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Escrevo este conteúdo como um alerta, pois noto uma alienação crescente na internet e nas redes sociais.

Apesar de esse fenômeno sempre ter existido nas relações sociais, a disseminação de conhecimento raso, que historicamente sempre gerou alienação, é atualmente amplificada intensamente pela internet.

O conteúdo de hoje, portanto, é um pouco mais denso. Falarei sobre a internet, sobre construção de narrativas e sobre como esse universo funciona, porque, no fim das contas, tudo isso está profundamente ligado à publicidade.

Muito se fala sobre a internet ser prejudicial e sobre diversos outros problemas associados a ela. Mas eu quero lembrar de algo essencial: o problema nunca foi a tecnologia. Quem utiliza a internet são os seres humanos. Somos nós que estamos nos relacionando e, por meio da internet, ampliando esses relacionamentos para uma escala global.

Então, a primeira coisa que eu quero que você pense é a seguinte: a grande problemática da internet hoje são bilhões de seres humanos se relacionando em grande escala sem saber lidar com isso. Sem saber lidar com o fato de que todos estão sendo vistos e de que tudo o que é dito na internet pode, em algum momento, ser ampliado, recortado ou distorcido.

Antigamente, sem internet, não existia a possibilidade de ter uma voz em larga escala. Também não havia como ser conhecido por tantas pessoas ou conhecer tanta gente. Nosso convívio era limitado às pessoas próximas: família, amigos, vizinhos, no máximo pessoas do bairro ou da cidade.

Hoje, isso mudou completamente. A internet permite que conheçamos pessoas sem fronteiras. E é justamente aí que surge uma das grandes dificuldades: muitas pessoas não conseguem lidar com o nível de expansão que a internet trouxe para a sua vida, e as escolas também não preparam os indivíduos para a vida conectada.

Existe ainda outro ponto importante: a quantidade de informação disponível. Há diversas pessoas e empresas disseminando conteúdos na internet, e somos constantemente expostos a dados, opiniões e discursos. Mas é fundamental entender que nem tudo o que está na internet é conhecimento. Muitas vezes, são apenas milhares de informações soltas que não vão te servir para nada.

É um fato que os maiores empresários que estão à frente e são donos de grandes empresas de tecnologia e redes sociais já declararam diversas vezes que seus filhos não têm tanto tempo de tela, nem permanecem tanto tempo online.  Bill Gates e Steve Jobs afirmaram em entrevistas que limitavam o uso de tecnologia para os filhos, justamente por entenderem o potencial impacto excessivo das telas na infância. Gates proibiu que seus filhos tivessem smartphones até os 14 anos e limitou o uso de gadgets em casa, e Jobs afirmou que sua família limitava significativamente quanto tempo as crianças usavam tecnologia em casa.

Então, se os próprios donos dessas empresas não permitem que seus filhos utilizem a internet o tempo todo, por que nós nos colocamos nessa posição?


Você escolhe o que consome ou o algoritmo escolhe por você?

Atualmente surgiu um termo que vem ganhando força recentemente, o “cronicamente online”, que é basicamente, quando a pessoa vive conectada, reagindo o tempo todo ao que aparece na tela, inteirado da trends, memes, etc. Eu não considero isso saudável para o equilíbrio mental e, principalmente, para o desenvolvimento do conhecimento e da autenticidade das pessoas.

Alguém que não consegue estipular ou controlar o tempo que passa na internet, muito provavelmente também não tem controle sobre outros aspectos da própria vida. Ela vive em um fluxo contínuo de estímulos, pulando de conteúdo em conteúdo, scrollando a tela de forma automática.

É claro que hoje quase todo mundo faz isso em algum grau. Mas o problema começa quando não existem limites claros. Quando a pessoa apenas rola a tela sem nenhum tipo de intenção ou comando.

Se você não calibra o seu algoritmo para receber conteúdos relevantes, conteúdos que realmente tenham relação com o que você busca, você passa a consumir uma sequência infinita de assuntos aleatórios. E isso contribui diretamente para a alienação.

Uma forma prática de evitar isso é utilizar mais a área de busca das redes sociais, em vez de apenas consumir o que aparece no feed. Quando você busca ativamente por temas específicos, o algoritmo entende melhor seus interesses e passa a te mostrar conteúdos mais alinhados com aquilo que você realmente quer ver.

