte-se:

  • Sobre o que, de fato, se trata a minha história?
  • Ela é inspirada em experiências pessoais?
  • Que tipo de narrativa quero trazer ao mundo?

Essas perguntas ajudam a encontrar o propósito da sua escrita.

Nos próximos posts, vou compartilhar um passo a passo mais detalhado para te ajudar a construir esse processo.

3. Escolha um subtema

Escolha um subtema relevante para usar como plano de fundo da sua história — isso tornará sua narrativa mais profunda e rica.

Criar uma história longa demanda tempo e disciplina. É preciso pensar no enredo, na personalidade dos personagens, nas descrições, nos diálogos e no fluxo temporal ao longo da trama.

4. Planeje o seu livro

Elaborar um roteiro inicial, com tópicos e subtópicos, é fundamental para manter a organização e a coerência da narrativa.

Use experiências próprias, observações do dia a dia e até pessoas reais como inspiração para criar personagens autênticos.

Escolha a sua rota e comece a escrever.

No próximo post, vou abordar sobre organização literária: como estruturar o seu livro e montar o planejamento ideal para manter o foco e o ritmo da escrita.

Então, fique comigo nessa jornada, porque o próximo post será imprescindível.

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Sou escritora, formada em Licenciatura em Letras e tenho me aprofundado em Sociologia e Filosofia. Atualmente, atuo na área de Marketing, explorando estratégias, comunicação e comportamento humano. Minha trajetória é guiada pela busca constante por conhecimento, reflexão crítica e conexão entre ideias, pessoas e contextos sociais.


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