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No post de hoje, quero conectar algumas ideias que já abordei: no capítulo 9, sobre a necessidade de ser socialmente aceito, e no capítulo 10, sobre como o ambiente pode te influenciar profundamente. O tema desta vez é: não permitir que os seus paradigmas e os paradigmas das outras pessoas limitem quem você é. Ou seja, não ter medo de romper crenças antigas e também se proteger das crenças que tentam impor a você.

Mas o que são paradigmas?

São modelos mentais, padrões e estruturas de crenças que moldam a forma como cada indivíduo enxerga o mundo. É como se cada pessoa utilizasse um “par de óculos” específico para interpretar a realidade. Esse conjunto inclui conceitos, opiniões, suposições, teorias e até as coisas que achamos óbvias. Algumas delas se baseiam em fatos; outras, apenas em vivências pessoais ou crenças populares. E é fundamental entender que o paradigma de alguém não necessariamente funciona para todos.

O propósito deste capítulo é reconhecer que você desenvolveu a sua autenticidade. A partir disso, chegamos à etapa em que você precisa aprender a não aceitar paradigmas que não se alinham ao que você acredita e, ao mesmo tempo, trabalhar para superar os seus próprios paradigmas negativos.

Pense assim: se você já organizou seus pensamentos, desenvolveu novos hábitos, criou uma rotina mais saudável e sente que está vivendo de acordo com quem realmente deseja ser, então o próximo passo é manter-se firme nessa essência.

Como fazer isso?

Primeiro: quebrando velhos paradigmas que podem tentar retornar, como o medo de rejeição ou abandono, que são crenças internas muito fortes e, por isso, insistem em reaparecer.

Segundo: não permitindo que outras pessoas depositem em você sistemas de crenças que não fazem sentido para a sua vida.

E é aqui que a relação com os ambientes se fortalece. Ambientes são necessariamente os grupos de pessoas que você se relaciona e os grupos carregam suas próprias formas de pensar, interpretar e reagir ao mundo. De maneira totalmente inconsciente, as pessoas acabam transmitindo seus paradigmas para quem convive com elas.

Por exemplo: indivíduos que enxergam tudo de forma negativa podem repetir frases como:

“Tudo é difícil.”

“Nada vem fácil.”

“Sorte não existe, só azar.”

Se você está constantemente cercado por esse tipo de mentalidade, a pressão para aceitar essas “verdades” aumenta. A influência do grupo é poderosa. É um efeito de massa: quanto mais pessoas acreditando na mesma coisa, mais você se sente tentado a concordar. É como se o “óculos dos paradigmas” ficasse maior e tentasse cobrir também a sua visão.

Por isso, manter uma mente forte e consciente é essencial. Quando você se afasta de ambientes que não refletem quem você quer ser, torna-se muito mais fácil perceber o que é coerente com a sua essência e o que está tentando te distorcer.

A grande chave é essa: proteger sua autenticidade de antigos padrões internos e de crenças externas que não pertencem a você.

Como mencionei no capítulo anterior, às vezes as crenças de um ambiente são, de fato, válidas e até positivas, porém, se não condizem com a realidade que você deseja construir, elas não são boas para você. Não atendem ao seu propósito, às suas ambições ou ao futuro que você visualiza. Ou seja: você pode estar em um ambiente considerado “bom”, mas, se ele não funciona na direção da vida que você almeja, ainda assim ele não é adequado para o seu crescimento.

Além disso, muitos paradigmas de outras pessoas se baseiam em fatos. Por exemplo: quando você conta para alguém que começará a praticar algum esporte, e há quem diga: “Cuidado, você pode se acidentar.” E é verdade, existe o risco. Porém, você deixaria de praticar um esporte que ama ou de perseguir um sonho, como se tornar atleta, piloto ou qualquer profissão minimamente perigosa, apenas porque há possibilidade de algo dar errado? Muitas vezes, quem está ao seu redor acredita genuinamente que é difícil chegar lá, que há riscos demais, que “quase ninguém consegue”. Essas pessoas não dizem isso com má intenção, mas se você sabe o que quer e está ciente dos riscos, não tem como evoluir sem, inevitavelmente, quebrar esse paradigma.


Autenticidade é pagar o preço de viver a sua verdade

Eu acredito que muitas pessoas já passaram pela sensação de viver dentro de uma realidade e, ainda assim, contestá-la por não se sentir pertencente. Isso é totalmente normal. É natural desejar outras realidades, outros futuros. E, como eu disse, esse processo dificilmente será simples, sempre haverá resistência quando você tenta transitar de um ambiente para outro. Mas a existência, no fundo, é sobre isso: quebrar paradigmas.

Quebrar paradigmas exige autorresponsabilidade, autoestima, autoconhecimento, automerecimento e foco. É olhar para si e dizer: “Eu entendo os riscos e estou disposto a arcar com as consequências.”

Quando você escolhe algo para sua vida, muitas pessoas vão reagir tomando a si mesmas como referência. Você vai ouvir: “Eu não faria isso.” Mas é importante lembrar: isso diz mais sobre elas do que sobre você. Nem sempre é inveja, às vezes, é apenas medo, falta de coragem ou o fato de que aquela escolha simplesmente não corresponde ao que elas querem para si.

É justamente nesses momentos que você precisa sustentar sua decisão, saber o que quer, onde está pisando e estar disposto a segurar a barra das próprias escolhas. Isso inclui, muitas vezes, dizer “não” às pessoas e aos paradigmas delas. Dizer: “Isso funciona para mim. É isso que eu quero.”

Sim, você pode perder amizades durante esse processo. Algumas pessoas não vão gostar do fato de você transitar de uma realidade para outra, porque ao fazer isso, você quebra um pacto invisível firmado com o grupo. E, muitas vezes, esses pactos ferem nossa autenticidade. O problema é que, se você permanece preso a eles, deixa de viver a vida que nasceu para viver.

Mas eu afirmo, com propriedade: quem realmente gosta de você vai continuar ao seu lado. Talvez essa pessoa não concorde com sua decisão, talvez questione, mas vai apoiar, porque enxerga o seu compromisso consigo mesmo. Claro, estou falando de escolhas corretas, aquelas que engrandecem seu repertório, fortalecem sua mente, expandem sua vida. E, curiosamente, é justamente nesses cenários que encontramos as maiores barreiras.

Pense: quando alguém decide fazer algo ruim, sempre existe quem incentive. É fácil encontrar companhia para caminhos que nos diminuem. Mas quando decidimos fazer algo bom, algo que exige coragem, crescimento, mudança, é raro encontrar apoio. As pessoas vão procurar todos os motivos para te dissuadir. Não porque querem te destruir, mas porque querem que você entenda a realidade delas, que você continue no paradigma que elas conhecem.