Quanto mais você usa a busca de forma consciente, mais força você dá ao seu próprio direcionamento dentro da rede social. Isso é uma maneira de retomar o controle da experiência digital, em vez de ser controlado por ela.

Caso contrário, você continuará sendo exposto a informações desconexas, superficiais e irrelevantes e isso, aos poucos, vai alimentando um estado constante de distração e desalinhamento.

Quantas pessoas você conhece que apenas repercutem falas de influenciadores ou de políticos sem nem cogitar questionar, contra-argumentar ou exercer qualquer senso crítico sobre o que está sendo dito? Quantas conhece que não possuem repertório cultural para discutir sobre assuntos que não estejam ligados à mídia pop ou ao que virou manchete nas redes sociais?

Isso é algo muito importante de ser salientado: você não pode acreditar em notícias de 280 caracteres, como as publicadas na rede social X (antigo Twitter). Redes sociais não servem para te informar de forma profunda. Você não deveria sequer cogitar aprender algo complexo ou aprofundado apenas por meio de uma rede social.

Conhecimento exige tempo, profundidade e contexto. Ele vem de artigos longos, textos densos, leituras que te façam pensar, refletir e construir uma crítica social própria. No máximo, as redes sociais deveriam ser utilizadas como ponto de partida: para captar insights, temas ou provocações que, depois, você irá aprofundar em fontes mais consistentes.

Eu mesma produzo diversos vídeos curtos nas minhas redes sociais. Crio conteúdo sobre escrita, autenticidade e outros temas. Mas esses conteúdos são apenas uma prévia do que eu penso e estudo. Eles existem para despertar interesse e incentivar as pessoas a buscarem os conteúdos mais aprofundados que eu produzo, além de indicar outras fontes onde esse conhecimento pode ser expandido.

Eu sempre incentivo, nas minhas redes, que as pessoas leiam livros, livros técnicos, clássicos, ensaios e também artigos. Eu não aconselho ninguém a se informar por meio de notícias em redes sociais, pois são, em sua maioria, manchetes rasas, altamente enviesadas, construídas para induzir alinhamento imediato, emoção rápida e reação impulsiva.

Hoje, as redes sociais são uma das maiores ferramentas de manipulação da mídia. Se você quer realmente se informar, entender contextos e formar opinião, leia jornais. Sim, jornais.

É comum ouvir o argumento de que jornais têm viés político e isso é verdade, a mídias em sua maioria tem. Por isso mesmo, a melhor estratégia é ler jornais de diferentes vieses. Quando você compara como a mesma notícia é abordada por fontes distintas, você começa a enxergar as camadas do discurso. E, a partir disso, com senso crítico, você consegue extrair aquilo que realmente faz sentido para você.

Você pode perceber, por exemplo, que um jornal traz um conteúdo mais denso, mas ainda assim enviesado. E a única forma de se aproximar do que é mais próximo da realidade é questionando tudo: lendo muito, comparando fontes, mas sem aceitar nada de imediato como verdade absoluta.

Eu, por exemplo, leio jornais todos os dias. Mas sou seletiva quanto ao tipo de notícia que consumo. Não busco me aprofundar em conteúdos sensacionalistas, violentos ou feitos apenas para gerar comoção em massa. Prefiro notícias que ampliem meu repertório: economia, marketing, geopolítica, sociologia, pesquisas, análises estruturais. Leio também diversos artigos aqui no Substack, no Medium, entre outros sites que eu mesma busco ativamente. 

Informação não é sobre saber de tudo.

É sobre saber escolher o que realmente constrói pensamento.

Você precisa ter em mente que criticar o conhecimento que está recebendo, a informação que chega até você, é o primeiro passo para compreender melhor o mundo de hoje.

Neste momento, você pode estar lendo até este texto e questionando o que estou dizendo. E é exatamente isso que eu quero que você faça! Você deve questionar todas as nuances. Alguém que não questiona não consegue compreender no mundo atual.


Opiniões emprestadas não são pensamentos críticos

Sobre o tema deste texto, o que eu percebo é que muitas pessoas, como mencionei no post anterior, não sabem quem são. Elas estão perdidas em relação aos próprios gostos, ao que lhes faz bem, ao que não gostam. E tentam aprender isso observando os outros. Isso é normal: seres humanos são seres sociais, aprendem por espelhamento.

