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Eu relutei bastante sobre como começar a escrever este capítulo. Afinal, a amizade é, muitas vezes, um afeto colocado em um pedestal. Em muitos momentos, ela se torna o nosso refúgio, quando a família não nos apoia, quando sequer temos família, quando nos frustramos nos relacionamentos amorosos ou quando sentimos que ninguém nos entende. São as amizades que nos sustentam.

Mas, em determinados momentos da vida, especialmente quando começamos a mudar e a vibrar diferente de alguns amigos, essas relações acabam se deteriorando. Isso não quer dizer que não existam amizades para a vida inteira. Pelo contrário, eu mesma tenho amigos de infância com quem passei por diversas fases e que, ao longo do tempo, foram compreendendo cada etapa da minha vida.

Da mesma forma, também tive amigos que não entenderam as minhas mudanças, não respeitaram meus processos e essas amizades, naturalmente, se perderam.

Com este texto, não quero dizer que você precise acabar com suas amizades. Muito pelo contrário. A proposta aqui é justamente refletir sobre o que podemos fazer para que uma amizade não precise chegar ao ponto de ser rompida.

Muitas amizades se desgastam porque não sabemos nos posicionar. E, muitas vezes, pessoas com anos de convivência passam a acreditar que podem dizer tudo o que quiserem, sem medir limites, o que se assemelha muito à dinâmica familiar. Algumas pessoas nos conhecem desde o nascimento, viram nossas fases mais vulneráveis, e, por algum mecanismo psíquico ou emocional, concluem que podem ultrapassar limites, acreditando que tudo estará sempre bem e que estaremos ali para sempre.

Mas isso não é verdade.

Todos os seres humanos, independentemente de terem ou não autoconhecimento, possuem limites. E quando esses limites são ultrapassados, surgem sentimentos como raiva, frustração e, em alguns casos, até desprezo. Sentimentos que não são saudáveis e que não constroem relações verdadeiras.

Quero iniciar este tema trazendo alguns relatos pessoais.


Relato pessoal: Aprender a dizer não para continuar sendo eu

Eu possuo a personalidade INTJ, um perfil considerado raro entre mulheres. Por isso, ao longo da minha vida, eu me senti bastante incompreendida pelas pessoas em geral e, principalmente, por outras mulheres. Além disso, tenho TDAH, o que, somado a essa personalidade, me coloca ainda mais distante do modelo social do que se espera que seja “o jeito feminino de ser”.

Sempre fui mais racional, mais teórica, enquanto o esteriótipo feminino é sempre sobre ser gentil, e doce. Não vem ao caso esmiuçar todas essas características aqui, mas é importante que você, leitor, entenda algo: existe um código invisível, um código de conduta socialmente aceito sobre como as mulheres “precisam ser”. Acho que já mencionei isso em outros textos que eu nunca consegui e nem quis seguir esse código. Meu cérebro simplesmente nunca processou essa lógica, e eu também nunca dei muita importância a esses códigos de conduta femininos. Mesmo com muita pressão da família ao longo da vida, eu nunca me moldei a esse padrão.

Conforme fui crescendo, tive amizades, mas frequentemente sentia meus limites sendo ultrapassados.

Comentários em forma de piadas sobre o meu jeito de ser, sobre eu ser “racional demais”, aconteciam com frequência. Ainda assim, eu deixava esses limites serem rompidos, porque queria fazer parte daquele meio social, daquele grupo de amizades. Eu gostava daquelas pessoas e prezava por elas.

E esse é o ponto a que quero chegar: muitas vezes, nós toleramos desrespeitos simplesmente para pertencermos. Queremos estar em um círculo de convivência que consideramos agradável, formado por pessoas boas, legais, pessoas de bem. Mas o problema é que até pessoas de bem praticam microviolências, pequenas invalidações, pequenos ataques ao nosso jeito de ser e isso vai nos adoecendo emocionalmente.

E isso não acontece só comigo. Esse é apenas um dos meus relatos, mas é algo que ocorre com muitas pessoas, em contextos diferentes.

Quando eu era mais nova, ainda não tinha consciência da importância de estabelecer limites. Eu via que algumas pessoas sabiam fazer isso com naturalidade: colocavam limites, tinham jogo de cintura. Mas eu não sabia. Com o tempo, fui aprendendo como dizer “não” até para amigos, mesmo lidando com a vontade de não decepcionar ninguém, mesmo tendo que enfrentar o desconforto de ver a reação do outro.

Tive também amizades com pessoas extremamente críticas. E, para mim, sempre foi difícil lidar com isso. Eu nunca gostei de conflitos. Não queria entrar em disputas, desenvolver jogos de acidez ou devolver comentários na mesma moeda. Eu só queria ser agradável, manter as relações em harmonia. Por isso, acabava suportando esses microdesrespeitos.

Houve situações em que eu expressava a minha opinião e simplesmente não era ouvida. A pessoa falava muito, mas não escutava. O ápice de tudo, para mim, foi quando percebi o quanto a ausência de limites estava me afetando mentalmente: uma pessoa começou a me usar como “vilã” da própria história, atribuindo a mim comportamentos que eu nunca tive. Essa pessoa possuía uma visão distorcida do mundo, marcada por traumas, e passou a projetar em mim defeitos que não eram meus,  mesmo me conhecendo há anos.

Trago esse relato para dizer algo muito importante: enquanto criança, adolescente, ou mesmo no início da vida adulta, eu não tinha culpa por não saber estabelecer limites. Isso é um aprendizado. No entanto, a partir do momento em que me tornei adulta, consciente das minhas escolhas e percebi que continuava sendo tratada de uma maneira que eu não gostava, passei a ter também responsabilidade sobre isso.

Se um episódio isolado acontece e conseguimos nos afastar, tudo bem. Mas quando permitimos que comportamentos inadequados se repitam por anos, nós acabamos sendo coniventes com a maneira como somos tratados. Isso acontece muito, especialmente com pessoas mais introvertidas.

E é aí que está a grande lição: precisamos aprender a verbalizar o nosso desconforto. Limites não afastam quem nos ama, eles apenas afastam quem nos ultrapassa.


Limites salvam relacionamentos

O mais curioso é que a gente nunca imagina que um amigo, alguém com quem confiamos segredos, medos e vulnerabilidades, possa algum dia, ultrapassar os nossos limites. Nós idealizamos as pessoas. Idealizamos nossos pais, nossa família, nossos irmãos, nosso parceiro romântico… e também idealizamos nossos amigos.

Criamos a ideia de que amizade é algo sagrado. Mas a verdade é que isso não existe, porque todas as pessoas são humanas e seres humanos são falhos. Em momentos de frustração, exaustão ou desequilíbrio emocional, as pessoas acabam descontando aquilo que sentem nos outros, muitas vezes justamente em quem está mais próximo.

Não estou dizendo que isso torna alguém essencialmente mau. Estou falando da complexidade das relações humanas. Nem todas as pessoas boas serão boas o tempo inteiro, assim como nem todas as pessoas consideradas ruins agirão de forma cruel o tempo todo. É exatamente por isso que é tão difícil separar quem é “bom” e quem é “ruim”. Existem pessoas de caráter duvidoso que praticam atos caridosos e jamais levantam suspeitas sobre sua verdadeira natureza. Da mesma forma, existem pessoas genuinamente boas que, por não saberem lidar com suas próprias emoções, reagem de forma extrema, sendo frias, ríspidas, agressivas ou se isolando em silêncio.

Há pessoas que são amorosas, cuidadosas, solidárias, mas, ao mesmo tempo, machucam quem está à sua volta com palavras ácidas. E esse é o grande dilema dos relacionamentos humanos: a falta de autoconhecimento.

A maioria das pessoas vive em um estado de desequilíbrio emocional. Em alguns momentos agem com empatia, compreensão e gentileza; em outros, ferem, não com xingamentos explícitos, mas com incompreensão, desvalidação e comentários frios e egoístas. Mesmo conhecendo a história do outro, suas dores e limites, ainda assim escolhem soltar observações ácidas. E isso é intencional, sim.

Não importa se alguém é, no fundo, uma “pessoa boa”. Quando existe um padrão de comportamento passivo-agressivo, de acidez verbal ou de negligência emocional, isso é escolha. Pode até ser um reflexo de dores internas, mas continua sendo uma forma de agressão.

E é aí que entra a nossa responsabilidade.

Nós, que buscamos autenticidade e autoconhecimento, precisamos aprender a nos defender emocionalmente. Precisamos aprender a traçar uma linha clara sobre até onde o outro pode ir. Porque, quando não fazemos isso, essas amizades não sobrevivem ao tempo. Não porque a relação tenha acabado por um abuso explícito, mas porque o desgaste silencioso vai minando o vínculo.

Uma pessoa que desrespeita limites normalmente também não se respeita. Falta-lhe amor-próprio e autorrespeito. Quem não consegue se tratar com dignidade dificilmente tratará o outro melhor.

Por isso, se queremos preservar nossas amizades, não basta amar, compreender ou relevar tudo. É essencial aprender a impor limites. Limites não afastam pessoas verdadeiras; eles, na verdade, são exatamente o que torna possível que uma amizade permaneça saudável ao longo do tempo.


Quando verbalizar não é suficiente

É triste perder uma amizade de anos porque não soubemos verbalizar aquilo de que não gostamos. Mas também existe o inverso. Às vezes, nós verbalizamos exatamente o que aceitamos e o que não aceitamos, deixamos claro nossos limites e, ainda assim, a outra pessoa escolhe ultrapassá-los.

Mesmo conhecendo você há anos, mesmo sabendo dos seus valores, da sua história, de quem você é e do que você é capaz, às vezes um amigo que foi bom acaba se tornando um mau amigo para você. Não necessariamente uma pessoa má, mas alguém que, dentro daquela relação, passou a agir de forma nociva.

Existem diversos motivos para isso. Pode ser frustração pessoal, aquele amigo não consegue lidar com as próprias emoções e reações. Pode ser inveja silenciosa da sua autenticidade, seus movimentos de crescimento ou sua fase de vida despertam sentimentos difíceis de controlar em quem não tem autoconhecimento. Pode ser comparação, ressentimento, projeção. 