  • Se você quiser empreender, vão dizer que é impossível, porque no Brasil é difícil.
  • Se quiser fazer concurso, dirão que não vale a pena, porque tem poucas vagas e muitos candidatos.
  • Se quiser largar a faculdade para buscar um caminho mais alinhado com o que ama, vão dizer que você “já começou, então deve terminar”.
  • Se quiser trabalhar em algo que paga menos, mas te traz paz de espírito, vão questionar, porque para elas, prosperidade significa outra coisa.

Mas é essa a questão: autenticidade não é prosperar na mesma régua.

Para algumas pessoas, prosperidade é paz. Para outras, é velocidade, conquista, ambição material. E os dois caminhos são válidos. O que importa é: qual deles é correto para você?

Existem muitas formas de viver uma vida correta, mas cabe a você descobrir qual é a sua.

Para finalizar, eu quero reforçar: as pessoas nem sempre colocam crenças e paradigmas sobre nós por maldade. Muitas vezes, elas fazem isso porque, de forma inconsciente, querem manter a harmonia, querem validar que a realidade delas é a correta. Elas não compreendem que é possível viver bem sendo diferente da maioria.

Se cada um entendesse que é normal sermos diferentes, termos nossos próprios pensamentos críticos, nossos próprios destinos, então talvez viveríamos mais livres, e menos performáticos diante das expectativas de uma sociedade que tenta padronizar o que deve ser uma vida feliz.

 

Este texto talvez seja um dos mais importantes desta série de conteúdos. De tudo que aprendi e compreendi sobre autenticidade, nada é mais crucial do que a escolha adequada dos ambientes.

Entenda: os ambientes não apenas moldam quem você é no dia a dia, mas também têm o poder de potencializar ou corroer suas qualidades. Você pode se tornar uma pessoa ainda melhor, ou, ao contrário, ser influenciado negativamente. O ambiente exerce uma força gigantesca sobre cada indivíduo, pois representa o coletivo.

Sabe quando seus pais dizme que algumas pessoas são “más influências”? Muitas vezes, eles podem estar certos. Pela experiência, eles já viveram o suficiente para saber que há pessoas que não conseguem conduzir e orquestrar um ambiente de forma saudável e isso afeta diretamente quem está inserido ali. Essa, aliás, é a verdadeira força de um ambiente: ele molda comportamentos.

O ditado “quem anda com porcos, farelos come” exemplifica de forma absoluta a dinâmica social: o meio influencia quem você se torna. Se você está cercado por pessoas que valorizam estudo, ética, ações construtivas e princípios, naturalmente sentirá essa pressão positiva e se alinhará a ela. Por outro lado, se o ambiente é dominado por práticas negativas, discursos destrutivos ou até comportamentos criminosos, você também pode ser levado a adotar tais condutas.

Não adianta afirmarmos que não somos influenciáveis. Se convivemos com maus hábitos, cedo ou tarde, seremos tentados a reproduzi-los. Às vezes, fazemos isso até como uma estratégia de sobrevivência, para não nos sentirmos inadequados. Entender que nós como seres humanos, possuimos essa sombra, é extremamente útil para nos tornarmos mais maduros.

Sabe quando dizem que uma pessoa é mudou porque passa a agir de forma diferente? Isso geralmente ocorre porque ela foi inserida em um ambiente que pressionava sua adaptação. E, nesse processo, outros podem interpretar mudanças como “influência”. Todos nós somos, de certo modo, influenciáveis, dependendo do ambiente em que estamos. Por isso, a escolha do espaço em que vivemos é tão decisiva.

Ambientes negativos constroem narrativas, dinâmicas e até ataques sutis à nossa autenticidade: opiniões passivo-agressivas, piadas com afinetadas, olhares de julgamento… tudo para que você se encaixe. E, diante dessa pressão, a verdade é que só existem duas saídas: ou você se alinha ao grupo, ou você vai embora.

É exatamente por isso que é muito mais saudável se afastar de pessoas com hábitos que não condizem com a vida que você deseja construir, pessoas indisciplinadas, grupos que normalizam comportamentos autodestrutivos, ambientes onde irresponsabilidade e apologia a atitudes nocivas são tratadas como norma.

Nós somos, sim, uma média das pessoas com quem convivemos. E a frequência do ambiente, seja ela elevada ou baixa, inevitavelmente nos impacta.

Gosto muito de algo que a filósofa Lúcia Helena Galvão sempre diz: “é importante depurar o gosto.”

Quando frequentamos ambientes que nos puxam para baixo, que provocam queda de hábitos, perda de energia, ausência de ética e responsabilidade, seremos influenciados, mesmo que não participemos ativamente. Estando ali, estamos absorvendo.

Da mesma forma, é impossível não ser transformado quando entramos em espaços de alta vibração: ambientes com bons hábitos, cultura do respeito, estética harmoniosa, músicas suaves, convivência ética.

Nós nos refinamos quando o ambiente nos eleva.

Por isso, depurar o gosto é essencial para a qualidade de vida.

E quando falo de “gosto”, não me refiro apenas ao gosto estético superficial, mas à escolha consciente por tudo aquilo que é harmônico, íntegro, autêntico, alinhado com nossos valores. Porque o gosto é, também, uma expressão ética.

Para resistir à força do ambiente, é necessário ter uma mente autêntica e bem estruturada. A pressão é comparável a uma força gravitacional: opressora e constante. E não se trata de uma manipulação deliberada; muitas vezes, a força do ambiente decorre de padrões socialmente aceitos por cada grupo.

Cada comunidade possui suas ideologias e normas implícitas. Se você não se enquadra nesses padrões, a pressão se torna intensa, seja para seguir um caminho virtuoso ou para ceder a práticas negativas.

Vamos destrinchar mais profundamente essa relação entre ambiente, autenticidade e escolhas individuais.


A autenticidade não resiste onde o ambiente a sufoca

Praticamente tudo o que escrevi nos posts anteriores foi para chegar a este ponto: a importância de reconhecer o quanto é difícil preservar a própria autenticidade em ambientes que divergem do que você realmente deseja.

Muitas vezes, o ser humano nasce em um contexto que, ao longo do crescimento, percebe que não representa quem ele é. Como mencionei no post sobre os impactos da pobreza, às vezes crescemos em ambientes barulhentos, onde comportamentos e crenças prejudiciais são normalizados. Em outros textos, falei sobre traumas de abandono e rejeição, sobre o quanto desenvolvemos, desde a infância, um sistema de crenças que precisamos desconstruir para nos tornarmos autênticos. Para isso, é necessário confrontar pensamentos e padrões que não funcionam para nós.

O ambiente exerce uma força imensa nesse processo. Se você está cercado por pessoas que validam pensamentos de abandono ou reforçam padrões limitantes, é extremamente difícil quebrar essas barreiras. No post sobre não aceitar a mediocridade, discuti como certos grupos socializam a ideia de que devemos nos contentar com pouco, que escolher demais é inútil. Mas, se você acredita que merece mais, está divergindo da norma desse grupo, e a pressão para que você se alinhe será constante. Eles sempre terão argumentos para desacreditar suas escolhas, questionar seus padrões e tentar rebaixar suas expectativas.