O problema é que hoje existe uma busca constante por esse autoconhecimento exclusivamente através da internet. E é preciso entender algo fundamental: você não vai compreender o seu mundo interno buscando respostas apenas no externo. Isso só gera alienação. A internet não tem todas as respostas para a sua vida.

O único caminho para se construir como um ser pensante é pensar com a própria cabeça, questionar o que está acontecendo ao seu redor. Vivemos em uma era de excesso de opiniões. Muitas delas vindas de pessoas muito jovens, cheias de certezas, alimentadas por validação constante. Essas pessoas acreditam que estão corretas simplesmente porque suas opiniões são reforçadas por grupos.

Mas, quando você conversa de forma mais profunda com esses indivíduos, percebe que são opiniões rasas. Construídas a partir de frases curtas, muitas vezes no formato de 280 caracteres, vistas repetidamente em redes sociais. E então, surge a crença equivocada: “se muitas pessoas estão dizendo a mesma coisa, isso deve ser verdade”.

As grandes mídias frequentemente utilizam a construção de narrativas para criar conexões emocionais com as pessoas, fazendo com que elas acreditem em verdades criadas.

Por exemplo: quando você percebe que muita gente está falando sobre algo, dizendo que aquilo é muito bom, ou, ao contrário, muito ruim, questione. Pense: de onde veio essa informação? Por que todo mundo está falando sobre isso?

Existe toda uma indústria de marketing por trás, inclusive de disseminação de informações falsas. E, na realidade em que a gente vive hoje, o que muitos chamam de “matrix”, essa matrix é na verdade, uma prisão mental. As pessoas muitas vezes não sabem o que está acontecendo de fato porque grandes empresas e governos utilizam o marketing massivo e a disseminação de informações para ludibriá-las. Além disso, é muito difícil quebrar esse ciclo.

A maioria das pessoas no país não lê. E, quando lê, consome conteúdos bastante superficiais (e quando eu digo isso, não estou dizendo para você parar de ler por entretenimento), mas você também precisa ler para adquirir conhecimento. Independentemente de você não estar mais cursando uma faculdade ou uma pós-graduação, você não pode parar de estudar só porque a formação acadêmica acabou. O estudo precisa ser constante. O conhecimento precisa ser constante.

E é nesse momento que, quando você adquire conhecimento, você não pode mais colocar toda a culpa nas mídias, nas grandes empresas e nos governos apenas. A partir daí, passa a ser uma responsabilidade sua. É você que deixa de raciocinar. É você que deixa de buscar.

Quando você tem condições de bancar seus estudos, de comprar livros, quando você tem acesso a jornais, acesso à internet, ou seja, quando você não está mais em um estado de pobreza extrema, quando tem uma vida minimamente estruturada e tempo para se dedicar, você não pode mais procurar culpados!

Hoje, vivemos em uma era da internet em que o conhecimento está amplamente disponível. Por isso, precisamos parar de culpar somente os outros e as circustâncias.

É claro que existem vários responsáveis por esse cenário, mas nós também temos a nossa parcela quando deixamos de estudar, quando temos tempo e procrastinamos, escolhemos não ler um jornal, não aprofundar, não buscar.

E, para você entender mais ou menos como isso funciona dentro da publicidade: quando eu falo do campo da publicidade, não estou falando apenas da venda de produtos, estou falando de tudo, inclusive de notícias.

Muitas vezes você acredita que algo está sendo apenas noticiado, mas existe ali um viés que incentiva consumidores a tomarem determinado tipo de atitude. Notícias também fazem parte disso.

O tempo todo, empresas utilizam a publicidade e a construção de narrativas como ferramentas poderosas para persuadir as pessoas a adotarem determinadas opiniões. Às vezes essa opinião está ligada a comprar algo ou deixar de comprar algo; outras vezes, a aderir a uma ideologia ou até a um partido político.

No fim das contas, tudo está relacionado ao consumo e à estratégia de fazer com que a grande massa tome decisões que a mídia deseja que sejam tomadas. 


E o que isso tem a ver com autenticidade? 

Porque é nesse momento que você é influenciado, que você vai perdendo a sua identidade. Quando você quer se sentir incluido nas tendências, quando gasta dinheiro que não tem para comprar um Labubu, ou um bebê Reborn (tendências de consumo de 2025).

É assim que funciona. Sempre foi assim. desde o início da publicidade. A difença é que hoje a publicidade se tornou mais sofisticada com as redes sociais.