Para quem não desenvolveu maturidade emocional, esses sentimentos são intensos e, muitas vezes, incontroláveis. E acabam sendo despejados na relação.

Mas é importante dizer algo muito claro: não podemos carregar toda a culpa.

Se você colocou limites, se verbalizou o que te machuca, se pediu respeito mais de uma vez — “eu não concordo com isso”, “eu não aceito ser tratada dessa forma”, “por favor, não fale comigo assim” — e, ainda assim, a pessoa continua no mesmo comportamento, então não há mais nada que você possa fazer.

Não existe autoculpa que justifique as escolhas do outro.

Eu já vivi isso. E é extremamente doloroso. A perda de uma amizade nesse contexto é uma das dores mais difíceis de elaborar. Gera culpa, gera questionamento: “Será que eu não fui clara?”, “Será que eu mudei demais?”, “Será que deixei de ser quem a pessoa esperava?”. Ao mesmo tempo, nasce também a raiva por não ser compreendida, por não ter seu crescimento respeitado, por perceber que a pessoa não acompanhou suas mudanças.

Porque a verdade é: todos nós mudamos. Estamos sempre atravessando novas fases da vida. Isso não significa que nos tornamos “outra pessoa”, mas que estamos em constante transformação.

Eu passei por essa dor e me culpei por muito tempo por não saber verbalizar meus limites com mais firmeza. E é justamente por isso que escrevo esse texto.

Não permita que suas amizades se rompam porque você silenciou o que era importante para você. Não deixe que elas acabem por medo de desagradar, por medo de impor limites ou por permitir que passem por cima de você com opiniões destrutivas.

As pessoas têm o direito de discordar de você.
O que elas não têm direito é:

— de te acusar de algo que você não é;
— de atribuir atitudes que você nunca teve;
— de dizer coisas que sabem que vão te ferir.

Isso é ainda mais sério quando vem de quem se diz amigo. Alguém que te conhece tem a responsabilidade de zelar pelo vínculo,  assim como você também zela pelos seus.

Se você sabe que jamais faria algo para ferir seus amigos, não aceite que eles façam isso com você. Respeito deve ser recíproco.

Esse foi o texto de hoje. Espero que ele traga luz para um tema tão pouco explorado, já que as amizades costumam ocupar um pedestal muito alto, inclusive, durante muito tempo, também ocuparam o meu.

Por enquanto é isso.

Nos vemos no próximo post sobre autenticidade!


Desde a infância, dependendo de onde você nasce, somos ensinados culturalmente a aceitar a mediocridade.

Quero trazer isso para o aspecto de crescer em um ambiente de escassez , que é o que posso trazer da minha própria experiência.

A mediocridade é uma cultura. Ela se torna quase um estilo de vida.

Obviamente, ela está intrinsecamente ligada à educação das pessoas que vivem em contextos de escassez, muito associada à pobreza. Essa educação é transmitida de pais para filhos sem que percebam, não há intenção de ensinar a escassez ou a mediocridade, mas isso acaba acontecendo automaticamente, como parte da herança cultural.

Gostaria de abordar, dois conceitos:

O primeiro é a mediocridade emocional, que tem a ver com aceitar pouco — aceitar receber o mínimo e não acreditar que se merece mais. É quando você se acomoda diante do que tem, como se não houvesse a possibilidade de conquistar algo melhor. Esse é o primeiro conceito, e vamos tratá-lo separadamente.

O segundo é a mediocridade intelectual, que acontece quando a pessoa acredita que não precisa adquirir mais conhecimento. Para ela, a ignorância está confortável o suficiente. Não há curiosidade, nem vontade de aprender algo novo. Vive-se no automático, simplesmente existindo.

Agora, eu quero me aprofundar nesses dois conceitos para que você entenda melhor o que quero dizer com “mediocridade”.

1. A mediocridade emocional

Essa mediocridade tem a ver com o post que escrevi sobre o não merecimento. É justamente o fato de não questionar o próprio valor, de achar que não merece tanto, que está tudo bem aceitar pouco, que “você não é tudo isso”.

Dentro de uma cultura de escassez, existe uma grande falácia: a de que uma pessoa que tem autorrespeito e entende o seu valor é egocêntrica. Quando alguém começa a se valorizar, a se posicionar e a colocar limites, logo é taxado de egoísta.

Esse tipo de conduta social faz com que a pessoa se oprima, se reprima, se restrinja e passe a acreditar que realmente não merece tanto assim. Afinal, se todos dizem que almejar mais é sinal de egoísmo, então o “certo” seria se contentar com pouco.

E é aí que nasce a mediocridade emocional: quando a pessoa aceita ser tratada de qualquer jeito, se acostuma com o mínimo e até se submete a humilhações. Vive de forma passiva — não reage quando é agredida verbalmente, sofre assédio moral, é traída por amigos, familiares ou parceiros — porque acredita que não merece mais do que aquilo.

Existe uma série de consequências quando alguém carrega essa mediocridade emocional. A pessoa ainda não compreendeu que tem valor, que é valiosa. E, por isso, se acostuma com pouco. Às vezes, até se sente mal em cobrar algo do mundo ou em se posicionar de maneira firme, com medo de parecer arrogante.

Essa mediocridade emocional é uma barreira poderosa, e desconstruí-la leva tempo. Leva tempo para alguém que cresceu com a mentalidade de escassez entender que é valioso, que merece mais.

Eu gosto de dizer que todas as pessoas são valiosas, mas o que realmente faz diferença é como elas se mostram para o mundo.

Quando você não se sente merecedora, quando ainda vive sob a influência dessa mediocridade emocional, as pessoas tendem a enxergá-la como alguém frágil, uma “pária” social — alguém que pode ser pisado. E não, isso não é justo. Mas é real.

Por isso, precisamos aprender a nos defender emocionalmente, a colocar limites e a reconhecer o próprio valor. Só assim conseguimos impedir que o mundo e as pessoas determinem quanto valemos.

2. A mediocridade intelectual

A mediocridade intelectual é, basicamente, quando a pessoa não busca evolução. Ela permanece vivendo no automático, imersa em uma ignorância confortável, sem curiosidade por aprendizado. Vive uma vida anestesiante, compensando o excesso de trabalho com diversões superficiais no fim de semana ou se satisfazendo com aprendizados rasos.

E hoje, com a internet, essa mediocridade é ainda mais gritante. A rede nos dá acesso a um universo de conhecimento e cultura como nunca antes. Podemos assistir palestras, aulas, documentários, ler sobre qualquer assunto em poucos segundos. Algo que, antigamente, demandava tempo, livros e acesso a acervos limitados.

Mesmo assim, muitas pessoas ignoram essa abundância de conhecimento. Eu entendo que jornadas de trabalho exaustivas, principalmente para quem vem de uma classe que precisa garantir o pão de cada dia, podem deixar a pessoa em um estado de letargia. Mas isso não significa que a vida precise se resumir a trabalhar e buscar distrações aos fins de semana.

Existe uma cultura de desvalorização do intelectual e do clássico, e isso se tornou algo preocupante. Hoje, é comum ver pessoas sem interesse por arte, filosofia, literatura, ou até mesmo por aprofundar o conhecimento na área em que atuam. As conversas se tornaram mais rasas, pautadas no cotidiano, nas polêmicas da mídia e em opiniões de terceiros.

Grande parte do que se aprende vem de vídeos curtos, manchetes ou pequenos trechos lidos nas redes sociais. As pessoas formam opiniões com base em fragmentos e raramente se interessam por compreender a fundo o que estão opinando.

Claro que nem todos têm tempo para se aprofundar em vários assuntos, e isso é compreensível. Mas o que critico é a quantidade de opiniões sem fundamento, baseadas apenas no senso comum ou em informações superficiais.

Essa mediocridade intelectual nasce justamente do conformismo do senso comum — dessa zona de conforto mental que rejeita o aprofundamento e o pensamento crítico. Refletir exige esforço, e esforço exige abrir mão de uma parte do tempo de lazer. É por isso que pensar criticamente se tornou quase um ato de resistência: porque exige sacrifício.

Mas é esse sacrifício que constrói repertório, bagagem e clareza. E é o que diferencia quem apenas existe de quem realmente entende o mundo e o próprio lugar dentro dele.


Como aprendemos a nos tratar

Eu quero um pouco sobre como somos ensinados a nos tratar desde a infância, principalmente quando crescemos em ambientes de escassez.

Geralmente, é possível perceber que muitas pessoas têm problemas sérios de autoestima — inclusive, já comentei sobre isso em posts anteriores. Grande parte das pessoas foram rejeitadas na infância, maltratadas, ou simplesmente não tiveram os seus sentimentos validados.

Pais, familiares ou cuidadores, muitas vezes, não souberam acolher aquela criança, não entenderam suas emoções e, com isso, transmitiram a ela a ideia de que não era suficiente.

Quando essa criança cresce, há dois caminhos mais comuns: ou ela se torna um adulto frustrado e depressivo, ou se torna alguém que se trata da pior forma possível, se coloca nas piores situações, se autossabota, aceita pouco, se anula.

Obviamente, não é culpa de ninguém ter sido criado dessa maneira. Mas, a partir do momento em que você se torna adulto, com 25, 30 anos, ou mais, e ainda repete comportamentos que demonstram falta de autocuidado, é sinal de que você está errando consigo mesmo.

Ao longo dos anos, percebi que muitas pessoas são tão frustradas que não conseguem lidar bem quando encontram alguém que cresceu com amor-próprio. E eu entendo que deve ser difícil. Não é à toa que, muitas vezes, surge a desconfiança: “Ah, esse tal de amor-próprio nem existe.”

Essas pessoas olham para quem se valoriza e rapidamente as chamam de egocêntricas, porque não aprenderam o que é amor-próprio de verdade. Elas de fato, têm uma percepção deturpada da realidade, por terem sido criadas em ambientes onde foram desvalorizadas e não conseguem entender como funciona o autoamor.

E tudo bem se você foi criado dessa maneira. Tudo bem se você ainda age assim.

Mas você pode — e deve — parar por aí.