Essa força do ambiente é evidente quando você muda de contexto. Ao sair de um espaço que não fazia sentido para você, pode perceber mudanças internas: ao rever pessoas antigas, muitas vezes ouve comentários como “Você mudou, nem lembra mais como era antes”. E é verdade: você mudou porque não ressoa mais com aquele ambiente.

O impacto de um ambiente negativo é enorme. Se você permanece em um contexto que puxa você para baixo, será constantemente influenciado por crenças limitantes alheias: ouvir todos os dias que algo ruim vai acontecer, que você não merece, que deveria se contentar com pouco, acaba criando hábitos mentais que reforçam essa narrativa. A consequência é a normalização da mediocridade e a internalização da sensação de que o esforço pode não levar a lugar algum — e isso não é falha sua, é um efeito direto do ambiente.

O ambiente, portanto, molda não apenas nossas escolhas, mas também nossa autoestima e nossa capacidade de ser autêntico. Escolher bem o espaço em que você vive é, muitas vezes, tão importante quanto qualquer outro esforço de desenvolvimento pessoal.


Relato pessoal: Permanecer fiel a mim mesma, apesar da força do coletivo

Sempre tive ambições diferentes e busquei mudanças. Desde cedo, dentro da minha família, eu gostava de experimentar coisas novas, de alterar o ambiente, de conhecer novas experiências. O cotidiano, para mim, nunca parecia suficiente. Eu sempre fui curiosa e inquieta.

No entanto, as pessoas ao meu redor diziam coisas como “você nunca está satisfeita” ou “deveria se contentar”. Meu ambiente familiar exercia muita pressão, e em determinado momento comecei a acreditar que talvez fosse melhor me conformar, diminuir minhas ambições e não sonhar tanto, já que tudo parecia difícil e escasso.

Apesar disso, eu possuía uma força interna: sempre fui automotivada e, mesmo sentindo a pressão do ambiente, resistia, inicialmente de forma inconsciente, depois de forma cada vez mais consciente. Eu me mantive firme em relação aos meus sonhos, mesmo diante da pressão para me adequar e diminuir minhas expectativas.

Esse processo mostra que, mesmo uma pessoa automotivada, é difícil manter a autenticidade e o compromisso consigo mesma. O ambiente tem um peso enorme: ele aprisiona, traz crenças complexas e enraizadas que nos limitam. E muitas vezes, não é culpa das pessoas, mas sim da própria natureza do ambiente, que exerce resistência e dificulta que você siga o que realmente deseja.


Como podemos passar de um ambiente que não nos faz bem para outro que esteja alinhado com o que desejamos?

Primeiro, é importante entender que existem ambientes bons. Você pode, inclusive, estar em um ambiente que é considerado bom para muitas pessoas, mas que, para você, não faz sentido. Por exemplo, você pode estar em um bom ambiente de estudo ou trabalho, mas decidir que quer uma vida mais pacata: morar no interior, plantar, cuidar de animais, ter uma rotina mais tranquila. Mesmo sendo um ambiente positivo, ele não está alinhado com os seus objetivos ou estilo de vida.

Quando decidimos ir em direção a um novo ambiente, mesmo que esse novo lugar seja igualmente bom, surge resistência. As pessoas que permanecem no ambiente antigo tendem a não aceitar bem essa transição. Em grupos, o coletivo busca harmonia. Essa harmonia, muitas vezes inconsciente, se baseia na manutenção de padrões semelhantes de comportamento e pensamento. Mudanças individuais quebram essa uniformidade, e o grupo reage, ainda que de forma sutil ou inconsciente.

Essa resistência ocorre tanto em ambientes considerados bons quanto em ambientes ruins. No entanto, nos ambientes ruins, a resistência é ainda maior. Se alguém deseja sair de um ambiente de menor qualidade para buscar algo melhor, o grupo fará de tudo para mantê-la ali. Existem duas razões principais para isso:

  1. O grupo percebe que, ao querer sair, a pessoa evidencia a mediocridade do coletivo. Para proteger sua autoimagem, o grupo tenta invalidar a decisão de mudança.
  2. O grupo busca manter a unidade e a harmonia interna. Há um conjunto de crenças, muitas vezes inconscientes, que obriga todos a permanecerem alinhados, evitando divergências.

Portanto, a harmonia que mencionei não é sobre convivência amigável ou cordialidade; é sobre manter todos em uma linha de pensamento similar. Quando alguém tenta se tornar mais autêntico ou seguir um caminho diferente, essa harmonia se vê ameaçada, e a resistência surge, consciente ou inconsciente.

Quem você se torna é uma consequência dos grupos que escolhe frequentar

Quando falo de ambientes, não me refiro exatamente a um local físico. Ambientes, nesse contexto, são grupos de pessoas. E esses grupos moldam quem você é. Se você possui autenticidade, consegue transitar entre diferentes grupos e até se afastar quando necessário. Mas se a sua autenticidade ainda não está bem desenvolvida, será difícil resistir às ideias e hábitos do grupo, mesmo que você discorde ou conteste algumas coisas.

É por isso que, muitas vezes, vemos pessoas adiquirindo maus hábitos ao conviver com más companhias. Nem sempre a pessoa tinha esses comportamentos antes; o ambiente e o grupo exercem uma força enorme sobre quem somos. E essa força se manifesta principalmente nos hábitos.

E o que são esses hábitos?

São ações repetidas constantemente, e são essas ações que moldam o caráter. Você pode ter toda a sabedoria e conhecimento de valores que aprendeu em casa, mas ao entrar em um grupo cujos membros não compartilham desses valores, a influência é inevitável. Maus hábitos se espalham: indisciplina, preguiça, críticas constantes, julgamentos, tudo isso impacta diretamente seu caráter. É a metáfora da maçã podre.

O caráter é medido pelas atitudes, não apenas pelos pensamentos. Uma pessoa pode saber o que é certo, ter opiniões éticas e corretas, mas, se adota hábitos errados, seu caráter é comprometido. Portanto, o maior poder do ambiente é moldar nossos hábitos.

Por outro lado, ambientes positivos também têm esse efeito. Estar em grupos que buscam crescimento, praticam o bem, tratam as pessoas com respeito e alegria faz com que você também se torne assim. O ditado “você é a média das cinco pessoas com quem anda” é real: o ambiente molda quem você é.

A grande lição é clara: mudar de vida, preservar ou fortalecer a autenticidade e buscar crescimento pessoal passa, essencialmente, por escolher bem os ambientes em que você se insere.

Além dos ambientes relacionados aos grupos com os quais você convive, existe também o aspecto dos ambientes físicos — especialmente o lugar onde você mora. Esse fator impacta fortemente sua autenticidade, sua autoestima e suas emoções.