Acreditar em tudo o que você lê na internet é escolher ser ludibriado, pois isso transforma indivíduos em pessoas alienadas. Nesse processo, você coloca o seu cérebro, um órgão extraordinário, dotado da capacidade de pensar criticamente, em modo inativo. Você escolhe seguir a massa. Escolhe não questionar.


Como a polarização, o ruído e o moralismo digital alimentam a alienação coletiva

O que vemos hoje na internet são grupos com opiniões divergentes se atacando constantemente. Cada grupo acredita estar moralmente correto e passa a atacar o outro com base em suas próprias crenças. Todos munidos de um discurso “politicamente correto”, mas completamente desconectados de contextos históricos, políticos e culturais mais amplos.

Isso gera uma confusão social enorme. Muitas dessas disputas funcionam como verdadeiras cortinas de fumaça. São alvoroços que desviam a atenção coletiva de questões realmente importantes que estão acontecendo no Brasil e no mundo.

Na política e também em cenários de guerra, essa é uma estratégia conhecida: sempre que algo estrutural acontece, outro evento surge para ocupar o debate público. A atenção da massa é desviada.

Por isso, este texto é um alerta. Vivemos em um momento histórico em que é extremamente difícil não cair em algum tipo de alienação. As pessoas que detêm poder,  que comandam estruturas políticas, econômicas e midiáticas, sabem como controlar narrativas. Fazem isso através da disseminação massiva de informações, criando confusão mental, excesso de estímulos e opiniões polarizadas.

Existem formas muito eficazes de construção de narrativa para moldar a opinião pública. E, quando um indivíduo vê milhares de pessoas repetindo a mesma ideia, torna-se difícil sair daquela bolha. Os grupos ideológicos se fecham, deixam de dialogar e passam a apenas reagir.

Então, como quebrar esse ciclo? Como desenvolver conhecimento real?

O primeiro passo é se afastar das redes sociais por um momento. Ou, ao menos, aprender a calibrá-las. Consumir apenas conteúdos que realmente agreguem. Esse turbilhão constante de informações não vai te ajudar a se tornar um ser humano mais crítico, nem a construir a pessoa que você deseja ser.

É necessário sair das redes, diminuir o ruído e começar a ler. Ler textos longos, profundos, que exigem tempo, silêncio e reflexão. Só assim você desenvolve pensamento crítico, autonomia intelectual e autenticidade.


Consciência não é informação, é filtro

Com o post de hoje, o que eu realmente quero é que você reflita sobre a construção do seu “eu”.

Se você chegou até este texto, acredito que esteja, de alguma forma, tentando construir um novo eu: mais autêntico, mais centrado, mais consciente. E, para que isso aconteça, é necessário parar de buscar conteúdos rasos como fonte principal de aprendizado e começar a procurar conhecimentos mais aprofundados.

Eu sei que isso não é simples. Existe uma dificuldade real. Muitas pessoas não nasceram em ambientes que incentivassem o contato com livros, estudos profundos ou conteúdos que estimulassem o pensamento crítico. Muitas cresceram em contextos onde a prioridade era sobreviver, e eu entendo isso, pois também vivi essas mesmas circunstâncias. Eu sei exatamente o que leva alguém à alienação.

Mas existe algo que precisamos compreender: o processo de desalienação é individual. Ele depende exclusivamente de você.

Vivemos em uma sociedade extremamente automática, mas ninguém vai apertar um botão e fazer com que você receba os conhecimentos “certos”. 

Você precisa buscar por conta própria. 

Precisa parar de acreditar em tudo o que lê, tudo o que ouve, tudo o que assiste. 

Precisa começar a questionar tudo o que consome.

E não, isso não significa sair das redes sociais ou se afastar de pessoas que você considera alienadas. Muito pelo contrário. Se você convive com essas pessoas, então compartilhe algo que aprendeu, sem egocentrismo, apenas pelo desejo genuíno de compartilhar conhecimento.

Não estou dizendo para você abandonar a internet. A internet é uma ferramenta poderosa. Hoje, temos acesso gratuito a conteúdos que, em outras épocas, seriam impensáveis. O problema não é a internet. O problema é a falta de filtro.

A maioria das pessoas não sabe filtrar o que consome e é exatamente isso que tem prejudicado o desenvolvimento pessoal de tanta gente. Muitas não percebem que têm o poder de escolher o que querem consumir, em vez de apenas aceitar o que o algoritmo entrega.