Isso não é o ideal de vida que você merece. Você merece se entender, se cuidar, se tratar com respeito e compreender que merece o melhor.

As pessoas que cresceram nesse tipo de ambiente aprenderam a se tratar da pior forma possível, ou, talvez, não da pior, mas de uma forma medíocre. Mínima.

E, sinceramente, o mínimo não é suficiente.

Todo ser humano precisa de autoconhecimento. Precisa entender quem é, se tornar verdadeiramente autêntico. O autoconhecimento dói, mas é essa dor que garante o amor-próprio.

Porque o modo como nos tratamos — acreditando que nunca vamos conseguir o que queremos, que tudo é difícil, que o outro tem mais sorte, mais oportunidades — é justamente o que nos afunda.

Esses pensamentos frustrantes não são neutros. Eles corroem.

Por isso, amar-se genuinamente é um processo de descascar as camadas grossas que aprendemos na infância: as camadas do não merecimento, da escassez, do medo da perda.

E quando nos despimos disso tudo, voltamos para nós mesmos e enxergamos, finalmente, o nosso valor. E é aí que tudo muda.

Porque quando passamos a nos ver de verdade — com compaixão, com respeito — também passamos a enxergar o outro com mais clareza.

Ter clareza sobre o que estamos fazendo conosco, sobre como estamos nos tratando mal, é extremamente necessário. Porque, às vezes, você até consegue ver o seu próprio potencial. Você enxerga o seu brilho, reconhece quem é, sente que pode mais.

Mas ainda assim, existe algo que te puxa para baixo.

E isso acontece porque o mundo, além daquilo que aprendemos com nossas famílias, também está cheio de pessoas frustradas. E essas pessoas, muitas vezes, despejam suas frustrações em todos ao redor.

A grande massa vive presa a crenças limitantes:

“isso é difícil de conseguir”,

“esse sonho é grande demais”,

“não se arrisque tanto”,

“melhor ficar onde está”.

Vou te dar alguns exemplos simples e muito comuns:

  • Você quer sair da casa ou do bairro onde mora, e logo alguém diz: “Cuidado, pode acabar indo para um lugar pior.”
  • Quando você quer comprar uma casa e fazer um financiamento? “cuidado para não se endividar.”
  • Quer realizar o sonho de viajar e conhecer outro país? “Ah, esse lugar é perigoso, pode acontecer alguma coisa ruim.”
  • Ou ainda, quando você quer melhorar sua qualidade de vida, trabalhar mais, ganhar mais, alguém fala: “Dinheiro não traz felicidade, cuidado para não se tornar ganancioso.”

Esses são exemplos cotidianos, sonhos que não são impossíveis, que milhares de pessoas já realizaram. Mas, quando alguém com mentalidade de escassez ou frustração ouve isso, ela tende a invalidar o sonho do outro. Porque invalidar o sonho de alguém não é só uma opinião, é destruir, pouco a pouco, a autenticidade de uma pessoa.

E tudo bem se, em algum momento, a gente se frustra. Isso é humano.

Mas precisamos ter muito cuidado com os paradigmas que colocamos sobre os outros.

Cada pessoa tem a sua história, o seu tempo e o seu caminho.

E cada pessoa precisa — e merece — acreditar em si mesma.

Quando você coloca uma barreira em si, ainda dá tempo de se reconstruir. Mas quando você coloca essa barreira no outro, isso pode ser ainda pior. Porque, além de se limitar, você passa a limitar quem está tentando crescer.


Como a mediocridade se tornou socialmente aceitável

É engraçado como hoje é normalizado o fato de alguém gastar bastante tempo no celular, nas redes sociais ou até serem pessoas que causam intrigas e conflitos por pouca coisa, nada que seja de fato relevante. Ninguém mais está em busca de desenvolver as virtudes.

No mundo de hoje, tudo que é verdadeiramente bom é ignorado. E tudo que não engrandece, as coisas mais rasas, são trazidas como algo de valor. Existe uma inversão de valores muito grande, e as pessoas se perderam um pouco e não entendem o que, de fato, é valioso. Existe até uma crítica as pessoas “boazinhas”.

Vou explicar o meu ponto de vista sobre esse fenômeno.

Algumas pessoas se acostumam tanto com a mediocridade que passam a não querer que as outras se sobressaiam. E isso acontece porque elas mesmas não querem mudar. Ser uma pessoa melhor, evoluir intelectualmente, espiritualmente e emocionalmente exige esforço, sacrifício e desconforto. Esse processo tem um custo.

E é justamente por isso que muita gente não quer que o outro ultrapasse essa barreira.

Quando alguém dentro de um grupo de amigos, por exemplo, se eleva, busca mais conhecimento, desenvolve inteligência emocional, amadurece, essa pessoa, sem querer, expõe a mediocridade dos outros.

E isso incomoda.

Não necessariamente por maldade, mas porque o crescimento de um revela o estancamento dos demais. É um espelho difícil de encarar.

Por isso, quando alguém começa a se destacar, sempre há uma força que tenta puxá-la de volta. É quase um fenômeno natural: toda vez que você tenta aprender algo novo, que foge da zona do “comum”, vai sentir a resistência — a força invisível da mentalidade de massa tentando te manter no mesmo lugar.

Essa mentalidade automática, de “pão e circo”, faz com que as pessoas se contentem com pouco: festas, distrações, prazeres imediatos, e deixem de buscar o que realmente traz crescimento, que é o conhecimento e a consciência de si.

É difícil querer crescer, pois toda virtude tem um custo.

  • Para desenvolver a prudência, é preciso pagar o preço da cautela, da reflexão e da análise antes de agir.
  • Para conquistar a temperança, é necessário aprender o autodomínio, moderar os prazeres e os desejos.
  • E para alcançar a resiliência, é inevitável negar a preguiça e enfrentar o desconforto das dificuldades. Porque a resiliência não é a ausência de problemas. A verdadeira resiliência é a capacidade de continuar, mesmo quando tudo parece contrário, mesmo quando a vida insiste em te testar.

Então, toda vez que você quiser subir de nível, sair da estagnação e melhorar os aspectos da sua vida, você vai se deparar com a sua própria resistência dos outros e a dos outros.

Mas nós estamos aqui para evoluir. Ser uma pessoa medíocre, viver no automático, não é justo conosco.

Sempre que você estiver nessa jornada de autoconhecimento, buscando crescer, as pessoas vão te tratar de forma diferente. Algumas podem te isolar, te ironizar, simplesmente porque você está se sobressaindo. E isso acontece porque a autenticidade brilha, ela se destaca.

Autenticidade não é sobre estética, nem sobre o que você tem, é sobre quem você é.

E nada abala mais o ego de um ser humano do que ver alguém sendo autêntico, quando ele mesmo não é. Isso dói, incomoda.

Se você tem pessoas na sua vida que te isolam ou te tratam mal por você estar sendo você — e aqui eu falo de ser você na sua melhor versão, buscando virtudes, e não normalizando erros — entenda que essas pessoas não são para você.

E sim, isso é duro. Às vezes, são pessoas de quem gostamos muito. Mas é preciso se afastar. Não significa odiar essas pessoas, mas compreender que você não pode cultivar a mediocridade dentro de si, especialmente quando está em um processo de autoconhecimento e da busca por autenticidade.

O meio em que vivemos molda o nosso caráter. Se você anda com pessoas medíocres, vai acabar se tornando uma também — frustrada, negativa, incapaz de ver o lado bom da vida.

E não estou falando de ser alienado e ver tudo como positivo, mas de enxergar a vida de forma realista: entender que há dias bons, dias ruins e dias neutros. E o verdadeiro sinal de evolução é saber atravessar todos eles com equilíbrio.

Os meios sempre me assustaram, porque eu sempre soube que, se eu estiver no meio errado, as pessoas daquele meio vão me influenciar. Isso porque, todos nós somos moldáveis.

Se você consome coisas ruins, inevitavelmente vai pensar coisas ruins. Se passa o dia assistindo filmes de terror, não tem como não carregar pensamentos negativos.

Da mesma forma, se você se cerca de pessoas que falam coisas boas, que compartilham conhecimento, que te inspiram a crescer, inevitavelmente você vai evoluir. Os meios são uma ferramenta e você precisa aprender a usá-los a seu favor.

As pessoas têm o poder de nos alavancar ou nos derrubar e o seu objetivo é construir sua mentalidade, fortalecer sua autoestima e cultivar sua autenticidade, você precisa estar diariamente perto de pessoas que também buscam o mesmo.

Porque, a partir do momento em que você dá ouvidos a quem pensa o contrário, é natural que comece a acreditar nessas vozes e desacreditar de si.


Relato pessoal: sobre limites e autenticidade

Durante muito tempo, eu não entendia por que algumas pessoas ultrapassavam os meus limites com tanta naturalidade. Comentários velados, críticas disfarçadas, ironias, tudo isso me acompanhou desde a infância. E, por muito tempo, eu achei que o problema era comigo.

Cresci em um ambiente simples, mas com uma base emocional sólida. Tive a sorte de ser criada por uma figura materna muito forte, minha avó. Foi ela quem me ensinou o valor da autenticidade e me salvou de perder minha autoestima. Só que, ao meu redor, nem todo mundo tinha recebido esse mesmo tipo de amor e validação.

As pessoas que foram tratadas com dureza, muitas vezes, reproduzem essa dureza. E, por não saberem o que é cuidado genuíno, acabam tratando os outros com ironia, competição ou desprezo. Eu demorei para entender isso.

Por muito tempo, deixei que os outros ultrapassassem meus limites, e o pior: eu nem sabia que eram limites. Até que um dia entendi que aquilo que me incomodava, que me fazia sentir pequena, era justamente o que eu não precisava mais permitir.

Hoje eu sei: ter limites claros é um ato de amor próprio. Não é sobre ser frio, distante ou orgulhoso. É sobre saber o que você merece e não aceitar menos do que isso.

Porque quem se conhece, quem se cuida e quem está em processo de evolução, não cabe mais em relações medíocres, aquelas onde a ironia é normalizada, onde o amor vira disputa, e o respeito é raro.