No livro A Mágica da Arrumação, de Marie Kondo, ela afirma que apenas o ato de arrumar a casa já transforma a vida, organiza a mente e regula as emoções. Ela inclusive desenvolve um método para isso. Nesse sentido, o ambiente em que você vive, geralmente o seu lar, influencia diretamente sua mentalidade e seu estado emocional, podendo gerar boas sensações, melhorar o humor e proporcionar mais qualidade de vida. Ambientes desordenados amplificam a desordem da mente; ambientes organizados clareiam pensamentos e elevam a autoestima.

Quando você decide reformar, reorganizar ou decorar seu espaço físico com uma estética harmônica e alinhada ao que você realmente gosta, esse ambiente passa a refletir sua autenticidade. Visualmente, ele representa aquilo que você almeja. Todos os dias, essa estética irá dialogar com você, proporcionando alegria, bem-estar e um sentimento de pertencimento. Sua casa passa a ser um reflexo de quem você é, e ao perceber isso, você experimenta paz, identidade e estabilidade emocional.

Da mesma forma, ambientes limpos e bem cuidados afetam de maneira muito significativa o seu estado interno. Embora o ser humano consiga sobreviver em ambientes sujos ou desorganizados, isso não significa que continuará bem emocionalmente. Cuidar da limpeza, da ordem e da estética do lugar onde você mora cria um impacto direto na maneira como você pensa e sente.

Portanto, o ambiente, tanto físico quanto socia, exerce uma força enorme sobre sua vida. Se você não está em lugares ou convivendo com pessoas que façam sentido para sua história, isso inevitavelmente gerará confusão interna, dúvida de identidade e baixa autoestima. Primeiro, você pode se sentir rejeitado, por não corresponder às expectativas daquele ambiente. Segundo, você pode acabar rejeitando os outros, porque simplesmente aquilo não ressoa mais com quem você é.

Por isso, é essencial buscar ambientes que se conectem com aquilo que você almeja. E, infelizmente, isso pode exigir deixar certas relações para trás, ou ao menos, se afastar. Nem sempre é necessário cortar vínculos; às vezes, o afastamento basta para reduzir conflitos e criar espaço para que, futuramente, os caminhos possam se alinhar novamente.

Cada pessoa vive um momento diferente da vida. Às vezes, você e alguém que ama não estão no mesmo estágio, mas se não houver um afastamento temporário, o desgaste e o conflito podem ser ainda maiores. O afastamento pode ser, muitas vezes, a solução mais saudável.

E, por fim: não tenha medo de ficar sozinho. Às vezes, estar só é justamente o que abre o espaço necessário para que o ambiente da sua vida seja reconstruído de forma coerente com aquilo que você realmente é.

Esse foi o post de hoje. Espero que este conteúdo provoque reflexão sobre o quanto os ambientes têm influenciado sua vida, seus desejos e a forma como você se percebe. Que você observe, com mais consciência, se o lugar onde está, física ou socialmente, está fortalecendo quem você é ou diluindo sua identidade.

Não permita que ambientes o influenciem a ponto de você se perder de si mesmo.

Se este conteúdo fez sentido para você, inscreva-se para receber os próximos textos e continuar acompanhando esta série sobre autenticidade.

 

No post anterior, abordei sobre a importância de adicionarmos limites às pessoas para que possamos manter amizades saudáveis. O tema de hoje também se conecta com esse assunto, mas sob outra perspectiva: o âmbito social e os ambientes em que estamos inseridos.

Mais adiante, em capítulos futuros, discutirei sobre o quanto o ambiente influencia diretamente a sua vida, sua mentalidade e sua autoestima. Porém, neste texto, quero me concentrar em algo específico: as convenções sociais e o quanto elas roubam a nossa autenticidade.

Quando somos crianças, somos naturalmente livres. Temos gostos próprios, diferenças, curiosidades, e tudo isso é genuinamente aceito por nós mesmos. Mas ao longo do caminho, enquanto crescemos e começamos a adquirir crenças e hábitos vindos da convivência social, passamos a nos ajustar para caber no grupo, para sermos aceitos, para coexistirmos em harmonia.

E sim, viver em harmonia é importante, sobretudo enquanto aprendemos a existir no mundo, como crianças e adolescentes. No entanto, quando chegamos à vida adulta, também é essencial reconhecer o que deixamos pelo caminho para conquistar essa harmonia.

Em diversos posts desse tema, já falei sobre autenticidade. Hoje, quero expandir esse olhar para refletirmos juntos: o quanto as convenções sociais podem minar nossa autoestima, apagar quem somos?


E o que quero dizer com: O que é socialmente aceito, na maioria das vezes, não é para você?

Eu quero dizer com essa frase, que podemos sim, nos encaixar em determinados momentos, eventos e ambientes sociais. E é importante sabermos ler os contextos, entender como se comunicar, como nos portar, e isso é ótimo para garantir harmonia ao convívio. Porém, o que não podemos é nos transformar em personagens para caber em qualquer lugar, apagando nossa individualidade como seres humanos.

Esse apagamento é, para mim, uma das maiores causas da baixa autoestima hoje.

Muitas pessoas não sabem quem são. Sentem que precisam se encaixar para serem validadas. Acreditam que só terão valor se forem parecidas com o grupo. Assim, deixam de se sentir relevantes no mundo, deixam de perceber que têm voz, porque nunca se olharam como indivíduos, apenas como parte de um coletivo.

O modelo educacional, e o modelo do mundo como um todo, sempre buscou formar “iguais”. Isso não significa que não possamos ter afinidades, gostos em comum, ou partilhar comportamentos semelhantes quando estamos em grupo. Mas é fundamental reconhecermos o que nos diferencia, porque, se não cultivarmos nossas diferenças, passamos a matar nossa autoestima aos poucos.

E autoestima não é só sobre o que pensamos de nós mesmos. Ela também está ligada à percepção do outro e ao impacto psicológico disso em nós. Por isso, precisamos aprender a equilibrar as duas coisas: compreender o mundo e, ao mesmo tempo, não nos dissolver nele.

Sim, algumas pessoas chamam esse ajuste de “máscara social”, uma forma estratégica de evitar atritos e conviver com mais leveza. Isso é natural. Mas é igualmente essencial que, ao estarmos sozinhos, saibamos quem realmente somos. Não podemos nos ajustar tanto a ponto de não nos reconhecermos mais.

O objetivo deste post é justamente esse alerta: nem tudo que é visto como uma convenção social é para você.

Vou dar um exemplo simples: imagine uma pessoa tímida. No mundo atual, já sabemos que existem personalidades diversas, introvertidas, extrovertidas e tudo entre esses extremos. Se essa pessoa entra em um ambiente de trabalho ou de convívio onde sua forma de ser não é compreendida ou respeitada, o problema não é ela, o problema é o ambiente.

Porque, muitas vezes, acreditamos que a maioria está certa apenas por ser maioria. O cérebro humano tende a usar números como prova. Mas, quando falamos de identidade, respeito e autenticidade, a maioria nem sempre está certa.