Você pode, por exemplo, usar a busca das redes sociais para procurar ativamente os temas que deseja aprender, em vez de apenas ficar no modo automático, rolando a tela. Você pode escolher os conteúdos pelos quais quer ser impactado. Isso é autonomia. Isso é consciência.

E é isso que eu sempre vou incentivar: que você questione tudo o que consome. 

Eu sou a favor do desenvolvimento individual. Sou a favor de pessoas que questionam, que aprofundam, que pensam até compreender exatamente quem são, o que buscam, o que querem viver e até o que não querem mais carregar.

Espero que tudo o que foi dito aqui tenha te trazido mais clareza.

E, se surgir qualquer dúvida ou reflexão, os comentários estão abertos.


Há muito tempo, quando eu era criança, sonhava com um futuro em que a tecnologia alcançaria seu auge. Mesmo muito jovem, já acreditava que um dia poderia aproveitar todas as possibilidades que a tecnologia teria a oferecer. Talvez isso fosse influência dos inúmeros filmes de ficção científica que assistia — toda aquela ambientação me parecia mágica e fascinante. Meu ideal infantil era viver em um mundo tecnológico, onde a vida seria mais fácil e prática.

Hoje, porém, me vejo diante de uma pergunta inquietante: "Devo me desconectar por completo?"

Acho que não sou apenas eu; muitas pessoas têm percebido que o excesso de informação proporcionado pela tecnologia transformou o mundo digital em um ambiente caótico. Todos os dias somos bombardeados com conteúdos e, mesmo com algoritmos ajustados para atender aos nossos interesses com base em nossos dados, muitas informações indesejadas acabam ultrapassando nossa "bolha".

Confesso que já cheguei a criar novas contas em redes sociais só para calibrar os algoritmos e receber apenas o que procuro. Ainda assim, conteúdos desnecessários, sem qualquer serventia, continuam a chegar até mim. Nem vou entrar na questão da coleta de dados e o quanto estamos expostos nas redes. Com nossos rastros digitais, aqueles que detêm poder sobre a internet podem fazer muito. Mas não é sobre isso que quero falar hoje.

A proposta deste texto é refletir sobre as informações que não desejamos e que, mesmo assim, chegam até nós — como uma forma de controle. Informações de todos os tipos possíveis, muitas delas baseadas em teorias da conspiração, escassez, medo, e outros estímulos que parecem projetados para nos desestabilizar.

Zygmunt Bauman afirmou uma vez que a velocidade e a quantidade de informação disponíveis hoje na internet são mil vezes maiores do que o cérebro humano pode processar. Ele também apontou que as redes sociais são armadilhas: elas não ensinam a dialogar e, frequentemente, reprimem nossas habilidades sociais.

Sempre gostei da internet, especialmente pela proposta de ter qualquer conteúdo à mão de forma rápida. No entanto, sociologicamente falando, isso tem se tornado um caos. "Qualquer" conteúdo pode causar danos irreversíveis à sociedade. A forma como nos comunicamos está em constante mudança. As gerações têm cada vez mais dificuldade de interagir com um entendimento mútuo. Isso tudo é culpa da internet? Não acredito que seja tão simples.

A internet é uma ferramenta que nunca teve um manual de instruções. Nunca fomos preparados para ela. Também precisamos lembrar que a internet e as tecnologias, como a inteligência artificial, não surgiram do nada. Há décadas, escritores como Isaac Asimov já previam os impactos da robótica e da IA. Não é de hoje que esses temas são discutidos na ficção científica. O problema é: por que empresas tomariam precauções contra algo que as beneficia?

Quando penso em um mundo sem internet ou com governos restringindo seu acesso, também não vejo isso como ideal.

Apesar de tudo, acredito que nosso dever como humanidade é aprender a usar as novas tecnologias de forma consciente e entender as consequências de nossas ações no ambiente digital. O mundo nunca foi, nem será, menos perigoso. Mas compreender como as tecnologias funcionam nos dá uma chance maior de nos proteger.


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Oi, sou Nick!

Sou escritora, formada em Licenciatura em Letras e tenho me aprofundado em Sociologia e Filosofia. Atualmente, atuo na área de Marketing, explorando estratégias, comunicação e comportamento humano. Minha trajetória é guiada pela busca constante por conhecimento, reflexão crítica e conexão entre ideias, pessoas e contextos sociais.


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