Relacionamentos saudáveis não te diminuem, não te colocam para baixo e nem te fazem duvidar de quem você é.

Então, se tem uma mensagem que eu quero deixar hoje, é essa: Não aceite menos do que o respeito e a verdade que você oferece.

O autoconhecimento não é um caminho fácil, mas é o único capaz de nos libertar das repetições e das mediocridades emocionais. Nunca é tarde para se conhecer, se proteger e se reconstruir.

E, por último, quero dizer: diga “não” quando for necessário.

No próximo post dessa série sobre autencidade, irei abordar sobre como estabelecer limites claros nas amizades, mantendo-as saudáveis.

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No post de hoje, quero continuar nossa reflexão sobre controle e autenticidade. Anteriormente, falei sobre a ilusão do controle que podemos ter sobre nossa vida e a vida das outras pessoas, e sobre a importância de quebrar o ego para abrir espaço à autenticidade.

Hoje, o tema é aceitar o mundo como ele é. Isso significa acolher tanto suas perfeições quanto suas imperfeições.

Essa reflexão também tem muito a ver com frustrações. Quando nascemos e crescemos neste mundo, somos educados de uma maneira que nos torna bastante críticos, e até rebeldes, em diversos aspectos. Isso não é um problema por si só. O problema surge quando acreditamos que nosso “eu” é superior a ponto de achar que podemos submeter tudo e todos à nossa vontade. E isso, na prática, é impossível.

Essa expectativa de controle é, inclusive, uma das principais causas das frustrações que sentimos. Afinal, vivemos em um mundo com uma enorme pluralidade de culturas, valores e jeitos de ser. Por que, então, insistimos na ideia de que podemos mudar o que já existe?

Aceitar o mundo como ele é não significa conformismo. Significa reconhecer a realidade, abraçar suas nuances e, a partir daí, escolher nossas ações de maneira mais consciente e autêntica.


Relato pessoal: aprender a mudar de lugar quando não cabemos mais

Eu nunca fui conformista. Sempre fui rebelde. O mundo para mim era cheio de regras que considerava inúteis, mas, ao mesmo tempo, também não queria moldá-lo, porque sabia que isso seria impossível. Desde cedo, fui ensinada pelas negativas da vida. Então, a única coisa que eu podia controlar era o que dizia respeito a mim mesma.

Uma coisa que sempre me deixava inconformada era o modo como a criação feminina acontecia. Quando criança, eu pensava: por que nós, meninas, não podíamos correr e brincar como os nossos primos? Por que eu precisava usar brincos, mesmo quando doía e inflamava as minhas orelhas? Por que eu tinha que ficar quieta e não podia ser mais agitada ou brincar à vontade?

A criação feminina foi muito cruel para mim, porque, como criança, eu achava que poderia fazer tudo. Esse é apenas um dos aspectos que muitas crianças, provavelmente todas, sofreram. Na infância, somos submetidas a posições sociais impostas e muitas vezes nos sentimos moldadas por elas.

Já na vida adulta, mesmo sendo rebelde e não me conformando com a realidade, isso me trazia mais desafios. Algumas coisas eu aceitava; outras, não. Por exemplo, podia me conformar com certos comportamentos de pessoas, mas não com processos de trabalho ou regras de um emprego que não faziam sentido para mim. E, mesmo assim, muitas vezes eu continuava ali, dentro daquela estrutura.

Até que um dia percebi: a única coisa que eu realmente podia fazer era me mudar de lugar. Se eu não me sentia bem em determinadas amizades, empregos ou ambientes, como poderia mudar toda uma estrutura ou o modo de ser de outra pessoa? Nem tudo é sobre nós e nem tudo está sob nosso controle.

Às vezes, precisamos começar em empregos ou situações que não fazem sentido para a vida que queremos ter. Mas isso não significa abdicar da nossa identidade. Pelo contrário: muitas vezes, é um passo necessário para a nossa sobrevivência, enquanto criamos estratégias para o próximo passo.

A aceitação, então, é uma habilidade que precisa ser treinada. Não se trata de se moldar ao ambiente e perder a autenticidade, mas de desenvolver jogo de cintura para atravessar certas situações sem renunciar a quem você é.


Aceitar o mundo não é conformismo

Diante das minhas observações sobre o mundo, tenho visto muitas pessoas inconformadas. E eu entendo: de modo geral, o inconformismo vem de problemas sociais reais. É um inconformismo justo, pois muitas vezes essas pessoas simplesmente não aceitam a realidade que lhes foi imposta.

Mas existe uma linha tênue. Quando você utiliza suas frustrações, suas dificuldades ou as injustiças que enfrenta para atacar outras pessoas ou praticar atos imorais, porque não aceita o mundo como ele é, você não está se tornando alguém melhor. Você não está abrindo espaço para a sua autenticidade; você está dando lugar à fúria.

Quando pensei em escrever este post sobre aceitar o mundo como ele é, refleti muito. Aceitar o mundo não é conformismo. Sou totalmente contra a ideia de alguém se conformar com uma situação em que não se sente bem ou confortável. Aceitar o mundo é, na verdade, entender como ele funciona e desenvolver jogo de cintura para atravessar os problemas — porque eles sempre existirão, de uma forma ou de outra.

No mundo, haverá imperfeições, pessoas falhas, discursos ruins e negativos. Mas, ao mesmo tempo, percebo que aqueles que têm discursos positivos, que promovem debates construtivos e buscam transformar a realidade, muitas vezes não são ouvidos, por conta daqueles que semeiam caos.

A história mostra que muitos grupos, como mulheres, negros ou pessoas com deficiência, enfrentaram séculos de opressão. Hoje, vemos, mesmo que pouco, algum progresso, e acredito que o futuro trará avanços ainda maiores para diversos grupos. Isso acontece porque essas pessoas não se conformaram, mesmo enfrentando jornadas difíceis para reconquistar direitos que lhes pertencem.

Então, quando falo sobre aceitar o mundo como ele é, por mais contraditório que pareça, quero dizer que se trata de não bater de frente o tempo todo. É saber agir com moderação e com estratégia, cuidar de si, para que o impacto das dificuldades seja menor.


Estoicismo e autenticidade: encontrando harmonia no presente

No estoicismo, a ideia de aceitar o mundo como ele é significa compreender que o universo é regido pela Logos, uma ordem racional. Embora possamos controlar nossas ações e reações, não temos controle sobre muitos eventos externos.

Essa aceitação se baseia na harmonia com a natureza e na concentração na virtude interna, em vez de se prender à busca de resultados externos que estão fora do nosso alcance. O estoicismo enfatiza que devemos focar em controlar nossas ações e reações, e não tentar controlar eventos externos, porque isso, além de nos distrair, muitas vezes não leva a nada ou demora muito mais do que gostaríamos.

O estoicismo também incentiva viver no presente, concentrando-se no momento atual, ao invés de se preocupar excessivamente com o passado ou o futuro, pois essas preocupações trazem sofrimento que não está sob nosso controle.

Assim, essa busca de mudar o mundo, por mais justa e verdadeira que seja — esse inconformismo que mencionei anteriormente, e com o qual concordo — pode gerar estresse e frustrações para pessoas que ainda não desenvolveram plenamente sua autenticidade. É o mesmo ponto que tratei na edição anterior, sobre a ilusão do controle.

Embora algumas pessoas e grupos estejam conseguindo mudar mentalidades e impactar o mundo, essas conquistas muitas vezes vêm acompanhadas de muito esforço e fatores estressantes que poderiam ser atenuados se a sociedade soubesse dialogar.


Entre opiniões e preconceitos: o desafio da inteligência emocional

Hoje em dia, existe um grande problema relacionado à aceitação das diferenças. Muito se fala sobre aceitar diferenças, mas, na prática, isso nem sempre acontece. Por mais que se discuta a aceitação das diferenças físicas, um debate legítimo e necessário, atualmente há uma grande intolerância das pessoas em relação a diferenças culturais e ideológicas.

Percebo que pouco se fala sobre diferenças ideológicas e de opinião e como elas têm se tornado alvo de preconceito. Falta compreender que a diversidade de pensamentos é tão natural quanto a diversidade racial, religiosa ou cultural. O coerente para o ser humano é buscar essa aceitação.

Por mais que você não concorde com os princípios ou o modo de vida de outra pessoa, isso não significa que a vida dela não faça sentido. Cada indivíduo busca autenticidade e vive de acordo com o que considera certo para si. Se para uma pessoa faz sentido, por que julgar, criticar ou segregar, simplesmente porque não se encaixa na nossa própria visão de mundo?

Lidar com essas diferenças exige um nível elevado de inteligência emocional. E, infelizmente, muitas pessoas não querem desenvolver essa habilidade. Preferem debater para criticar, e não para aprender.


Aprender a se relacionar: consigo e com os outros

E, para concluir, eu gostaria de falar sobre aprender a se relacionar consigo mesmo e com os outros. Muitas pessoas não sabem se relacionar com os outros porque não sabem se relacionar consigo mesmas.

Essa compreensão de si, essa busca por autoconhecimento, é essencial para nos entendermos e, a partir daí, conseguirmos aceitar os outros e suas diferenças. Existe um nível muito grande de ignorância emocional. No passado, havia outras segregações mais evidentes; hoje, parece que a segregação se manifesta fortemente de forma ideológica e intelectual.

Muitas pessoas não se compreendem e não conseguem entender que alguém pode ser feliz vivendo de uma forma diferente da que elas escolheriam, e isso é totalmente compreensível, considerando a pluralidade de diferenças entre os seres humanos. Não conseguir compreender isso de forma lógica revela um nível de incapacidade emocional significativo, e essa falta de inteligência emocional tem adoecido muitas pessoas.

Portanto, eu questiono: será que o problema de fato é que não estamos aceitando o mundo como ele é, por que não aceitamos a nós mesmos?

Siga o Blog e deixe o seu comentário sobre o tema.


A premissa básica da autonegação se conecta diretamente ao que escrevi nos capítulos anteriores, sobre os traumas de abandono e rejeição. Muitas pessoas vivem de uma forma em que negam a si mesmas a própria felicidade.