Outro exemplo importante é o das pessoas neurodivergentes. Muitas vezes, elas não se comportam de acordo com o que é socialmente esperado e isso não tem absolutamente nada a ver com falta de educação, desinteresse ou inadequação. É uma questão neural, biológica. Hoje já existe conhecimento científico suficiente para comprovar que cérebros neurodivergentes funcionam de forma diferente dos cérebros neurotípicos e, portanto, o comportamento, o ritmo, a comunicação e o raciocínio também são diferentes.

Se pessoas neurotípicas não conseguem compreender essa diferença, o problema não está na pessoa neurodivergente, mas sim na maioria que ainda insiste em interpretar o que é diferente como “errado”.

Eu falo isso com propriedade, sendo uma pessoa neurodivergente. Durante muitos anos, eu me senti inadequada, deslocada, “fora do padrão”. Sofria tentando forçar meu comportamento a caber dentro de expectativas sociais que nunca foram feitas para mim. Só quando compreendi o verdadeiro motivo por trás dos meus comportamentos — a diferença neural — comecei a perceber que: não existe nada de errado comigo. O erro estava na referência usada para me medir.

Hoje sabemos: pessoas neurodivergentes pensam diferente, possuem raciocínios diferentes e processam o mundo sob outra lógica. Portanto, é natural que não tenham a mesma visão, mentalidade ou formas de agir que pessoas neurotípicas têm.

No entanto, a maioria das pessoas neurodivergentes carrega marcas emocionais profundas. São pessoas que, ao longo da vida, foram repetidamente rejeitadas por detalhes mínimos, por sua forma de falar, de pensar, de ser, por interesses considerados “estranhos”, por diferenças que, no fundo, são apenas humanas. Carregam traumas ligados à rigidez social e à constante sensação de inadequação.

E, por isso, faço questão de alertar: não são apenas os neurodivergentes que sofrem com convenções sociais, pessoas neurotípicas também sofrem. Porque toda vez que um sistema dita como alguém “deveria ser”, todo aquele que não se encaixa sofre. A diferença é que alguns sofrem em silêncio, tentando se moldar, enquanto outros apenas cansam e se afastam.

O coletivismo, de maneira implícita, sugere que as pessoas devam ser parecidas, comportar-se de forma semelhante, pensar de maneira semelhante, existir em uma espécie de igualdade. Mas é fundamental compreender algo: essa igualdade nunca existirá. Nem em comportamento, nem em visão de mundo, nem em mentalidade. As pessoas são diferentes em inúmeros aspectos, biologicamente, neurologicamente, emocionalmente, socialmente e isso é natural. Veja que, quando menciono igualdade, não estou me referindo a aspectos econômicos ou de direitos sociais. Estou falando apenas da ideia de igualdade na personalidade.

Como mencionei anteriormente, é óbvio que, em determinados contextos sociais, precisamos ajustar o nosso comportamento ao ambiente. Isso faz parte da convivência em sociedade. Porém, existe uma linha muito tênue entre adaptação social saudável e descaracterização da própria identidade.

Quando deixamos nossa personalidade de lado, quando nunca fizemos nada além do que é socialmente aceito, quando esquecemos nossas diferenças em troca de pertencimento, pagamos um preço muito alto: a perda da autoestima.

Pode parecer algo pequeno, quase trivial, mas muitas pessoas passam por constrangimentos profundos simplesmente porque não conseguem seguir convenções sociais. Fazem comparações, vivem o pensamento: “Se todo mundo consegue ser assim, por que eu não consigo?”. E, quando esse encaixe se torna impossível, surge o sofrimento.

Esse constrangimento, quando acumulado, pode evoluir para algo muito mais grave: ansiedade social, depressão, sensação de inadequação, perda total de identidade. Porque a base emocional da autoestima está diretamente ligada à pergunta: “Quem eu sou?”

E, quando uma pessoa vive apenas performando socialmente para atender expectativas externas, uma hora a mente cobra. A conta emocional chega. É cansativo e exaustivo sustentar um personagem que não representa a sua essência.

Por falta de autoconhecimento, muitas pessoas seguem no automático. Sem perceber, constroem suas personalidades com base no que é conveniente para o grupo e não com base na própria verdade. E isso vai além do psicológico: afeta estética, escolhas, hábitos, estilo de vida.

Observe os grupos sociais: muitos têm o mesmo estilo de cabelo, o mesmo estilo de roupa, os mesmos hábitos, as mesmas opiniões. Cada grupo, cada microcultura tem um conjunto de regras implícitas sobre como você deve existir para ser aceito. E quando alguém rompe essas regras, quando uma pessoa ousa ser autêntica, não necessariamente “diferente demais”, apenas não idêntica, ela pode sofrer rejeição, constrangimento, perseguição e até linchamento social. Porque, para o coletivo, a autenticidade muitas vezes soa como uma ameaça, quase como um crime.

E quando alguém tem autenticidade muito fincada, quando a sua essência não se dilui, dificilmente um grupo a aceitará por completo. Grupos — para existir — precisam de adesão a uma ordem: comportamentos, estética, linguagem, narrativa. E quem não se adapta totalmente costuma ser excluído.

É por isso que tantas pessoas preferem se encaixar custe o que custar. Porque nada fere mais do que o sentimento de inadequação, de ser visto como alguém “fora do lugar”.


Porque antes de ser parte do mundo, você precisa ser parte de si.

O texto de hoje é um convite para parar de se colocar dentro de caixinhas, principalmente quando elas não representam verdadeiramente quem você é. Trata-se de criar pensamento crítico, reconhecer-se como indivíduo antes de tentar se encaixar em qualquer coletivo. É sobre voltar o olhar para dentro, identificar suas particularidades e fazer escolhas alinhadas com aquilo que realmente faz sentido para você.

Muito se fala em empoderamento dentro de grupos sociais, mas o empoderamento verdadeiro é simples: saber quem você é, compreender o que você gosta e ter coragem de fazer o que deseja. Não existe atitude mais poderosa do que isso. Ainda assim, muitas pessoas continuam vivendo em função das expectativas de um grupo, e não dos próprios desejos. É esse movimento que tem minado a autoestima de tanta gente: a ausência de autoconhecimento. Como saber o que queremos, se nunca paramos para nos perguntar?

Este texto tem como objetivo lançar uma luz sobre esse olhar para si: com mais carinho, mais questionamento e mais intenção. Não há problema em querer pertencer, em socializar, em ser parte de um grupo, isso é humano e é saudável. Mas abdicar totalmente de quem você é, deixando sua identidade de lado para ser aceito, é algo que cedo ou tarde cobra um preço alto.

No próximo post dsobre autenticidade, quero trazer um novo ponto de reflexão: o poder dos ambientes, e como eles moldam, transformam ou até destroem a nossa vida. Continue comigo para seguirmos nessa jornada de questionamento e construção da autenticidade.

Desde a infância, dependendo de onde você nasce, somos ensinados culturalmente a aceitar a mediocridade.

