No post de hoje, quero conectar algumas ideias que já abordei: no capítulo 9, sobre a necessidade de ser socialmente aceito, e no capítulo 10, sobre como o ambiente pode te influenciar profundamente. O tema desta vez é: não permitir que os seus paradigmas e os paradigmas das outras pessoas limitem quem você é. Ou seja, não ter medo de romper crenças antigas e também se proteger das crenças que tentam impor a você.
Mas o que são paradigmas?
São modelos mentais, padrões e estruturas de crenças que moldam a forma como cada indivíduo enxerga o mundo. É como se cada pessoa utilizasse um “par de óculos” específico para interpretar a realidade. Esse conjunto inclui conceitos, opiniões, suposições, teorias e até as coisas que achamos óbvias. Algumas delas se baseiam em fatos; outras, apenas em vivências pessoais ou crenças populares. E é fundamental entender que o paradigma de alguém não necessariamente funciona para todos.
O propósito deste capítulo é reconhecer que você desenvolveu a sua autenticidade. A partir disso, chegamos à etapa em que você precisa aprender a não aceitar paradigmas que não se alinham ao que você acredita e, ao mesmo tempo, trabalhar para superar os seus próprios paradigmas negativos.
Pense assim: se você já organizou seus pensamentos, desenvolveu novos hábitos, criou uma rotina mais saudável e sente que está vivendo de acordo com quem realmente deseja ser, então o próximo passo é manter-se firme nessa essência.
Como fazer isso?
Primeiro: quebrando velhos paradigmas que podem tentar retornar, como o medo de rejeição ou abandono, que são crenças internas muito fortes e, por isso, insistem em reaparecer.
Segundo: não permitindo que outras pessoas depositem em você sistemas de crenças que não fazem sentido para a sua vida.
E é aqui que a relação com os ambientes se fortalece. Ambientes são necessariamente os grupos de pessoas que você se relaciona e os grupos carregam suas próprias formas de pensar, interpretar e reagir ao mundo. De maneira totalmente inconsciente, as pessoas acabam transmitindo seus paradigmas para quem convive com elas.
Por exemplo: indivíduos que enxergam tudo de forma negativa podem repetir frases como:
“Tudo é difícil.”
“Nada vem fácil.”
“Sorte não existe, só azar.”
Se você está constantemente cercado por esse tipo de mentalidade, a pressão para aceitar essas “verdades” aumenta. A influência do grupo é poderosa. É um efeito de massa: quanto mais pessoas acreditando na mesma coisa, mais você se sente tentado a concordar. É como se o “óculos dos paradigmas” ficasse maior e tentasse cobrir também a sua visão.
Por isso, manter uma mente forte e consciente é essencial. Quando você se afasta de ambientes que não refletem quem você quer ser, torna-se muito mais fácil perceber o que é coerente com a sua essência e o que está tentando te distorcer.
A grande chave é essa: proteger sua autenticidade de antigos padrões internos e de crenças externas que não pertencem a você.
Como mencionei no capítulo anterior, às vezes as crenças de um ambiente são, de fato, válidas e até positivas, porém, se não condizem com a realidade que você deseja construir, elas não são boas para você. Não atendem ao seu propósito, às suas ambições ou ao futuro que você visualiza. Ou seja: você pode estar em um ambiente considerado “bom”, mas, se ele não funciona na direção da vida que você almeja, ainda assim ele não é adequado para o seu crescimento.
Além disso, muitos paradigmas de outras pessoas se baseiam em fatos. Por exemplo: quando você conta para alguém que começará a praticar algum esporte, e há quem diga: “Cuidado, você pode se acidentar.” E é verdade, existe o risco. Porém, você deixaria de praticar um esporte que ama ou de perseguir um sonho, como se tornar atleta, piloto ou qualquer profissão minimamente perigosa, apenas porque há possibilidade de algo dar errado? Muitas vezes, quem está ao seu redor acredita genuinamente que é difícil chegar lá, que há riscos demais, que “quase ninguém consegue”. Essas pessoas não dizem isso com má intenção, mas se você sabe o que quer e está ciente dos riscos, não tem como evoluir sem, inevitavelmente, quebrar esse paradigma.