E quando falo em autonegação, não significa que essas pessoas estão se negando tudo. O que acontece é que elas estão negando justamente o essencial, aquilo que poderia levá-las de volta ao seu próprio centro.

A autonegação é, no fundo, um processo de renúncia dos nossos desejos mais profundos. Geralmente, esses desejos não são os mundanos, mas desejos espirituais e individuais. Porém, devido ao inconsciente coletivo, acabamos anulando esses desejos para nos encaixar em um grupo, em uma sociedade ou em determinado contexto. Fazemos isso para não nos sentirmos sozinhos ou invalidados.

Essa negação de si acontece em situações simples. Vou dar um exemplo: você está em um grupo — pode ser religioso, estudantil, político, um grupo sobre hobbies ou de qualquer outra natureza. Para se sentir aceito, você sente a necessidade de concordar com aquele grupo, de seguir o que todos seguem. E, nesse movimento, você evita trazer à tona aspectos mais profundos de si. Prefere falar apenas do que coincide com o que é aceito ali dentro.

Você acaba deixando de expressar desejos, opiniões ou ideias que poderiam soar “impróprias” ou “estranhas” para aquele grupo. E, para caber ali, você anula partes suas.

Talvez, enquanto lê isso, você esteja exatamente nessa situação: em um grupo com o qual não concorda 100%, mas ainda assim evita se posicionar. Você não quer desagradar, nem ser o “excluído”. Quer que os outros fiquem felizes com você, mesmo que isso custe a sua própria autenticidade.

Mas já parou para pensar que talvez todos ali também estejam anulando partes de si mesmos, apenas para se encaixar no mesmo molde? Para caber no mesmo rótulo ou estereótipo?

E, afinal, o que existe de errado em ser diferente?

Quantas vezes você já teve uma opinião ou ideia válida, mas se calou porque achou que o grupo não aceitaria? Quantas vezes percebeu que até poderia contribuir com algo novo, mas preferiu silenciar, com medo de parecer “disruptivo demais”?

Essa repetição de silêncios e renúncias vai, aos poucos, minando a nossa energia. E, quando percebemos, já estamos vivendo uma tristeza silenciosa, resultado direto de negar a nós mesmos quem realmente somos.

Você vai ficando triste. Às vezes até parece que está satisfeito, porque, de certa forma, está tudo bem: as pessoas te aceitam do jeito que elas acham que você é. Está todo mundo confortável, o grupo flui.

Até que um dia você decide mostrar uma parte da sua autenticidade. E é nesse momento que as pessoas começam a apontar o dedo para você. Dizem que você está errado em pensar ou agir daquela forma. Mas eu te digo: você não está errado quando mostra quem você é. O que acontece é que, naquele instante, você deixa de ser um produto do grupo. Rompe a máscara do encaixe e revela a sua essência.


Entre rótulos e ideologias, o desafio de sustentar a própria autenticidade

Uma vez, ouvi uma psicóloga dizer uma frase que nunca esquecerei: “Quanto mais você se torna autêntico, mais esquisito você parece para a sociedade.”

E isso é verdade. Porque a sociedade, de forma geral, está acostumada a se organizar em grupos. E grupos sempre exigem rótulos. Para se encaixar, é preciso vestir uma etiqueta, caber dentro de uma caixinha.

Veja alguns exemplos: existem os grupos de fãs de bandas, como os roqueiros. Os grupos de quem pratica esportes, como surfistas ou corredores. Os grupos religiosos, como católicos, evangélicos, espíritas. Os grupos de investidores, empresários, e até grupos de ativistas. E dentro de cada grupo há regras ditas e não ditas. Se uma pessoa católica, por exemplo, resolve compartilhar novos conhecimentos sobre outra religião dentro da comunidade dela, é provável ser julgada, até rejeitada. Porque aquela ideologia foi estabelecida para manter todos dentro de um mesmo padrão.

E aqui entra a questão das ideologias. Eu, particularmente, não concordo com elas. Porque, no fundo, ideologia nada mais é do que um sistema de ideias que nasceu dos interesses de um grupo de pessoas. Muitas vezes, ideias que foram criadas há séculos e transmitidas de geração em geração. Só que, quando você adere a uma ideologia, ela não é a sua ideia. Você “compra” o pacote pronto. Pode até dizer: “Quero isso para mim”. E não há problema algum nisso. O que eu questiono é: você parou para analisar se essa ideologia realmente faz sentido para você?

Se fizer sentido, ótimo. Mas também é preciso entender que aquilo que faz sentido para você pode não fazer sentido para o outro. Por isso, eu prefiro falar em ideias do que em ideologias. Porque ideias são soltas, podem girar em diferentes contextos, se adaptar, evoluir e progredir. Ideias são vivas.

Quando você se abre às ideias, pode analisá-las à luz da sua autenticidade e decidir o que realmente vale a pena. Diferente de se prender a um conjunto ideológico que muitas vezes foi moldado em épocas de regimes rígidos ou até autoritários.


Militância, pertencimento e o custo psicológico da violência ideológica

O que eu tenho visto, dentro desse contexto de mundo polarizado, é que as pessoas subverteram a ideia de moral, trazendo conceitos ideológicos que podem ter como base tanto a religião quanto outras formas de ideologia. O conceito de militância, que é a prática de defender uma causa de forma ativa, passou a ser distorcido, transformando-se em um ataque pessoal a todos à sua volta.

O que vemos hoje na internet, são pessoas que entram em grupos nos quais precisam se sentir pertencentes, onde acreditam que seus argumentos serão validados. Elas precisam pertencer a esses grupos para não se sentirem sozinhas. Nesse contexto, para pertencer, acabam comprando a ideologia sem analisar ou estudar de fato sobre ela. Seja política, religiosa ou qualquer outra. Ainda assim, militam ativamente na internet para defendê-la, porém com um discurso e uma oratória extremamente violentos.

Essas pessoas atacam outros grupos com o intuito de mostrar que têm um posicionamento moralmente correto. E dentro do próprio grupo ideológico, não se pode contestar nada nem ter pensamento crítico. Pois, se alguém se destacar ou apresentar uma opinião que fuja da linha predominante, mesmo estando em concordância geral com a ideologia, também será vítima e alvo de ataques de comunicação violenta.

Veja que, em nenhum momento, eu digo que você, que faz parte de algum grupo ideológico, não pode expressar o que acredita ou opinar nas suas redes sociais. Muito pelo contrário, esse é o seu direito. Porém, o que você não pode e não deve, é atacar outras pessoas com argumentos violentos, com a intencionalidade de ferir o sujeito. Dentro de uma discussão, a intenção sempre deveria ser atacar o argumento, não a pessoa.

Um livro que eu recomendo, e que está sendo amplamente falado, é Comunicação Não-Violenta, do autor Marshall B. Rosenberg. Essa obra apresenta uma abordagem voltada para expressar e ouvir os outros de forma empática, honesta e sem julgamentos, com foco nas necessidades e nos sentimentos. Sua premissa é fortalecer os relacionamentos e promover a resolução de conflitos.

Com tudo isso que exemplifiquei, ao falar sobre como a militância nas redes sociais tem se tornado destrutiva, até mesmo para as próprias pessoas que a praticam, quero destacar que não apenas os praticantes sofrem, mas também aqueles que fazem parte dos grupos correspondentes. Nesses ambientes, cria-se uma ideia viciosa de segregação e autonegação, na qual as pessoas sentem que precisam concordar com a ideologia para se sentirem apoiadas e não serem atacadas. Isso acontece porque, dentro desses grupos, estabelece-se um consenso do que é considerado moralidade.

E não me refiro aqui a um grupo específico, mas a diversos grupos. Hoje, vivemos em um país polarizado, e essas comunicações violentas estão acontecendo em diferentes contextos. Pessoas estão sendo psicologicamente prejudicadas — tanto os que praticam a comunicação violenta quanto os que são mais passivos, os que apenas recebem e escutam.

Ainda sobre essa à questão dos grupos: essa vontade de pertencer é perigosa. Porque, em nome do pertencimento, muitas vezes nos anulamos por completo. Deixamos de fazer o que realmente queremos. Perdemos o contato com o nosso eu e deixamos de explorar a nossa história, os nossos talentos, os nossos desejos. Tudo para caber em um molde que talvez nem tenha nada a ver conosco.

Por isso, este capítulo sobre parar de negar a si mesmo é um convite para deixar de entrar em caixas que não são suas. Para parar de fazer coisas que você não aguenta mais fazer.

E também para começar a refletir antes de assumir compromissos ou papéis: 

“Será que isso é para mim? Será que não vão me obrigar a viver algo que não quero?”


Relato pessoal: Manter-se fiel a si mesmo em um mundo que insiste em nos moldar

Talvez você não se identifique totalmente com o meu relato, porque eu não me vejo exatamente dentro do mesmo contexto da maioria. Sim, eu me neguei por muito tempo, mas, como contei em outros posts, eu sempre fui muito decidida. Desde a infância, eu sabia quem eu queria ser e o caminho que queria trilhar.

Mas uma coisa sempre me chamou atenção: as tentativas de controle. Desde criança, eram aquelas perguntas constantes: “Por que você é assim?”, “Por que você escolhe isso?”, “Por que não brinca como as outras crianças?”. Até aí, tudo bem. Mas, quando cresci, comecei a perceber como isso se tornava ainda mais intenso e perigoso.

No trabalho, por exemplo, na cidade onde nasci, havia um estilo de musical muito popular, que praticamente todo mundo ouvia. Não é um estilo que eu aprecio e me identifico, mas as pessoas achavam estranho eu não gostar. Isso se repetia nas festas, nos carnavais, em convites sociais — onde eu, mais introvertida, preferia ficar em casa estudando ou cuidando das minhas coisas. A insistência para que eu me encaixasse naquele círculo era cansativa.

E aqui é importante dizer: não era porque eu não gostava das pessoas, ou não queria estar com elas. Eu apenas tinha outros interesses. Só que, quando você não segue o padrão, passa automaticamente a ser vista como “a do contra”, “a esquisita”, “a diferente”. E eu aceitei esse rótulo, porque para mim era mais importante ser eu mesma do que me forçar a viver algo que não fazia sentido.