Quero trazer isso para o aspecto de crescer em um ambiente de escassez , que é o que posso trazer da minha própria experiência.

A mediocridade é uma cultura. Ela se torna quase um estilo de vida.

Obviamente, ela está intrinsecamente ligada à educação das pessoas que vivem em contextos de escassez, muito associada à pobreza. Essa educação é transmitida de pais para filhos sem que percebam, não há intenção de ensinar a escassez ou a mediocridade, mas isso acaba acontecendo automaticamente, como parte da herança cultural.

Gostaria de abordar, dois conceitos:

O primeiro é a mediocridade emocional, que tem a ver com aceitar pouco — aceitar receber o mínimo e não acreditar que se merece mais. É quando você se acomoda diante do que tem, como se não houvesse a possibilidade de conquistar algo melhor. Esse é o primeiro conceito, e vamos tratá-lo separadamente.

O segundo é a mediocridade intelectual, que acontece quando a pessoa acredita que não precisa adquirir mais conhecimento. Para ela, a ignorância está confortável o suficiente. Não há curiosidade, nem vontade de aprender algo novo. Vive-se no automático, simplesmente existindo.

Agora, eu quero me aprofundar nesses dois conceitos para que você entenda melhor o que quero dizer com “mediocridade”.

1. A mediocridade emocional

Essa mediocridade tem a ver com o post que escrevi sobre o não merecimento. É justamente o fato de não questionar o próprio valor, de achar que não merece tanto, que está tudo bem aceitar pouco, que “você não é tudo isso”.

Dentro de uma cultura de escassez, existe uma grande falácia: a de que uma pessoa que tem autorrespeito e entende o seu valor é egocêntrica. Quando alguém começa a se valorizar, a se posicionar e a colocar limites, logo é taxado de egoísta.

Esse tipo de conduta social faz com que a pessoa se oprima, se reprima, se restrinja e passe a acreditar que realmente não merece tanto assim. Afinal, se todos dizem que almejar mais é sinal de egoísmo, então o “certo” seria se contentar com pouco.

E é aí que nasce a mediocridade emocional: quando a pessoa aceita ser tratada de qualquer jeito, se acostuma com o mínimo e até se submete a humilhações. Vive de forma passiva — não reage quando é agredida verbalmente, sofre assédio moral, é traída por amigos, familiares ou parceiros — porque acredita que não merece mais do que aquilo.

Existe uma série de consequências quando alguém carrega essa mediocridade emocional. A pessoa ainda não compreendeu que tem valor, que é valiosa. E, por isso, se acostuma com pouco. Às vezes, até se sente mal em cobrar algo do mundo ou em se posicionar de maneira firme, com medo de parecer arrogante.

Essa mediocridade emocional é uma barreira poderosa, e desconstruí-la leva tempo. Leva tempo para alguém que cresceu com a mentalidade de escassez entender que é valioso, que merece mais.

Eu gosto de dizer que todas as pessoas são valiosas, mas o que realmente faz diferença é como elas se mostram para o mundo.

Quando você não se sente merecedora, quando ainda vive sob a influência dessa mediocridade emocional, as pessoas tendem a enxergá-la como alguém frágil, uma “pária” social — alguém que pode ser pisado. E não, isso não é justo. Mas é real.

Por isso, precisamos aprender a nos defender emocionalmente, a colocar limites e a reconhecer o próprio valor. Só assim conseguimos impedir que o mundo e as pessoas determinem quanto valemos.

2. A mediocridade intelectual

A mediocridade intelectual é, basicamente, quando a pessoa não busca evolução. Ela permanece vivendo no automático, imersa em uma ignorância confortável, sem curiosidade por aprendizado. Vive uma vida anestesiante, compensando o excesso de trabalho com diversões superficiais no fim de semana ou se satisfazendo com aprendizados rasos.

E hoje, com a internet, essa mediocridade é ainda mais gritante. A rede nos dá acesso a um universo de conhecimento e cultura como nunca antes. Podemos assistir palestras, aulas, documentários, ler sobre qualquer assunto em poucos segundos. Algo que, antigamente, demandava tempo, livros e acesso a acervos limitados.

Mesmo assim, muitas pessoas ignoram essa abundância de conhecimento. Eu entendo que jornadas de trabalho exaustivas, principalmente para quem vem de uma classe que precisa garantir o pão de cada dia, podem deixar a pessoa em um estado de letargia. Mas isso não significa que a vida precise se resumir a trabalhar e buscar distrações aos fins de semana.

Existe uma cultura de desvalorização do intelectual e do clássico, e isso se tornou algo preocupante. Hoje, é comum ver pessoas sem interesse por arte, filosofia, literatura, ou até mesmo por aprofundar o conhecimento na área em que atuam. As conversas se tornaram mais rasas, pautadas no cotidiano, nas polêmicas da mídia e em opiniões de terceiros.

Grande parte do que se aprende vem de vídeos curtos, manchetes ou pequenos trechos lidos nas redes sociais. As pessoas formam opiniões com base em fragmentos e raramente se interessam por compreender a fundo o que estão opinando.

Claro que nem todos têm tempo para se aprofundar em vários assuntos, e isso é compreensível. Mas o que critico é a quantidade de opiniões sem fundamento, baseadas apenas no senso comum ou em informações superficiais.

Essa mediocridade intelectual nasce justamente do conformismo do senso comum — dessa zona de conforto mental que rejeita o aprofundamento e o pensamento crítico. Refletir exige esforço, e esforço exige abrir mão de uma parte do tempo de lazer. É por isso que pensar criticamente se tornou quase um ato de resistência: porque exige sacrifício.

Mas é esse sacrifício que constrói repertório, bagagem e clareza. E é o que diferencia quem apenas existe de quem realmente entende o mundo e o próprio lugar dentro dele.


Como aprendemos a nos tratar

Eu quero um pouco sobre como somos ensinados a nos tratar desde a infância, principalmente quando crescemos em ambientes de escassez.

Geralmente, é possível perceber que muitas pessoas têm problemas sérios de autoestima — inclusive, já comentei sobre isso em posts anteriores. Grande parte das pessoas foram rejeitadas na infância, maltratadas, ou simplesmente não tiveram os seus sentimentos validados.

Pais, familiares ou cuidadores, muitas vezes, não souberam acolher aquela criança, não entenderam suas emoções e, com isso, transmitiram a ela a ideia de que não era suficiente.

Quando essa criança cresce, há dois caminhos mais comuns: ou ela se torna um adulto frustrado e depressivo, ou se torna alguém que se trata da pior forma possível, se coloca nas piores situações, se autossabota, aceita pouco, se anula.

Obviamente, não é culpa de ninguém ter sido criado dessa maneira. Mas, a partir do momento em que você se torna adulto, com 25, 30 anos, ou mais, e ainda repete comportamentos que demonstram falta de autocuidado, é sinal de que você está errando consigo mesmo.