Autenticidade é pagar o preço de viver a sua verdade
Eu acredito que muitas pessoas já passaram pela sensação de viver dentro de uma realidade e, ainda assim, contestá-la por não se sentir pertencente. Isso é totalmente normal. É natural desejar outras realidades, outros futuros. E, como eu disse, esse processo dificilmente será simples, sempre haverá resistência quando você tenta transitar de um ambiente para outro. Mas a existência, no fundo, é sobre isso: quebrar paradigmas.
Quebrar paradigmas exige autorresponsabilidade, autoestima, autoconhecimento, automerecimento e foco. É olhar para si e dizer: “Eu entendo os riscos e estou disposto a arcar com as consequências.”
Quando você escolhe algo para sua vida, muitas pessoas vão reagir tomando a si mesmas como referência. Você vai ouvir: “Eu não faria isso.” Mas é importante lembrar: isso diz mais sobre elas do que sobre você. Nem sempre é inveja, às vezes, é apenas medo, falta de coragem ou o fato de que aquela escolha simplesmente não corresponde ao que elas querem para si.
É justamente nesses momentos que você precisa sustentar sua decisão, saber o que quer, onde está pisando e estar disposto a segurar a barra das próprias escolhas. Isso inclui, muitas vezes, dizer “não” às pessoas e aos paradigmas delas. Dizer: “Isso funciona para mim. É isso que eu quero.”
Sim, você pode perder amizades durante esse processo. Algumas pessoas não vão gostar do fato de você transitar de uma realidade para outra, porque ao fazer isso, você quebra um pacto invisível firmado com o grupo. E, muitas vezes, esses pactos ferem nossa autenticidade. O problema é que, se você permanece preso a eles, deixa de viver a vida que nasceu para viver.
Mas eu afirmo, com propriedade: quem realmente gosta de você vai continuar ao seu lado. Talvez essa pessoa não concorde com sua decisão, talvez questione, mas vai apoiar, porque enxerga o seu compromisso consigo mesmo. Claro, estou falando de escolhas corretas, aquelas que engrandecem seu repertório, fortalecem sua mente, expandem sua vida. E, curiosamente, é justamente nesses cenários que encontramos as maiores barreiras.
Pense: quando alguém decide fazer algo ruim, sempre existe quem incentive. É fácil encontrar companhia para caminhos que nos diminuem. Mas quando decidimos fazer algo bom, algo que exige coragem, crescimento, mudança, é raro encontrar apoio. As pessoas vão procurar todos os motivos para te dissuadir. Não porque querem te destruir, mas porque querem que você entenda a realidade delas, que você continue no paradigma que elas conhecem.
- Se você quiser empreender, vão dizer que é impossível, porque no Brasil é difícil.
- Se quiser fazer concurso, dirão que não vale a pena, porque tem poucas vagas e muitos candidatos.
- Se quiser largar a faculdade para buscar um caminho mais alinhado com o que ama, vão dizer que você “já começou, então deve terminar”.
- Se quiser trabalhar em algo que paga menos, mas te traz paz de espírito, vão questionar, porque para elas, prosperidade significa outra coisa.
Mas é essa a questão: autenticidade não é prosperar na mesma régua.
Para algumas pessoas, prosperidade é paz. Para outras, é velocidade, conquista, ambição material. E os dois caminhos são válidos. O que importa é: qual deles é correto para você?
Existem muitas formas de viver uma vida correta, mas cabe a você descobrir qual é a sua.
Para finalizar, eu quero reforçar: as pessoas nem sempre colocam crenças e paradigmas sobre nós por maldade. Muitas vezes, elas fazem isso porque, de forma inconsciente, querem manter a harmonia, querem validar que a realidade delas é a correta. Elas não compreendem que é possível viver bem sendo diferente da maioria.
Se cada um entendesse que é normal sermos diferentes, termos nossos próprios pensamentos críticos, nossos próprios destinos, então talvez viveríamos mais livres, e menos performáticos diante das expectativas de uma sociedade que tenta padronizar o que deve ser uma vida feliz.
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