Mas ao longo da vida também enfrentei situações que me afetaram profundamente e me fizeram negar partes de mim. Também já fiz muito e até passei anos me calando para não desagradar.

Já contei no capítulo 2 sobre os impactos da pobreza. E esse ponto é crucial. A pobreza cria um estigma: você só pode fazer o que todos daquele mesmo grupo fazem. Há uma categorização invisível, que dita até onde você pode ou não pode ir.

Mesmo quando existem opções gratuitas, como visitar um museu ou participar de um evento cultural, muitas vezes esses ambientes são vistos como “não pertencentes” a quem vem da pobreza. É como se você não tivesse o direito de estar ali, porque foi “feito” para viver dentro de um padrão: trabalhar em sub empregos, repetir a vida dos seus pais e não prosperar.

Não acredito que as pessoas façam isso de forma consciente. Na verdade, vem da falta de autoconhecimento. E o autoconhecimento está intimamente ligado à inteligência emocional, que é uma competência a ser desenvolvida, não um talento nato. Quem não busca esse desenvolvimento dificilmente alcança.

Outra questão, que também é uma forma de tentativa de controle e que mencionei acima ao falar sobre militância — e que sei que não acontece apenas comigo, mas também com muitas outras pessoas que provavelmente estão lendo este texto — é que, nesse contexto de mundo polarizado em que vivemos, diversas pessoas tentaram me convencer a assumir determinado lado ou a votar em determinado partido político nos quais eu não acreditava. Veja bem, ser olitizado não é sobre ter um partido em que você acredita religiosamente (não se trata de religião ou um time de futebol). Trata-se, na verdade, de compreender, de forma estratégica, qual candidato tem mais aptidão para o cargo que está sendo disputado. Afinal, estamos falando de um cargo que exerce autoridade. Eu não voto por ideologia; meu voto é puramente estratégico, baseado na análise de quem está realmente apto para ocupar aquele cargo. Então, para que alguém me convença de alguma coisa, no mínimo, essa pessoa precisa me apresentar argumentos lógicos, e trazer informações sobre economia, curriculo do candidato, ou me mostrar algo que eu não tenha percebido. Trazer apenas a ideologia e percepções emocionais do candidato, sem fundamentos históricos e qualquer base factual, para mim não faz sentido nenhum.

Ainda assim, pessoas que não tinham esse embasamento tentaram me convencer com ataques pessoais, o que para mim foi algo extremamente violento. Eu me senti profundamente atacada, porque atualmente, quando as pessoas militam, não atacam os argumentos, mas a pessoa em si. Querem te vilanizar, querem te colocar no lugar de “desumano”. E, se você não tiver firmeza de caráter e os pés fincados no chão, pode desabar, pode até entrar em conflitos internos por conta disso.

Sempre entendi que nós, como seres humanos, temos a responsabilidade e o direito de decidir o que é melhor para a nossa vida em todos os aspectos, desde que sejamos éticos.

Dentro desse contexto, eu não conseguia compreender por que algumas pessoas que eu considerava meus amigos tentaram me convencer a fazer algo que eu não concordo, ultrapassando assim os meus limites, com sucessivas tentativas de controle e coersão. Eu não iria negar a mim mesma, nem negar todo o conhecimento que adquiri, apenas para satisfazer uma ideia egocêntrica e ideológica de outras pessoas.

O que quero que você entenda com esse relato é que você pode buscar conhecimento por si mesmo, pode entender o que acha que é interessante para você, sem se submeter ao que os outros julgam como moralmente correto. O importante é ter autoconhecimento e firmeza de caráter para saber que está fazendo o que é certo, sem precisar se encaixar na caixinha que os outros tentam impor.

Esses são relatos simples, mas importantes, que reforçam que não precisamos viver para nos moldar às expectativas alheias. Sempre que tentamos nos encaixar, inevitavelmente, estamos negando alguma parte de nós mesmos.


As raízes da autonegação

Já que sabemos que a autonegação nasce da necessidade de agradar o outro, de se encaixar e de ser aceito, muitas vezes em detrimento dos próprios desejos e necessidades, vamos agora entender um pouco mais sobre suas causas.

Baixa autoestima

A pessoa pode não se sentir digna, acreditar que não tem valor e, por isso, acaba sempre se colocando em posição de valorizar os outros e fazer o que eles querem. Nesse processo, vai negando os próprios desejos e vontades.

Crenças negativas

Por exemplo, quando alguém é ensinado à servidão. A pessoa foi educada para servir, para ser a salvadora, para sempre ajudar os outros e se colocar em segundo plano. Esse tipo de crença pode levá-la a se negar constantemente.

Busca por validação

A necessidade constante de aprovação geralmente nasce de traumas de abandono ou rejeição. A pessoa busca se validar por meio dos outros e, em consequência, acaba se negando para atender expectativas externas.

Contextos religiosos e ideológicos

Como já mencionei acima, muitas vezes as pessoas compram ideologias de servidão e aceitação do que é dito por um grupo, sem poder contestar. Assim, ficam presas dentro desse contexto, vivendo em autonegação.

Além desses pontos, existem diversos outros motivos que levam as pessoas a se colocarem nesse lugar de autonegação.


Então, como sair da autonegação?

Diante de tudo isso, surge a pergunta: como podemos sair da autonegação? O que podemos fazer para parar de negar a nós mesmos aquilo que nos é merecido?

  1. Desenvolver autoconsciência
    Precisamos entender quem somos e nos aceitar com nossas falhas e imperfeições. É necessário parar de acreditar que somos vítimas o tempo inteiro, pois todos nós temos sombras e limitações, como qualquer outro ser humano. Aceitar essas falhas é o primeiro passo para trabalhar em nós mesmos e caminhar em direção a ser a pessoa que admiramos, como já mencionei antes, a pessoa que realmente queremos ser.

  2. Reconhecer os sentimentos
    Observar e compreender os próprios sentimentos. Sempre que surgir a necessidade de agradar alguém ou buscar validação, é importante identificar quais emoções estão por trás dessas atitudes.

  3. Colocar-se em primeiro lugar
    Essa talvez seja uma das tarefas mais difíceis: deixar de viver apenas para o outro e escolher fazer por você. Isso tira um peso enorme das nossas costas. Claro, há exceções — como cuidar de uma criança, de um parente ou de alguém em situação de vulnerabilidade (mas essa realidade não precisa ser permanente). Mas, fora isso, lembre-se: as outras pessoas não são sua responsabilidade. Empatia é fundamental, mas até ela tem limites. Exagerar na empatia pode causar transtornos e não significa que você seja menos humano ou solidário por priorizar a si mesmo.

  4. Buscar ajuda profissional
    A terapia,seja psicanálise ou TCC, pode ajudar a compreender comportamentos, mudar padrões, lidar com traumas e gatilhos, além de desconstruir crenças de autonegação e de necessidade de validação. Esse é um passo essencial para viver de forma mais saudável.

  5. Sair de grupos que anulam sua identidade
    Esse é, provavelmente, um dos pontos mais difíceis, mas também dos mais libertadores. Muitos grupos arrastam as pessoas para baixo sem que elas percebam, moldando-as lentamente para se encaixar em padrões impostos. Com o passar do tempo, é comum que alguém deixe de se reconhecer, vivendo de maneira despersonalizada, como reflexo daquilo que o grupo esperava. É preciso observar se os grupos que você frequenta realmente fazem sentido para a sua vida e se contribuem para o seu crescimento pessoal.

Nesse post, trouxe bastante informações, não apenas os porquês da autonegação, mas procurei esmiuçar em detalhes, fazendo referência ao que vem acontecendo na atualidade. Minha intenção é levantar questionamentos que talvez estejam acontecendo com você neste exato momento.

Pode ser que, ao ler, você perceba que nada disso faz sentido para a sua vida — e está tudo bem. A proposta do post não é apontar o que é certo ou errado, mas sim provocar reflexão.

Nos próximos textos, vou continuar explorando o tema da autenticidade, e espero que você siga me acompanhando nessa jornada.

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No post anterior dessa série de posts sobre a busca da autenticidade, abordei sobre como a pobreza pode transformar a nossa mentalidade. Mas, neste texto, quero falar sobre algo diferente: os traumas de rejeição e abandono. Eles são marcas que todo ser humano está suscetível a carregar desde o nascimento.

Além de termos que lidar com a escassez, com os paradigmas da pobreza e com as limitações impostas ainda na infância, nós também enfrentamos outro desafio: as feridas do abandono e da rejeição. E isso não tem nada a ver com classe social.

O medo de não se encaixar e o medo de ser deixado de lado são sentimentos assustadores. Eu consigo compreender bem esse peso. E talvez seja justamente por causa dele que tantas pessoas se esforçam tanto para serem aceitas em ambientes onde, no fundo, já não cabem mais.


Entre o silêncio e a necessidade de provar quem somos

Ao longo da vida, percebi que as questões do abandono e da rejeição se manifestam de formas diferentes para cada pessoa. Para alguns, os traumas de abandono são mais evidentes; para outros, os de rejeição falam mais alto.

Notei que quem carrega de forma mais latente o trauma do abandono tende a não se esforçar tanto para se encaixar (isso não é um fato preciso). Quando tenta, geralmente faz isso de maneira silenciosa, buscando agradar de forma sutil. Já quem tem feridas mais ligadas à rejeição, parece viver com uma necessidade constante de provar algo, de se provar o tempo inteiro para os outros. Muitas vezes, essa busca por validação pode até resvalar no egocentrismo, uma defesa criada para lidar com o medo de não ser aceito.

Essas inseguranças que nos acompanham na vida adulta, muitas vezes têm origem lá atrás: em pequenas rejeições, na falta de validação na infância, em crescer em ambientes críticos e hostis demais, sendo tratados com acidez e com pouco ou nenhum afeto. Para quem viveu dessa forma, pode até parecer “normal”, mas a verdade é que essas marcas acabam moldando nossa forma de enxergar a nós mesmos e ao mundo.

E aí surgem pensamentos como: “Se eu sumisse agora, alguém sentiria minha falta?” ou “Será que eu realmente não sou bom o suficiente?”. Esses questionamentos não aparecem do nada. São ecos de experiências que viraram cicatrizes invisíveis e que nos acompanham sem que a gente perceba.