Ao longo dos anos, percebi que muitas pessoas são tão frustradas que não conseguem lidar bem quando encontram alguém que cresceu com amor-próprio. E eu entendo que deve ser difícil. Não é à toa que, muitas vezes, surge a desconfiança: “Ah, esse tal de amor-próprio nem existe.”

Essas pessoas olham para quem se valoriza e rapidamente as chamam de egocêntricas, porque não aprenderam o que é amor-próprio de verdade. Elas de fato, têm uma percepção deturpada da realidade, por terem sido criadas em ambientes onde foram desvalorizadas e não conseguem entender como funciona o autoamor.

E tudo bem se você foi criado dessa maneira. Tudo bem se você ainda age assim.

Mas você pode — e deve — parar por aí.

Isso não é o ideal de vida que você merece. Você merece se entender, se cuidar, se tratar com respeito e compreender que merece o melhor.

As pessoas que cresceram nesse tipo de ambiente aprenderam a se tratar da pior forma possível, ou, talvez, não da pior, mas de uma forma medíocre. Mínima.

E, sinceramente, o mínimo não é suficiente.

Todo ser humano precisa de autoconhecimento. Precisa entender quem é, se tornar verdadeiramente autêntico. O autoconhecimento dói, mas é essa dor que garante o amor-próprio.

Porque o modo como nos tratamos — acreditando que nunca vamos conseguir o que queremos, que tudo é difícil, que o outro tem mais sorte, mais oportunidades — é justamente o que nos afunda.

Esses pensamentos frustrantes não são neutros. Eles corroem.

Por isso, amar-se genuinamente é um processo de descascar as camadas grossas que aprendemos na infância: as camadas do não merecimento, da escassez, do medo da perda.

E quando nos despimos disso tudo, voltamos para nós mesmos e enxergamos, finalmente, o nosso valor. E é aí que tudo muda.

Porque quando passamos a nos ver de verdade — com compaixão, com respeito — também passamos a enxergar o outro com mais clareza.

Ter clareza sobre o que estamos fazendo conosco, sobre como estamos nos tratando mal, é extremamente necessário. Porque, às vezes, você até consegue ver o seu próprio potencial. Você enxerga o seu brilho, reconhece quem é, sente que pode mais.

Mas ainda assim, existe algo que te puxa para baixo.

E isso acontece porque o mundo, além daquilo que aprendemos com nossas famílias, também está cheio de pessoas frustradas. E essas pessoas, muitas vezes, despejam suas frustrações em todos ao redor.

A grande massa vive presa a crenças limitantes:

“isso é difícil de conseguir”,

“esse sonho é grande demais”,

“não se arrisque tanto”,

“melhor ficar onde está”.

Vou te dar alguns exemplos simples e muito comuns:

  • Você quer sair da casa ou do bairro onde mora, e logo alguém diz: “Cuidado, pode acabar indo para um lugar pior.”
  • Quando você quer comprar uma casa e fazer um financiamento? “cuidado para não se endividar.”
  • Quer realizar o sonho de viajar e conhecer outro país? “Ah, esse lugar é perigoso, pode acontecer alguma coisa ruim.”
  • Ou ainda, quando você quer melhorar sua qualidade de vida, trabalhar mais, ganhar mais, alguém fala: “Dinheiro não traz felicidade, cuidado para não se tornar ganancioso.”

Esses são exemplos cotidianos, sonhos que não são impossíveis, que milhares de pessoas já realizaram. Mas, quando alguém com mentalidade de escassez ou frustração ouve isso, ela tende a invalidar o sonho do outro. Porque invalidar o sonho de alguém não é só uma opinião, é destruir, pouco a pouco, a autenticidade de uma pessoa.

E tudo bem se, em algum momento, a gente se frustra. Isso é humano.

Mas precisamos ter muito cuidado com os paradigmas que colocamos sobre os outros.

Cada pessoa tem a sua história, o seu tempo e o seu caminho.

E cada pessoa precisa — e merece — acreditar em si mesma.

Quando você coloca uma barreira em si, ainda dá tempo de se reconstruir. Mas quando você coloca essa barreira no outro, isso pode ser ainda pior. Porque, além de se limitar, você passa a limitar quem está tentando crescer.


Como a mediocridade se tornou socialmente aceitável

É engraçado como hoje é normalizado o fato de alguém gastar bastante tempo no celular, nas redes sociais ou até serem pessoas que causam intrigas e conflitos por pouca coisa, nada que seja de fato relevante. Ninguém mais está em busca de desenvolver as virtudes.

No mundo de hoje, tudo que é verdadeiramente bom é ignorado. E tudo que não engrandece, as coisas mais rasas, são trazidas como algo de valor. Existe uma inversão de valores muito grande, e as pessoas se perderam um pouco e não entendem o que, de fato, é valioso. Existe até uma crítica as pessoas “boazinhas”.

Vou explicar o meu ponto de vista sobre esse fenômeno.

Algumas pessoas se acostumam tanto com a mediocridade que passam a não querer que as outras se sobressaiam. E isso acontece porque elas mesmas não querem mudar. Ser uma pessoa melhor, evoluir intelectualmente, espiritualmente e emocionalmente exige esforço, sacrifício e desconforto. Esse processo tem um custo.

E é justamente por isso que muita gente não quer que o outro ultrapasse essa barreira.

Quando alguém dentro de um grupo de amigos, por exemplo, se eleva, busca mais conhecimento, desenvolve inteligência emocional, amadurece, essa pessoa, sem querer, expõe a mediocridade dos outros.

E isso incomoda.

Não necessariamente por maldade, mas porque o crescimento de um revela o estancamento dos demais. É um espelho difícil de encarar.

Por isso, quando alguém começa a se destacar, sempre há uma força que tenta puxá-la de volta. É quase um fenômeno natural: toda vez que você tenta aprender algo novo, que foge da zona do “comum”, vai sentir a resistência — a força invisível da mentalidade de massa tentando te manter no mesmo lugar.

Essa mentalidade automática, de “pão e circo”, faz com que as pessoas se contentem com pouco: festas, distrações, prazeres imediatos, e deixem de buscar o que realmente traz crescimento, que é o conhecimento e a consciência de si.

É difícil querer crescer, pois toda virtude tem um custo.

  • Para desenvolver a prudência, é preciso pagar o preço da cautela, da reflexão e da análise antes de agir.
  • Para conquistar a temperança, é necessário aprender o autodomínio, moderar os prazeres e os desejos.
  • E para alcançar a resiliência, é inevitável negar a preguiça e enfrentar o desconforto das dificuldades. Porque a resiliência não é a ausência de problemas. A verdadeira resiliência é a capacidade de continuar, mesmo quando tudo parece contrário, mesmo quando a vida insiste em te testar.

Então, toda vez que você quiser subir de nível, sair da estagnação e melhorar os aspectos da sua vida, você vai se deparar com a sua própria resistência dos outros e a dos outros.

Mas nós estamos aqui para evoluir. Ser uma pessoa medíocre, viver no automático, não é justo conosco.