Eu mesma já vivencie situações assim. Entrei em relacionamentos de amizade querendo mostrar a minha versão mais autêntica, mas recuei diante do julgamento. Muitas vezes, mesmo quando a gente tenta ser verdadeiro, acaba sendo podado por outras pessoas que também carregam seus próprios traumas e acreditam que criticas acidas é algo normal.

O resultado? Alguns se calam e deixam de se expressar. Outros, por outro lado, exageram na autoexpressão, impondo sua presença de uma forma dura ou agressiva, quase como se dissessem: “Essa é a minha personalidade e vocês vão ter que me aceitar!”. Mas, no fundo, nenhuma dessas posturas é saudável.

Sem perceber, entramos em relacionamentos conflituosos, ora em constante oposição para não sentirmos a rejeição, ora em silêncio para sermos aceito. Em ambos os casos, acabamos nos abandonando e nos rejeitando.

É doloroso admitir, mas essa dinâmica faz parte da experiência de todo ser humano em algum nível. A diferença está em trazer essas feridas para a consciência. Só assim podemos parar de repetir os mesmos padrões e começar a nos relacionar de uma forma mais inteira, mais nossa.


Relato pessoal: O desconforto de impor limites

Eu sempre fui uma criança muito quieta. Desde cedo, entendi que podia fazer tudo sozinha e que estava tudo bem assim. Não gostava de criar problemas para mim mesma e nem para os outros.

Hoje, olhando para o meu processo de autoconhecimento, percebo algumas falhas que carreguei por muito tempo. Eu nunca fui de tentar me encaixar, mas sempre permiti que as pessoas ultrapassassem os meus limites. Fazia isso para evitar ter que dizer coisas difíceis, porque para mim, impor limites era desconfortável.

Com o tempo, entendi que, se para os outros é confortável ultrapassarem os meus limites, mesmo quando eu os verbalizava de forma sútil, então, infelizmente, eu precisava ser mais firme. Apesar de não gostar dessa imposição mais severa, sei o quanto ela é necessária para preservar a minha autenticidade.


O silêncio também é abandono

Quando a gente se cala diante de uma situação que nos afeta profundamente e pensamos: “Não quero demonstrar que estou incomodado”, no fundo, estamos dizendo a nós mesmos: “Eu não me importo comigo”. E isso é uma violência contra si.

É impossível passar pela vida sem ser afetado por algo ou alguém. Todos, em algum momento, sentimos dor, incômodo, raiva ou humilhação. Fingir que não nos importamos só para não demonstrar vulnerabilidade também é um tipo de autoabandono.

Enquanto algumas pessoas fazem de tudo para serem aceitas e acabam se desmontando, se tornando versões distantes do que realmente são, existem outras, como eu, que permaneceram fiéis a quem são por dentro, mas deixaram de se expressar para não lidar com o desconforto de impor limites.

No entanto, hoje compreendo que precisamos sim colocar os nossos limites sobre a mesa, independente do que os outros vão pensar. Quem está bem consigo mesmo não precisa moldar a própria vida para agradar. E se nós almejamos agir de forma ética ou moral, o que as pessoas pensam sobre nós, não é problema nosso.

Quantas vezes você já entrou em um relacionamento tentando ser exatamente aquilo que a outra pessoa queria? 

Quantas vezes você se calou para não ser julgado? Ou tolerou menos do que merecia, deixando que ultrapassassem seus limites, só para não ficar sozinho?

A ciência mostra que isso não é à toa. Estudos de ressonância magnética revelam que o cérebro responde à rejeição da mesma forma que responde à dor física (Eisenberger et al., 2003). Ou seja: ser rejeitado machuca literalmente.

E segundo a teoria do apego, de John Bowlby, experiências precoces de abandono, sejam reais ou emocionais, moldam os “modelos internos” que usamos para julgar os relacionamentos futuros. Quem foi negligenciado ou desvalorizado aprende cedo que o afeto é condicional. Que, para ser amado, precisa se moldar.

Mas isso não é verdade.

O amor, quando é de verdade, não exige que a gente se desfigure para caber. Ele precisa ser gratuito, independente dos nossos erros ou imperfeições. Não significa que iremos conseguir amar qualquer pessoa, mas significa que o amor não deveria ser condicionado à nossa performance.


Entre rótulos, culpas e a busca por si mesmo

Nem sempre o abandono é explícito. Às vezes, é o pai que estava em casa, mas nunca de fato presente. A mãe que cuidava, mas não escutava. O amigo que estava por perto, mas nunca enxergava. Esses silêncios, essas ausências, também deixam marcas.

E a rejeição, quando é internalizada, se torna autoabandono. Aos poucos, você começa a se rejeitar antes mesmo que alguém o faça. Passa a acreditar que aquilo que disseram sobre você era verdade. Foi o que aconteceu comigo. Na infância e adolescência, eu não tinha uma autopercepção clara. Então, quando me colocavam culpas ou rótulos, eu acreditava. Até que, mais tarde, comecei a me entender melhor e percebi que eu não precisava me tornar o que os outros diziam que eu era.

Esse processo de se olhar com honestidade, aceitando falhas, sombras e luzes faz parte do autoconhecimento. A gente não pode abandonar os próprios desejos, vontades e talentos apenas para caber em um grupo ou agradar alguém. 

E se estamos aqui, vivos, é porque temos um caminho de autoaperfeiçoamento. Nós nascemos sozinhos e nossa trajetória, no fundo, também é individual. Isso não significa viver na solidão. Significa compreender que a jornada do autoconhecimento é íntima, e precisa ser feita de dentro para fora.

Claro, existem armadilhas emocionais que nos travam. Quem carrega traumas graves de abandono e rejeição pode:

  • desenvolver hiperdependência, acreditando que não consegue fazer nada sozinho;
  • ter dificuldade de confiar nos outros;
  • buscar aprovação o tempo todo;
  • ter medo do sucesso, achando que não vai dar conta;
  • ou até se colocar constantemente no papel de vítima.

Muitos também têm medo da intimidade emocional, seja com amigos, parceiros ou até consigo mesmo.

Mas este texto não é sobre culpar quem nos feriu. É sobre trazer luz ao que sentimos e que ninguém nos ajudou a nomear. E sobre reconhecer que não precisamos repetir as mesmas reações, nem sustentar o mesmo ciclo.

Você pode criar novos vínculos, novas formas de amar e de se amar.

Os caminhos que te trouxeram até aqui não precisam ser os mesmos que vão te guiar daqui para frente.

A gentileza que você sempre esperou do mundo, você pode começar a oferecer para si mesmo, e para o adulto que um dia foi criança e não teve esse cuidado.

E se você gostou deste post, continue acompanhando os próximos textos aqui no blog. Vou compartilhar mais reflexões sobre autenticidade, autoconhecimento e centralização do eu.

“O bambu que se curva ao vento, mas nunca se quebra.” — Provérbio Chinês

 


Quem nunca ouviu aquele relato interno que diz: “Você não pode querer mais.”
Eu não lembro a primeira vez que ouvi isso, mas lembro de como eu me senti. Aquelas frases que não precisam ser ditas diretamente, porque estão nas entrelinhas dos olhares, nas pausas dos adultos, nos “conselhos” disfarçados de proteção.

Eu cresci em um lugar onde tudo era contado: o dinheiro, as palavras, até os sonhos. E desejar algo maior do que aquilo que a gente tinha era visto como ingratidão. Humildade era quase um tipo de apagamento. Quanto menos você queria, mais “honesto” parecia ser. Parecia que o sofrimento era um tipo de virtude. Como se viver com pouco fosse mais puro, mais digno.

Lembro de uma vez, criança ainda, dizer que queria morar em outro país. Nem era um plano, era só um pensamento leve, daqueles que nascem quando a gente olha paro céu. A resposta foi curta: “Acorda para realidade.”

Quase sempre ouvia isso, e eu fui percebendo que sonhar alto assustava. Eu sempre gostei de coisas “estranhas” par o lugar onde cresci. Música clássica, livros, obras de arte.

Coisas que pareciam deslocadas no meio de vida das pessoas a minha volta. E o que eu sempre ouvia era: “Você tem gosto de rica, mas você é pobre.”

Era como se minha identidade precisasse caber na minha renda. Como se gostar de beleza fosse um tipo de traição de classe. E foi aí começou o meu conflito: Como ser quem eu sou num mundo que me ensinou a me moldar o tempo todo?

Por muito tempo, eu tentei caber ali, e quanto mais eu tentava, mais eu desaparecia. Porque querer ser aceita me fazia diminuir. Esquecer.


O problema não era o sonho, era o que me fizeram acreditar sobre ele

Na minha infância, tudo parecia ser possível. Se eu gostasse de algo, minha lógica era simples: "Se eu trabalhar, eu posso conquistar isso." Não existia o “não pode”. Existia o “ainda não”. Eu sabia que não iria ser fácil, mas sempre pensei que se fosse possível, eu queria tentar.

Mas com o passar dos anos, comecei a ouvir tanto que meus desejos eram “coisa de gente rica” que algo em mim quebrou. E quando quebrou, entrou a síndrome do impostor.

Passei a achar que eu precisava pagar para merecer pertencer. Nas amizades, no trabalho, nos ambientes, sempre sentia que eu devia algo, como se minha existência fosse uma dívida aberta. Como se eu só pudesse estar ali oferecendo algo em troca. 

A pobreza, no meu caso, não foi só ausência de dinheiro, foi uma educação emocional baseada na contenção. Na ideia de que gostar de si era egoísmo. Que desejar mais era falta de consciência de classe.

Aos poucos, isso se transformou em algo mais profundo: comecei a acreditar que eu era “demais”. Que eu incomodava. Que eu não podia ter certos gostos. Nem certas ambições. E eu precisava viver de acordo com o que esperavam de mim, ou, pelo menos, não sair demais do esperado.

E foi assim que fui me podando. Silenciosamente. Delicadamente. Mas sempre me cortando um pouco.