Sempre que você estiver nessa jornada de autoconhecimento, buscando crescer, as pessoas vão te tratar de forma diferente. Algumas podem te isolar, te ironizar, simplesmente porque você está se sobressaindo. E isso acontece porque a autenticidade brilha, ela se destaca.

Autenticidade não é sobre estética, nem sobre o que você tem, é sobre quem você é.

E nada abala mais o ego de um ser humano do que ver alguém sendo autêntico, quando ele mesmo não é. Isso dói, incomoda.

Se você tem pessoas na sua vida que te isolam ou te tratam mal por você estar sendo você — e aqui eu falo de ser você na sua melhor versão, buscando virtudes, e não normalizando erros — entenda que essas pessoas não são para você.

E sim, isso é duro. Às vezes, são pessoas de quem gostamos muito. Mas é preciso se afastar. Não significa odiar essas pessoas, mas compreender que você não pode cultivar a mediocridade dentro de si, especialmente quando está em um processo de autoconhecimento e da busca por autenticidade.

O meio em que vivemos molda o nosso caráter. Se você anda com pessoas medíocres, vai acabar se tornando uma também — frustrada, negativa, incapaz de ver o lado bom da vida.

E não estou falando de ser alienado e ver tudo como positivo, mas de enxergar a vida de forma realista: entender que há dias bons, dias ruins e dias neutros. E o verdadeiro sinal de evolução é saber atravessar todos eles com equilíbrio.

Os meios sempre me assustaram, porque eu sempre soube que, se eu estiver no meio errado, as pessoas daquele meio vão me influenciar. Isso porque, todos nós somos moldáveis.

Se você consome coisas ruins, inevitavelmente vai pensar coisas ruins. Se passa o dia assistindo filmes de terror, não tem como não carregar pensamentos negativos.

Da mesma forma, se você se cerca de pessoas que falam coisas boas, que compartilham conhecimento, que te inspiram a crescer, inevitavelmente você vai evoluir. Os meios são uma ferramenta e você precisa aprender a usá-los a seu favor.

As pessoas têm o poder de nos alavancar ou nos derrubar e o seu objetivo é construir sua mentalidade, fortalecer sua autoestima e cultivar sua autenticidade, você precisa estar diariamente perto de pessoas que também buscam o mesmo.

Porque, a partir do momento em que você dá ouvidos a quem pensa o contrário, é natural que comece a acreditar nessas vozes e desacreditar de si.


Relato pessoal: sobre limites e autenticidade

Durante muito tempo, eu não entendia por que algumas pessoas ultrapassavam os meus limites com tanta naturalidade. Comentários velados, críticas disfarçadas, ironias, tudo isso me acompanhou desde a infância. E, por muito tempo, eu achei que o problema era comigo.

Cresci em um ambiente simples, mas com uma base emocional sólida. Tive a sorte de ser criada por uma figura materna muito forte, minha avó. Foi ela quem me ensinou o valor da autenticidade e me salvou de perder minha autoestima. Só que, ao meu redor, nem todo mundo tinha recebido esse mesmo tipo de amor e validação.

As pessoas que foram tratadas com dureza, muitas vezes, reproduzem essa dureza. E, por não saberem o que é cuidado genuíno, acabam tratando os outros com ironia, competição ou desprezo. Eu demorei para entender isso.

Por muito tempo, deixei que os outros ultrapassassem meus limites, e o pior: eu nem sabia que eram limites. Até que um dia entendi que aquilo que me incomodava, que me fazia sentir pequena, era justamente o que eu não precisava mais permitir.

Hoje eu sei: ter limites claros é um ato de amor próprio. Não é sobre ser frio, distante ou orgulhoso. É sobre saber o que você merece e não aceitar menos do que isso.

Porque quem se conhece, quem se cuida e quem está em processo de evolução, não cabe mais em relações medíocres, aquelas onde a ironia é normalizada, onde o amor vira disputa, e o respeito é raro.

Relacionamentos saudáveis não te diminuem, não te colocam para baixo e nem te fazem duvidar de quem você é.

Então, se tem uma mensagem que eu quero deixar hoje, é essa: Não aceite menos do que o respeito e a verdade que você oferece.

O autoconhecimento não é um caminho fácil, mas é o único capaz de nos libertar das repetições e das mediocridades emocionais. Nunca é tarde para se conhecer, se proteger e se reconstruir.

E, por último, quero dizer: diga “não” quando for necessário.

No próximo post dessa série sobre autencidade, irei abordar sobre como estabelecer limites claros nas amizades, mantendo-as saudáveis.

Inscreva-se e ajude o blog a crescer.

 

Recentemente, eu tenho tido algumas percepções e por conta disso, comecei a criar conteúdo para o TikTok. 

Inicialmente, eu produzia conteúdos de lifestyle, algo mais experimental, sem estratégia definida. Mas, a partir de algumas situações que me inspiraram, comecei a criar conteúdos de opinião. Tenho pensado em trazer isso agora também para o blog, e acredito que pode ser uma boa ideia.

Além da série de posts que já estou preparando para o blog sobre autenticidade, centralização do eu e individualidade, percebi que o que tenho produzido no TikTok se conecta diretamente a esses mesmos temas (autoestima, autenticidade, liberdade e individuação) e por isso, os conteúdos se complementam.

Tenho idealizado um projeto experimental, não como algo recorrente, mas como uma forma de ampliar essa conversa. Paralelo a isso, também estou escrevendo um livro de não-ficção sobre foco no eu, com o objetivo de ajudar outras pessoas a se reconhecerem como autênticas e buscarem sua própria individualidade.

O tema da individualidade é muito forte para mim, tanto pela minha vivência pessoal quanto profissional. Mas não é que eu pretenda parar de criar outros tipos de conteúdos para o blog, apenas acrescentar essa vertente mais experimental que já venho desenvolvendo no TikTok. Atualmente, essas são as plataformas com que mais me identifico, já que não estou ativa no Instagram. O blog me conecta por meio da escrita, que é algo essencial no meu trabalho, e no TikTok tenho explorado essa linguagem em mini vídeos.

Caso eu perceba que esse nicho de opinião realmente se encaixa na minha rotina e no que quero construir na internet, também posso considerar levá-lo para o meu canal no YouTube. Recentemente, mudei todo o canal, que antes falava sobre conteúdo nerd e cultura pop, mas hoje não pretendo seguir mais por esse caminho, até arquivei os vídeos antigos.

Esse é o contexto do post de hoje. Espero que vocês me acompanhem e fiquem ligados para o próximo conteúdo que pretendo trazer.


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Oi, sou Nick!

Sou escritora, formada em Licenciatura em Letras e tenho me aprofundado em Sociologia e Filosofia. Atualmente, atuo na área de Marketing, explorando estratégias, comunicação e comportamento humano. Minha trajetória é guiada pela busca constante por conhecimento, reflexão crítica e conexão entre ideias, pessoas e contextos sociais.


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