A pobreza como identidade imposta

Existe algo que as pessoas não gostam de falar: a pobreza também forma uma estética emocional.

Ela se torna uma persona. Vira filtro de visão e medida de valor. Você aprende que não deve desejar, não deve querer demais e não deve incomodar com a sua ambição. É de senso comum dentro da própria classe que uma pessoa pobre não pode ambicionar. 
“Quem muito quer, tudo perde.”
“Para que isso tudo?”

“Melhor pouco com Deus do que muito sem Ele.”

Quando alguém tenta sair do padrão, vem o julgamento disfarçado de moralidade:

São frases que parecem sábias no primeiro momento, mas que, na prática nos ensinam a ter vergonha de desejar. Começamos a achar que felicidade demais é falta de humildade e que querer algo diferente é deslealdade com as nossas origens.

Mas eu quero dizer uma coisa que precisei de muitos anos para entender: Nós não somos ingratos por querermos mais. Somos humanos, e o nosso desejo é a forma mais viva da esperança.

Quando você começa a se calar para não incomodar

Houve momentos que eu me anulei porque senti que as coisas que eu queria eram demais, demais para aquele ambiente, para aquelas relações, para aquele trabalho.
Então, em diversos momentos eu tentei caber em lugares apertados. E caber demais é desaparecer.

Até nas amizades, eu vivia como se precisasse pedir desculpas por tudo. Me adaptava ao limite dos outros e esquecia dos meus próprios. Mas, lá dentro, uma parte minha nunca se calou completamente. Mesmo pequena, mesmo desacreditada, ela insistia:

“Essas ideias não são suas. Você não precisa repetir o que ouviu.” Era o que eu pensava bem lá no fundo.


A escassez como herança emocional

O problema não é só o que falta, é o que nos fazem acreditar que jamais teremos. A escassez se torna uma mentalidade. E isso passa de geração para geração como se fosse cuidado.

“Seja simples.”

“Não sonhe alto.”
“Quem você pensa que é?”
O resultado? A gente começa a se sabotar. A recusar elogios. A diminuir as nossas conquistas.
A viver no modo sobrevivência, mesmo quando já poderia estar vivendo.

E isso é mais comum do que parece. É um padrão. Um script. Um looping emocional.


Romper com isso dói. Mas não romper dói mais.

Chegou um momento da minha vida em que continuei financeiramente simples, mas emocionalmente decidi parar de ser pobre. Não porque passei a ostentar, mas porque comecei a me curar.

Curar o medo da rejeição. Curar a ideia de que eu precisava merecer para pertencer. Curar a culpa de querer algo bonito para mim e de querer poder viver a vida que eu sempre quis.

Foi nesse momento que entendi: o meu valor não estava em nenhuma conta bancária. Sempre esteve no meu caráter e tudo o que eu precisava era apenas me permitir e aprender a capacidade de não me diminuir para caber em lugares pequenos demais para mim.


O fim do ciclo

Esse texto não é sobre “ter dinheiro” ou “ficar rico”. Não é para você se envergonhar de onde veio. Mas para você não permitir que isso defina onde vai parar. O seu valor não vem da sua origem.

Então, assim como eu, quero que recupere o direito de sonhar, mesmo que ninguém te entenda. Se permita desejar com autenticidade, sem culpa, sem vergonha. O mundo não precisa de mais gente repetindo dores herdadas. Precisa de gente com coragem de quebrar o ciclo.

Se você se viu em alguma dessas linhas…Se alguma parte sua doeu ou se reconheceu… Talvez esteja na hora de voltar para si também. A ruptura começa quando a gente para de repetir, e começa a se escutar.
Mesmo que aos poucos.
Mesmo que tropeçando.
Mesmo que em silêncio.

Mas sempre, sempre, voltando para o nosso centro.

Se você gostou desse post, veja os temas que quero abordar nos próximos posts sobre esse assunto:

  • Traumas de rejeição e abandono
  • Medo da perda
  • Sobre parar de negar seu próprio valor
  • Sobre s desvincular do ego e da falsa sensação de controle
  • Aceitar o mundo como ele é
  • Recusar mediocridades
  • Estabelecer limites
  • Ser autêntico
  • Lidar com dinheiro
  • Ter sonhos ousados
  • Viver o amor-próprio, de verdade

Me sigam no Instagram @nickexaltacao e acompanhem parte da minha jornada.


Existe um incômodo que sempre me acompanhou por há anos. Era um silêncio barulhento. Aquela sensação de não estar no lugar certo. 

Demorou para eu entender que esse desconforto não era frescura, nem crise existencial. Era a minha alma querendo respirar. Querendo me lembrar de que eu não fui feita para repetir tudo que me disseram que eu deveria fazer. Com isso, ao longo dos anos me dediquei a quebrar diversas coisas que fazem parte do senso comum, mas que não se aplicavam a minha vida.

Nós crescemos seguindo mapas feitos por outras pessoas, mapas desenhados por mãos que, muitas vezes, também estavam perdidas. Aprendemos a ser fortes antes mesmo de entender o que é sentir dor.

A ouvir “engole o choro”, “não reclama”, “agradece e fica quieto”, e vestimos humildade como se fosse armadura. Escondendo tudo o que é autêntico, como se ser diferente fosse uma falha. E assim, sem nem perceber, a gente começa a pedir desculpas por sonhar alto.

Crescemos acreditando que os nossos gostos eram errados, que as nossas vontades eram arrogâncias, que nossas ideias eram "viagem demais". Acreditamos que precisávamos pedir desculpas por querer ser mais. Por desejar uma vida mais leve, mais justa, mais... nossa.

Esse texto, esse projeto, esse desabafo, é sobre isso.

Sobre esse grito abafado que mora quietinho dentro de nós.

Sobre essa sensação de estar sempre fora de lugar, até dentro da própria pele.


O ponto de partida: a escassez invisível


Nós não precisamos ter nascido pobre para carregar escassez. Porque a escassez não é sobre dinheiro, é sobre mentalidade. 

Ela se infiltra nas palavras que ouvimos:

"Isso não é para você."

"Aceite a sua realidade."

"Dinheiro só traz infelicidade."

Essas frases parecem conselhos. Mas são algemas mentais.

Elas amarram a nossa vontade, questionam o nosso merecimento e nos fazem sentir vergonha por desejar mais.

Desde nova, eu aprendi que não podia ser alguém e não poderia pertencer nada. Eu precisava ser contida. Me acostumei a viver uma vida onde se limitar se tornou um sinal de caráter, mas caráter não tem nada a ver com se encolher, tem a ver com autorrespeito, e com os nossos valores.


As feridas que não aparecem no espelho


Tem coisas que nos travam e nem sabemos nomear. Relacionamentos que não dão certo, projetos que param pela metade, decisões que evitamos tomar.

Nem sempre é falta de competência. Às vezes, é só dor antiga. Rejeição, vergonha, abandono...

Essas coisas silenciosas constroem muros invisíveis, e mesmo quando a vida nos oferece coisas boas, nós recuamos, ficamos com medo e nos sabotamos.

Porque lá no fundo, ainda ecoam aquelas vozes:

“Isso é demais para você.”

“Daqui a pouco descobrem que você não merece.”

Esse texto é uma tentativa de olhar para esses muros. E, quem sabe, começar a derrubá-los.


Se colocar no centro não é egoísmo


Aprendi cedo que me colocar no centro era egoísmo, mas hoje, mais velha e com mais certezas, eu entendo que não é. Me colocar no centro é dizer: eu também importo.

É parar de se deixar por último o tempo inteiro e entender que minha dor, meus desejos, minhas escolhas, também contam. E que não dá mais para viver como se eu fosse só uma continuação das expectativas dos outros.


A performance que cansa


Por muito tempo, eu atuei, falei o que esperavam. Fiz o que mandaram e engoli o que doía.

Mas chega uma hora em que até a máscara pesa. A gente começa a negar o que gosta, o que acredita, o que quer, só para se encaixar e não decepcionar as expectativas das outras pessoas. E o que sobra é um vazio que nem sempre sabemos explicar.

Neste espaço, neste blog, nesta conversa comigo mesma e com quem me lê, a proposta não é encontrar respostas prontas, é me permitir perguntar de novo. Me permitir ser contraditória.

Porque, sim, ser quem somos às vezes incomoda os outros. Mas negar isso dói bem mais.


O dinheiro não é o nosso inimigo, é a culpa de querer prosperar


Falar de dinheiro sempre foi desconfortável anteriormente. Como se desejar uma vida próspera fosse sinal de ganância.

Mas não é.

O que machuca não é o dinheiro. É a culpa de querer mais. De desejar conforto. Liberdade. Escolha.

A verdade é que prosperar não é trair suas raízes. É, muitas vezes, a única forma de honrá-las com dignidade.


Não estamos quebrados, estamos em processo de restauração


Se em algum momento você também sentiu que se perdeu de si e perdeu a sua autenticidade, eu te entendo. Eu também já me senti assim.

Aqui no blog, irei iniciar uma série de posts contando sobre a minha trajetória de mudança de vida que venho trilhando há alguns anos, e trarei as minhas descobertas sobre esse processo. 

A intenção dos posts não é trazer fórmulas. Só a minha nova mentalidade que me ajudou a trilhar novos rumos para a minha vida atual.

E talvez, no meio desses posts, você encontre alguns dos seus próprios pensamentos, aqueles que você sempre teve, mas nunca teve espaço para elaborar.

Aqui eu quero falar sobre pobreza, mentalidade de escassez, rejeição, bloqueios, autoaceitação, autenticidade e diversos assuntos que já foram barreiras na minha vida.

Então, se você sente que se perdeu de si, continue me acompanhando nessa trajetória. E eu te digo que a vida, apesar de difícil, ainda pode ser muito boa. 

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Oi, sou Nick!


Oi, sou Nick!

Sou escritora, formada em Licenciatura em Letras e tenho me aprofundado em Sociologia e Filosofia. Atualmente, atuo na área de Marketing, explorando estratégias, comunicação e comportamento humano. Minha trajetória é guiada pela busca constante por conhecimento, reflexão crítica e conexão entre ideias, pessoas e contextos sociais.


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